<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678</id><updated>2012-02-17T10:45:43.783-02:00</updated><category term='romance'/><category term='Teatro - crítica'/><category term='resenhas'/><category term='Contos'/><category term='novela'/><category term='crítica literária'/><title type='text'>contos e outras histórias</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>113</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-8266557135455180088</id><published>2012-02-17T10:45:00.000-02:00</published><updated>2012-02-17T10:45:43.795-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="margin: 1ex;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: medium;"&gt;Uma chance para a literatura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;No prefácio de &lt;i&gt;Mercado  de Pulgas&lt;/i&gt;, há um bom argumento para se publicar em livro muita  coisa boa que aparece na internet. Segundo as palavras do autor, referindo-se  a uma pesquisa do &lt;i&gt;Google Analytics&lt;/i&gt;, um visitante fica em média  num &lt;i&gt;site&lt;/i&gt; apenas durante três minutos: “O problema, na internet,  é o dedo indicador impaciente que, no &lt;i&gt;mouse&lt;/i&gt;, está sempre em  busca de algo a mais.” O livro, no entanto, é para ser lido com calma.  Por isso, Renato Alessandro dos Santos publica em livro uma seleção  dos melhores textos que colocou no seu site: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.tertuliaonline.com.br/" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;u&gt;www.tertuliaonline.com.br&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;O livro começa com uma epígrafe  de Andre Breton, “Sempre vou lá (no Mercado de Pulgas) à procura  desses objetos que não se encontram em nenhuma outra parte, fora de  moda, fragmentados, inúteis, quase incompreensíveis, perversos, enfim,  no sentido que entendo e amo...”, e não deixa de ser muito interessante.  Após a leitura, fica a saudade de um período da vida que a gente gostaria  de viver de novo mas sabe que não mais voltará. O autor explora de  modo sutil e pungente o velho gênero conhecido como crônica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Dividido em oito partes, começando  por &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;, trecho em que relata fatos de seu cotidiano, passando  por cinema, entrevistas, futebol, literatura, livros, música, Renato  pouco a pouco conquista o leitor, que dificilmente não demonstrará  uma ponta de insatisfação caso tenha de interromper a leitura. Há  ainda uma última parte denominada &lt;i&gt;Work in progress,&lt;/i&gt; com um belo  conto. O livro é finalizado com um ensaio cujo título é: “A literatura  como vício”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Na verdade, como explica Alessandro  da Silva, o &lt;i&gt;site&lt;/i&gt; “Tertúlia” começou como um fanzine nos  anos 1990. Desde então, ele põe em prática seu gosto pela escrita.  Em 2009 o fanzine voltou, mas na rede.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Num livro de crônicas, é&amp;nbsp; sempre arriscado destacar algumas, corre-se o risco de apontar não  as melhores, mas aquelas que caíram no gosto do resenhista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;O ponto alto do livro são  as entrevistas que Renato fez com escritores brasileiros, a maior parte  durante uma feira do livro em Ribeirão Preto; outras, durante a visita  de alguns deles a bibliotecas públicas para encontro com leitores;  e há ainda uma matéria em que ele acompanha uma palestra de Cristovão  Tezza, o autor do premiadíssimo &lt;i&gt;Filho eterno&lt;/i&gt;, numa sociedade  psicanalítica do interior paulista. Entre os autores entrevistados  encontram-se Milton Hatoum, Xico Sá, Pedro Bandeira, Marcelo Mirisola,  Michel Laub, Lourenço Mutareli, Daniel Galera, Ignácio de Loyola Brandão  e Moacyr Scliar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Outra parte, muito sedutora,  é a de livros e de literatura, praia do autor de 39 anos, já que ele  é um leitor voraz e professor da mesma disciplina. Talvez aqui o texto  de maior destaque seja: “A redoma de vidro de Silvia Plath”, onde  o autor discute o único romance escrito pela poeta de língua inglesa,  que se suicidou aos 30 anos. No começo do artigo, Renato pergunta:  “o que quer uma poeta, utilizando um pseudônimo (Victoria Lucas),  ao escrever não um livro de poemas mas um romance?” Através da vida  da personagem principal, Esther Greenwood, ele aponta traços biográficos  que coincidem com os de Silvia. “J. D. Salinger não mora mais aqui”  aborda a obra e a vida reclusa do autor de &lt;i&gt;O apanhador no campo de  centeio&lt;/i&gt;: “quem nunca ouviu falar de Holden Caulfield, o pequeno  diabo de Salinger. É um personagem inseguro, insatisfeito, questionador,  inconformista, inquieto...” Um texto também fundamental é “O que  você anda lendo ultimamente?”, onde Renato conta sua experiência  de iniciação à literatura ainda na adolescência e enumera vários  autores imprescindíveis para a criação do gosto pela leitura e formação  do leitor. O já citado “A literatura como vício”, na parte final  do livro, complementa este texto e apresenta, entre outros assuntos,  não só a descoberta da literatura, mas também o poder que ela tem  de se tornar motivo de vida de determinadas pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Apesar dos textos mais culturais  (digamos assim), o livro emociona quando o autor nos conta sobre acontecimentos  de sua vida familiar, como o nascimento de seu filho, a chegada das  férias, ou o dia em que ensinou o menino a andar de bicicleta, experiências  narradas com muito lirismo e sensibilidade. Referências a futebol também  têm sua poesia, como na crônica sobre o dia em que o XV de Piracicaba  foi a Batatais, cidade onde vive o autor, e venceu pelo placar de uma  a zero a equipe da casa, o também Batatais, conhecido popularmente  como o Fantasma da Mogiana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Em meio a todo esse painel  apresentado pelo livro, perdas e ganhos contabilizados, sobressai a  intensa paixão pela literatura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Mercado de Pulgas&lt;/i&gt; germinou  na internet e lá pode ser adquirido. Basta que se entre no &lt;i&gt;site&lt;/i&gt;  do autor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Mercado de Pulgas  – uma tertúlia na internet&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Renato Alessandro dos Santos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Download blogs – Ed. Multifoco,  269 páginas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-8266557135455180088?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/8266557135455180088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=8266557135455180088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8266557135455180088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8266557135455180088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2012/02/uma-chance-para-literatura-no-prefacio.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7442197139398211709</id><published>2012-01-24T22:25:00.001-02:00</published><updated>2012-01-24T22:27:04.493-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="margin: 1ex;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: medium;"&gt;Resenha: &lt;i&gt;Dois Rios&lt;/i&gt;,  Tatiana Salem Levi, Ed. Record, 220 páginas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Nas mãos de autores que já&amp;nbsp; antecipavam a modernidade, o personagem-narrador tornou-se componente  eficaz, produzindo na maioria das vezes artifícios que acabaram por  se tornar uma das questões fundamentais dos romances. A literatura  brasileira apresenta numerosos exemplos nesse sentido, que podem ser  constatados ainda no Romantismo e, mais adiante, no nosso principal  clássico, Machado de Assis, sobretudo em &lt;i&gt;Memórias póstumas&lt;/i&gt;, &lt;i&gt; Dom Casmurro&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Memorial de Aires&lt;/i&gt;. Na contemporaneidade, temos  dois exemplos de autores que souberam tirar o máximo proveito desse  personagem: Milton Hatoum, em &lt;i&gt;Relatos de um certo oriente &lt;/i&gt; e Bernardo Carvalho, em &lt;i&gt;Nove noites&lt;/i&gt;. Tatiana Salem Levi entra  pelo mesmo atalho, tentando dar aos narradores de &lt;i&gt;Dois Rios&lt;/i&gt; o  fôlego necessário para levar sua história até o fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Mas a empreitada, aqui, torna-se  arriscada. Construir um romance em primeira pessoa com dois narradores  implica dois problemas. O primeiro é o sacrifício de um arrojo poético  maior em prol da objetividade do que cada um tem a dizer. O segundo  exigiria muito do escritor, porque as palavras desses narradores teriam  de insinuar a psicologia e as idiossincrasias de cada um deles, logicamente  elas não poderiam ser as mesmas. Numa leitura mais apurada, o que se  pode constatar é que os dois personagens-narradores são muito semelhantes,  senão os mesmos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;O romance, dividido em duas  partes, apresenta na primeira uma mulher chamada Joana. Ela relata sua  vida e o passado da família. Na segunda, um homem, mais precisamente  seu irmão gêmeo, Antônio, se põe a narrar parte dos mesmos fatos,  acrescidos de outros que viveu longe da irmã. Apenas um acontecimento  os diferencia: o homem parte, enquanto a mulher fica (ao menos temporariamente)  e acaba tendo de cuidar da mãe, que pouco a pouco vai enlouquecendo.  Um segmento da narrativa ambientado à época da ditadura militar colore  o romance com tintas fortes, não deixando de lado o cinzento período  da história do Brasil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Dois rios&lt;/i&gt;, segundo livro  de Salem Levi, segue, em parte, o mesmo gênero do primeiro, &lt;i&gt;A chave  de casa&lt;/i&gt;, que é a memória. Claro que, quando se trata de romance,  o que predomina é a ficção. Mas o retorno constante ao passado, o  trágico e inesperado término da infância, a saudade pelo que se foi,  o amor e a promessa de eterna união entre os dois irmãos permeiam  muitos momentos do texto. Mais à frente, no entanto, com a adolescência  e a idade adulta, haverá a separação e o amor por outra pessoa. A  descrição de paisagens marítimas e imagens noturnas revelam momentos  de intensa beleza da narrativa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Uma terceira personagem, a  francesa Marie-Ange, mesmo sem querer, acaba por unir as duas pontas  do que se havia rompido, a ligação entre os dois irmãos. Joana e  Antônio, após a morte do pai, tornaram-se inimigos. Ambos se apaixonam  pela mulher, só que vivem os momentos dessa paixão em geografias e  tempos diferentes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Dois rios&lt;/i&gt;, além do  nome do livro e do lugarejo onde acontece boa parte da história, serve  também como referência aos dois irmãos, porque, na verdade, eles  deságuam na mesma foz: Marie-Ange.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;O leitor de romances, mesmo  ao negar sua face conservadora, normalmente gosta de, no fim da leitura,  ver equacionadas algumas das tensões que lhe desfilaram durante a narrativa.  O livro de Tatiana nos revela um ponto certeiro. Ambos, irmão e irmã,  concluem que, ficando ou partindo, estarão sempre na mais completa  solidão. O surgimento da francesa ajudou cada um a superar o nó que  os impedia de viver com mais plenitude. Joana deixa de lado a culpa  e a mãe, e começa a viver a própria vida; Antônio, que sempre fugiu  dos problemas da pequena família, retorna para encará-los de frente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;Um episódio, no entanto, mostra-se  incoerente. A segunda parte do livro ocorre num período de tempo quase  simultâneo à primeira, mas há um momento em que se situa à sua frente.  Nela, Batistine, avó de Marie-Ange, morre, fato que é narrado por  Antônio. Quando Joana viaja com a francesa, num momento posterior à  volta do irmão, ambas encontram a personagem ainda viva. Talvez a transgressão  temporal sirva para mostrar que descobertas prescindem de cronologia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: x-small;"&gt;Haron Gamal: doutor em literatura  brasileira pela UFRJ&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: x-small;"&gt;Artigo publicado no caderno Prosa &amp;amp; Verso de O Globo, em 07/01/2011. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7442197139398211709?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7442197139398211709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7442197139398211709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7442197139398211709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7442197139398211709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2012/01/resenha-dois-rios-tatiana-salem-levi-ed.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-8020866823649843601</id><published>2012-01-09T21:57:00.000-02:00</published><updated>2012-01-09T21:57:36.136-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O escritor na torre de marfim&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Charque&lt;/i&gt;, o mais recente livro  de Marcelo Mirisola, não deve ser lido como uma obra autobiográfica.  Talvez a gênese de toda confusão em torno do autor, no momento de  cada novo lançamento seu, resida neste ponto, um princípio elementar  na seara da literatura. Como o próprio escritor afirma: “eu uso a  primeira pessoa, não falo na primeira pessoa”, e, logo a seguir,  “no jardim de infância da literatura, a primeira lição que aprendemos  é: Eu é outro”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;O livro tem subtítulo: &lt;i&gt;uma autobiografia,  vá lá&lt;/i&gt;. Expressão por demais irônica. Levando-se em conta as  duas últimas palavrinhas, percebe-se o deboche com o próprio pseudogênero  escolhido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;Não&amp;nbsp;é&amp;nbsp;novidade no universo  da ficção a existência de autobiografias ou mesmo de biografias de  pessoas que jamais existiram. Borges escreveu resenhas de livros que  nunca foram publicados. Desde o surgimento do romance, passados os estilos  dos oitocentos, como o Romantismo e o Realismo, obras como &lt;i&gt;Memórias  Póstumas de Brás Cubas&lt;/i&gt; e mesmo &lt;i&gt;Dom Casmurro&lt;/i&gt;, ambas de Machado  de Assis,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;foram recebidas por muitos como portadoras da mais  absoluta verdade.  Portanto, por que o tema e o gênero escolhidos por  Mirisola na maioria de seus livros, como também neste último, provocam  sempre tamanha estupefação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;Outro aspecto deve ser destacado: o  gênero ficção está aberto a todo tipo de invenção, mesmo que o  reinventado seja o próprio autor, mesmo que ele atribua ao narrador  as duas iniciais do seu nome civil. Mas os MM do protagonista de &lt;i&gt; Charque &lt;/i&gt;indicariam verdadeiramente as iniciais do autor? Quem há  de garantir? E se assim o fosse, qual o problema?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;O trocadilho é fruto do Modernismo,  e a prosa de Mirisola tem origem neste movimento inaugurado no momento  em que as letras nacionais estavam congeladas, o vernáculo amordaçado,  a língua elitizada e trancada em de torres de marfim. Não é por acaso  que o protagonista de &lt;i&gt;Charque&lt;/i&gt; tem um pequeno apartamento no centro  de São Paulo, chamado por ele também de torre de marfim. Quem se esconde/revela,  o autor ou a língua utilizada por ele? O que deve e pode ser criticado  em Mirisola é o débito na originalidade. Ele não é o inventor de  tal tipo de literatura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;Há&amp;nbsp;quem afirme que o Pós-modernismo  é o período em que são respeitados os vários tipos de discurso.  Seria melhor afirmar que, se existe mesmo o Pós-Modernismo, com todo  o respeito àqueles que fizeram ou fazem opções destoantes da maioria,  não há a conclamada diversidade nem o respeito aos diferentes. O que  existe é a pseudoaceitação da diversidade. Por isso, a prosa de Mirisola  recebe tantas críticas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;Não&amp;nbsp;é&amp;nbsp;de se estranhar o  motivo que leva sua escrita a causar tanto escândalo junto ao bom mocismo  e ao politicamente correto de grande parte da atual literatura brasileira.  O que existe de mais vigoroso em suas narrativas é o afã em ridicularizar  os lugares comuns, os postos ocupados por aqueles que julgam ter atingido  a merecida consagração. Seus personagens têm o direito de remar na  contracorrente e de chamar de despachantes os escritores de botequim,  ou de armazém. Também não há pecadilho algum quando o narrador de &lt;i&gt; Charque&lt;/i&gt; diz que odeia as “acadimias”, mas entraria na disputa  da cadeira de Paulo Coelho na Academia Brasileira de Letras, caso ela  estivesse vaga.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Charque&lt;/i&gt; trata da vida de um  escritor desde os anos de 1960 até 2011. E não deixa de fazer um acurado  e arrasador levantamento deste período histórico, onde cada um a seu  modo tentou ser bem sucedido procurando apropriar-se dos mecanismos  que tinha à mão, como a especialização, o compadrio, ou mesmo a  trambicagem. Tudo com o objetivo de conseguir seus fugazes momentos  de fama. O narrador é mordaz nessa crítica, levando-nos a crer que  a intelectualidade ao perder sua base teórica, ao se deixar levar por  tantos conceitos heterodoxos, já não consegue fazer a devida leitura  de mundo; elaborar propostas viáveis talvez seja ainda mais difícil.  O que resta a essa intelectualidade é partir para o jogo com o que  tem à mão, o que torna as apostas cada vez mais temerárias. Aí é  que entra uma das questões fundamentais do romance: &lt;i&gt;Charque&lt;/i&gt;  já não seria apenas o nome do livro, mas significaria o modo que cada  um encontrou para se autopreservar. O que vale&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;para a maioria não é  arriscar, mas manter os lugares conquistados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Charque&lt;/i&gt;, de Marcelo Mirisola, ed. Barcarola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Haron Gamal - doutor e literatura brasileira pela UFRJ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Publicado no caderno Prosa e Verso, de O Globo, em 19/11/2011. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-8020866823649843601?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/8020866823649843601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=8020866823649843601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8020866823649843601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8020866823649843601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2012/01/o-escritor-na-torre-de-marfim-charque-o.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-2503394597304075565</id><published>2011-12-06T22:30:00.001-02:00</published><updated>2011-12-06T22:34:47.407-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Angústia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;, de Graciliano Ramos, comemora 75 anos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Há livros que, publicados, não se apresentam como o autor pretendia, mas acabam saindo do jeito que os leitores gostam. Foi o que aconteceu com &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Angústia&lt;/i&gt;, de Graciliano Ramos. O autor tinha a intenção de revisar os originais mais uma vez e achava necessário eliminar pelo menos um terço da narrativa. Mas as circunstâncias não permitiram, Graciliano estava encarcerado como preso político nos porões do Estado Novo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Para a comemoração dos 75 anos de lançamento do romance, a editora Record traz a público nova edição deste que é o terceiro livro do autor de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;São Bernardo&lt;/i&gt;, acrescido de sua fortuna crítica. Resenhas e textos contemporâneos ao lançamento ou mesmo matérias sobre o livro, que apareceram no decorrer do século 20, fazem parte de um apêndice, no final da edição. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Participam autores do porte de Otávio Tarquinio de Souza, Adonias Filho, Nelson Werneck Sodré, Otávio Dias Leite, Jorge Amado, Peregrino Junior, Rachel de Queiroz, Álvaro Lins, Ferreira Gullar etc., incluído Nicolao Montezuma, pseudônimo atribuído a Carlos Lacerda. Dentre todos esses textos, destaca-se o de Jorge Amado. O autor baiano afirma: “Esse romancista nordestino sabe bem o que quer fazer. Porque a impressão inicial que &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Angústia&lt;/i&gt; nos dá é de livro onde nada é inútil, nada é forçado e onde também nada falta.” Adiante, continua: “Sei de alguém que não conseguiu passar da página 30 desse romance com medo de enlouquecer.” Há também referência a um texto de Antonio Cândido, que classifica o livro como: “romance excessivo [que], de certo modo, contrasta com a discrição e o despojamento dos demais, o mais ambicioso e espetacular.” Dois posfácios, um de Otto Maria Carpeaux e outro de Silviano Santiago, fecham o livro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Angústia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; reflete o drama de todo artista marcado pelo destino, alguém que prevê o próprio futuro grandioso mas, para sobreviver, precisa sucumbir ao ridículo e comezinho do dia a dia, vendo-se obrigado a emprestar seu talento a escritores de repartição, ou mesmo alugar sua pena àqueles que desejam rascunhar algum elogio fútil a seus superiores. Na verdade, o grande drama de Luís da Silva, protagonista e narrador do romance, não é a perda da mulher, que nem chegou a amar, nem o crime que cometeu contra Julião Tavares, esnobe filho de comerciantes abastados. Sua tragédia pessoal é a própria obra que se avizinha, disfarçada de simples relato, fazendo crer que o narrador é o escritor, como é comum às narrativas em primeira pessoa. Por isso, não é à toa que a história possa ser percebida, já nas primeiras páginas, como tentativa literária de um autor fracassado. A angústia acaba se tornando a perspectiva de não saber empreender o próprio talento, sempre urdido (nos grandes autores) em meio a intenso sofrimento e à vida trágica. Graciliano Ramos soube captar bem este lastro do seu tempo e viveu na pele a própria tragédia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Outro aspecto que pode ser observado, como bem salienta Elizabeth Ramos na introdução, matéria também de uma revista norte-americana sobre o livro, é o seguinte: trata-se da “crônica da condição do intelectual nos países subdesenvolvidos da América Latina.” Questão premente, porque todo intelectual que se pretende livre, que não pertence aos círculos universitários nem aos círculos do poder, se vê condenado à solidão e ao silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O livro tem estrutura circular, começa pelo final. Luís da Silva já está se recuperando e relembra o último ano de sua vida, quando tudo parecia ir bem até conhecer Marina, uma moça que se mudou para a casa ao lado da sua. O narrador conta sobre sua vida de funcionário público, sobre os tipos locais, a luta política, o avanço do autoritarismo, a hipocrisia do meio intelectual em que está inserido, a vida nos cafés, o cinema local e o bordel. Também é assaltado por lembranças da infância. Aqui comparece a característica pela qual Graciliano Ramos se tornou mais conhecido, e que, neste romance, ocupa espaço periférico: a vida do sertanejo nordestino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Angústia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;, no entanto, mostra um Graciliano totalmente compatível com a vida na capital, privilegiando a introspecção muito antes de ela virar moda e ter sido explorada até as últimas consequências por uma escritora como Clarice Lispector.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O que se pode concluir é que &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Angústia&lt;/i&gt; não perdeu nem ameaça perder tão cedo a atualidade. Lido 75 anos depois de lançado, o romance também parece abordar, até de modo mais acurado, uma entre as principais questões dos dias de hoje: as doenças psíquicas, ou mesmo a loucura. Sem conhecimento profundo de Freud e de seus seguidores, ausente ainda Focault, o autor constrói um narrador que mergulha nas sutilezas da alma ao descrever sua “doença”, e consegue dissecar aquela espécie de mal que ronda o homem moderno, a solidão e a melancolia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Angústia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;, Graciliano Ramos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Editora Record&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New 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/&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-2503394597304075565?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/2503394597304075565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=2503394597304075565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2503394597304075565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2503394597304075565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/12/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7360715902813597256</id><published>2011-11-13T16:39:00.003-02:00</published><updated>2011-11-13T16:51:33.805-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="margin: 1ex;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Resenha de: &lt;i&gt;O duplo&lt;/i&gt;, de Fiódor Dostoiévski&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Publicada no Jornal do Brasil em 26/10/2011&lt;/span&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O duplo&lt;/i&gt;, segundo livro de Dostoiévski, publicado agora pela Editora 34, traz a questão que permeia toda grande literatura, a metáfora. Embora o gênero romance tenha características referenciais, nas mãos de escritores como o consagrado autor de &lt;i&gt;Irmãos Karamázov&lt;/i&gt;, torna-se verdadeiro poema. Não é à toa que tenha como subtítulo: “Poema petersburguense”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance se inicia com o despertar do protagonista: “Faltava pouco para as oito da manhã quando o conselheiro titular Yákov Pietróvitch Golyádkin despertou de um longo sono, bocejou, espreguiçou-se e por fim abriu inteiramente os olhos.” Na verdade, Golyádkin desperta para uma inesperada realidade: não demorará a encontrar o seu duplo, alguém que possui exatamente o seu nome e que, pouco a pouco, lhe vai roubar o lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dostoiévski, neste romance, introduz outro forte componente: o fluxo da consciência. Seu personagem principal estará&amp;nbsp;a todo momento, desde que se descobre ludibriado e substituído, remoendo-se num diálogo interior que ocupará grande parte da narrativa. Há páginas e páginas que se mantém no mesmo parágrafo. E estamos ainda em 1846, ano em que o romance é publicado. James Joyce nem sonhava em vir ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universo dostoievskiano, onde impera uma terrível solidão, já está presente neste romance, classificado pelos críticos como romance de sua “primeira fase”. Considero, no entanto, errônea essa posição. Muitos críticos brasileiros fizeram semelhante afirmação sobre Machado de Assis a respeito dos seus quatro primeiros romances: &lt;i&gt;Ressurreição&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A mão e a luva&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Helena&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Iaiá Garcia&lt;/i&gt;. O Dosotiévski de O duplo já possui todos os componentes do escritor das obras consideradas da “maturidade”, como &lt;i&gt;Crime e castigo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O idiota&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; Os demônios&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Irmãos Karamázov&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universo humano de São Petersburgo se apresenta como opressor. O ar é sufocante. Tanto entre os ricos, como entre os funcionários subalternos e criados, reina a desconfiança. Os subalternos colocam-se num espantoso servilismo, cada ser humano busca obter, a qualquer preço, as benesses da alta sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perspectiva de um amor impossível por uma mulher, já que ela pertence à nobreza, também é mais uma das frustrações do senhor Golyádikin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro, dividido em treze capítulos, relata em ordem cronológica, desde o despertar do personagem, sua saída numa carruagem alugada para ir a uma festa a que supostamente fora convidado, uma visita a seu médico, o dia a dia de trabalho, os personagens que tramam contra ele, a chegada de seu duplo até, como é prenunciado desde o começo, sua total derrocada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma questão, no entanto, que não pode ser descartada na narrativa é a loucura. Tudo que Yákov Pietróvitch Golyádkin pensa e vivencia na verdade não deixa de ser um desdobramento de sua mente. O autor russo se interessou, como muitos de seus contemporâneos, pelos transtornos psíquicos. No caso deste romance, porém, o louco não é apenas o martirizado protagonista, mas todos os outros personagens. Esta ressalva é feita não propriamente ao autor, mas à grande parte da crítica, que atribui a presença desse duplo apenas como decorrência do embate interno do personagem. O seu aparecimento, entretanto, não se dá somente a Golyádkin, mas a todos aqueles que o circundam. Estes nem mesmo se surpreendem que o duplo tenha o mesmo nome e provenha da mesma região do protagonista. Mais uma vez é fácil perceber a questão principal que Dostoiévski nos coloca: o adoecimento de todo um contingente humano sufocado sem piedade alguma pelo “século industrial” (palavras do narrador), e pelas consequências advindas desse novo tipo de vida em sociedade, marcado pela falta de sentido, pelas disputas e pleno de traições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias vezes Golyádikin pede ao cocheiro que o leve até&amp;nbsp;a ponte Izmáilovski. Quando é escorraçado da festa para a qual não fora convidado, corre “para o cais da Fontanka, ao lado da ponte Izmáilovski”, ali se depara pela primeira vez com o seu duplo. Talvez na obra do autor russo, a presença constante de pontes seja a tentativa de junção entre dois mundos absolutamente impossíveis. Como conciliar a razão, ou mesmo a verdade, com o lado mais sombrio de cada ser humano? Como compatibilizar os valores cristãos, tão caros a Dostoiévski, com os interesses cada vez mais mesquinhos da nova ordem econômica e social? A obra do autor russo já sinaliza o caos que está por vir: a vida contemporânea com sua perspectiva de deslumbramento e inviabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há&amp;nbsp;de se louvar o projeto da Editora 34 em traduzir e publicar praticamente toda a obra de Dostoiévski diretamente do russo, com bastante empenho e meticulosidade. É digno de nota o posfácio, escrito pelo próprio tradutor, Paulo Bezerra. As ilustrações de Alfred Kubin acentuam o caráter expressionista dos personagens dostoievskianos.&lt;span style="font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;Haron Gamal – doutor em literatura brasileira pela UFRJ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7360715902813597256?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7360715902813597256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7360715902813597256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7360715902813597256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7360715902813597256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/11/resenha-de-o-duplo-de-fiodor.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7668079704473065458</id><published>2011-11-01T12:47:00.000-02:00</published><updated>2011-11-01T12:47:52.626-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vim apenas para lhe dar um beijo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luísa segurou a xícara de café e a levou à boca. Enquanto saboreava o primeiro gole, olhou o vasto salão do segundo andar do aeroporto Santos Dumont. A funcionária que verificava os bilhetes junto à entrada da sala de embarque mantinha-se concentrada no trabalho. Olhando o lado esquerdo era possível ver a revistaria, uma loja de material esportivo, uma de souvenires e a Kopenhagen. Do lado direito havia uma charutaria e uma loja que exibia artesanato brasileiro. Luísa repousou a xícara sobre o pires e pegou uma das torradas. A manhã de terça-feira ainda estava tranquila no aeroporto, ao menos no salão próximo ao embarque, sobravam algumas mesas no café, até mesmo uma garçonete vinha perguntar aos clientes se desejavam mais alguma coisa, fato incomum em dias de grande tumulto. Através dos grandes vidros à direita, era possível observar a parte externa do aeroporto. As pistas do aterro tinham movimento intenso, mas o tráfego fluía com rapidez; mais adiante, via-se o Museu de Arte Moderna; ao fundo, o Pão de Açúcar; do lado oposto à baía, os prédios altos compunham a paisagem daquele pedaço do Centro que surpreende quem chega ao Rio pelo Santos Dumont. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem alto e de porte atlético, que deveria estar na casa dos trinta anos, acenou ainda de longe quando percebeu Luísa em uma das mesas. Ela terminava o café, mas levantou a mão esquerda e correspondeu ao aceno. Ele aproximou-se, beijou-a no rosto e sentou ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida, você sabia que eu não ia deixar que embarcasse sem uma despedida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não queria incomodar, viajo toda semana, vamos estar juntos de novo na sexta-feira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é incômodo algum, e para mim nunca é demais estar com você.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amor, mas você precisa se acostumar, depois que nos casarmos minha vida não vai mudar em nada, preciso trabalhar, e, além disso, você tem o escritório, não deve se atrasar, vir aqui para se despedir de mim custa tempo e dinheiro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida, você sabe que quanto a isso não há problema algum, sou um dos sócios da empresa, logo estarei de volta, vim apenas para dar um beijo em você”, sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garçonete se aproximou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ainda temos tempo ou você já precisa ir?”, ele perguntou à Luísa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho dez minutos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então há tempo para eu tomar um expresso”, olhou para a garçonete, que anotou o pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mais alguma coisa, senhor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, apenas o café.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou-se para a mulher:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você me ama, não? Me deseja sempre ao seu lado?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amo, quero estar sempre ao seu lado, mas não posso deixar o meu trabalho, não devo jamais renunciar à minha vida profissional.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida, não estou pedindo isso a você, trabalhe, atue cada vez mais, vou ficar feliz por vê-la bem sucedida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O sucesso será nosso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso mesmo, nosso; não se preocupe, vim aqui apenas para lhe beijar”, aproximou o rosto ao da mulher e a beijou mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garçonete apareceu com o café. Ele procurou o açúcar, rompeu o lacre e colocou o pozinho granulado dentro da xícara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando não havia o café expresso, colocava-se o açúcar primeiro”, ela falou e sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você viveu nesse tempo?”, ele mexia o café com a pequena colher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que tempo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O tempo em que o café expresso ainda não existia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não”, ela falou e olhou o relógio, “minha mãe é que diz isso, quando faz café fala para colocarmos antes o açúcar; caso não seja assim, o café não terá o mesmo gosto nem a mesma temperatura.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso são coisas de antigamente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Minha mãe não é velha, você sabe, tem apenas cinqüenta e três anos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sei, a mãe é jovem como a filha, e a filha é bonita como a mãe, mas só que não tem as mesmas ideias.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que idéias, amor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sua mãe é caseira”, afirmou titubeante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você com essa história de novo, sei que não está nada satisfeito com a minha profissão, &amp;nbsp;me quer ao seu lado todos os dias, precisamos conversar melhor quando eu voltar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desculpe, querida, não foi isso o que quis dizer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi sim, você sempre se trai, na verdade não aceita a minha profissão, não quer que eu viaje toda semana, preferia que eu ficasse em casa, como fica a minha mãe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, por favor, não é isso, não vamos discutir, vim ao aeroporto apenas para dar um beijo em você.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sei, agradeço o seu beijo, mas quando eu voltar precisamos conversar melhor sobre o seu pedido de casamento, tenho sérias dúvidas...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, querida, por favor, você sabe que eu te amo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se levantou, segurou a bagagem de mão que estava sobre a outra cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho que ir, depois conversamos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida, espere, vou com você até a entrada do embarque.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não precisa, acabe o seu café, você ainda tem que pedir a conta, até logo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida, telefono à noite.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, não telefone, vou trabalhar até muito tarde.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querida, quero lhe dar mais um beijo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luísa já ia longe. Apenas após passar pela funcionária que controlava a entrada da sala de embarque foi que se virou para dar um aceno, mas ele se embaralhou com o dinheiro que tirara da carteira para pagar à garçonete. Luísa deu as costas, a porta automática se fechou e ela desapareceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7668079704473065458?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7668079704473065458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7668079704473065458' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7668079704473065458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7668079704473065458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/11/vim-apenas-para-lhe-dar-um-beijo-luisa.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-6956275115393551164</id><published>2011-10-07T09:41:00.000-03:00</published><updated>2011-10-07T09:41:44.393-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Resenha de: &lt;em&gt;Guerra aérea e literatura&lt;/em&gt;, de W. G. Sebald&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Matéria publicada por Haron Gamal no Jornal do Brasil e Folha Carioca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Guerra aérea e literatura &lt;/em&gt;(Companhia das Letras, tradução de Carlos&amp;nbsp;Abbenseth), W. G. Sebald, ao contrário do que estamos acostumados a ler em seus livros – que na maioria das vezes tratam de memória e ficção –, apresenta dois ensaios, tendo um deles o mesmo nome do livro acrescido do subtítulo: “Conferências de Zurique”; o outro, “O escritor Alfred Andersch”, reprodução de um artigo que publicou nos anos 1990 na revista &lt;em&gt;Lettre&lt;/em&gt;, em que faz a revisão da vida e obra deste autor alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ambos os textos, Sebald, que adotou a Inglaterra para viver e trabalhar até à sua trágica morte em 2001, questiona o exercício da literatura em períodos-limite, como durante a Segunda Guerra Mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terreno explosivo e de escombros que ele vai trilhar pode ser pincelado com suas próprias palavras: “A queixa sempre repetida de que até hoje não foi escrita a grande epopeia alemã da guerra e do pós-guerra tem algo a ver com esse fracasso (de certo modo inteiramente compreensível) diante da violência que representa a absoluta contingência gerada por nossas cabeças obsessivamente metódicas.” Em outras palavras: para a razão, torna-se incompreensível e indizível a indústria da guerra e da destruição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, sob minha análise, arriscaria insinuar que essa incapacidade de absorver o real se aproxima da posição lacaniana, segundo a qual este mesmo real só pode ser captado e expresso pelo simbólico, sempre temerário e vacilante, muitas vezes incapaz de traduzir a experiência traumática, mostrando-se, consequentemente, em colapso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro ensaio, Sebald questiona o silêncio dos escritores alemães tanto durante a guerra quanto no pós-guerra, tornando a referência ao período em que as cidades da Alemanha foram quase totalmente arrasadas verdadeiro tabu. Entre aqueles que ficaram no país, como Walter Von Molo e Frank Thiess, diz-se que “se abstiveram de qualquer comentário a respeito do processo e do resultado da destruição porque temiam cair em desprestígio junto às autoridades de ocupação no caso de uma descrição próxima da realidade.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor constata que, mesmo finda a guerra, com a chegada de escritores que estavam no exterior ou nas frentes de batalha, o silêncio persistiu, tendo sido poucos os que decidiram escrever sobre o período, e mesmo assim quando o fizeram foi com uma escrita bastante pálida. Até mesmo Heinrich Böll, que teve como programa a Literatura dos Escombros, “mostra-se sintonizado com a amnésia individual e coletiva, e guiado por processos pré-conscientes de autocensura.” Seu livro O anjo silencioso, que dá uma idéia aproximada da dimensão do horror, apesar de pronto na década de 1940 só foi publicado em 1992. Além de Böll, apenas poucos autores trataram do assunto, como Hermann Kasack, Hans Erich Nossack, Arno Schmidt e Peter de Mendelssohn. Sebald analisa, em detalhes, o que cada um escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo ensaio, “O escritor Alfred Andersch”, o autor faz um balanço da obra e, sobretudo, da imagem que Andersch tentou criar durante e após o nazismo. Chamado ironicamente de littérateur” por Sebald, em momento algum o ensaísta o poupa, mostrando não apenas os pontos falhos de sua obra, mas também – citando estudiosos contemporâneos ao escritor em questão – a falsificação que ele efetivou para obter benefícios durante o período do nacional socialismo e depois a modificação que tentou empreender em sua biografia para se mostrar vítima do nazismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o autor de Emigrantes e Austerlitz enumere as baixas provocadas pela guerra aérea em território alemão, cite políticos e estrategistas aliados que discutiram a necessidade ou não de empreitada de tal envergadura (apenas a Royal Air Force lançou 1 milhão de toneladas de bombas sobre a zona inimiga; 131 cidades foram atingidas, sendo que algumas foram totalmente arrasadas; a guerra aérea deixou 600 mil vítimas civis na Alemanha; 3,5 milhões de residências foram destruídas; no final da guerra havia 7,5 milhões de desabrigados), o escritor não apela para o sentimento de autocomiseração nem coloca a nação alemã como vítima, inclusive afirmando que um país que promovera tamanhas atrocidades, com os campos de extermínio, não estava em posição de reclamar nem exigir qualquer reparação após o conflito. A questão principal, como já mencionei, é a incapacidade de os escritores discutirem, principalmente no universo da ficção, a Alemanha durante a guerra e no período conhecido como de reconstrução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conclusão, podemos dizer que as colocações de Sebald nos levam a especular sobre pelo menos dois pontos. O primeiro deles é a possibilidade de a literatura (e por extensão qualquer tipo arte) se desarticular como linguagem em períodos altamente traumáticos. O segundo, caso o anterior não seja verdadeiro, é o seguinte: se poesia, ficção, teatro e crítica não possuem o poder de convencer o ser humano a se manter afastado das guerras, poderiam ter como objetivo promover um real inventário das perdas, impedindo que as bombas, além de destruírem fisicamente as cidades, levassem também de rodo a tradição e a memória.&lt;br /&gt;&lt;img border="0" src="http://cdn.00113.upx.net.br/imagem/capas/691/22612691.jpg" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-6956275115393551164?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/6956275115393551164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=6956275115393551164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/6956275115393551164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/6956275115393551164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/10/resenha-de-guerra-aerea-e-literatura-de.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7155034937248478551</id><published>2011-10-06T07:38:00.001-03:00</published><updated>2011-10-06T07:41:29.815-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Resenha de: &lt;em&gt;O romance histórico&lt;/em&gt;, de George Lukács&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da tentativa de criação de uma estética marxista, George Lukács (1885-1971), em &lt;em&gt;O romance histórico &lt;/em&gt;(Boitempo Editorial, tradução de Rubens Enderle), livro escrito em seus anos de exílio na Rússia stalinista, aborda como as revoluções interferiram no gênero e como este serviu de instrumento para a reflexão sobre cada momento histórico &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor húngaro desde cedo se dedicou ao gênero romance, tendo escrito ainda na juventude A teoria do romance, livro polêmico, mas que o marcaria como um teórico da cultura por toda a vida. Lukács, na época, partia de posições hegelianas que remontavam ao platonismo, descrevendo o romance como a epopéia da era moderna. Nesse livro, o autor defendia a polêmica tese que situava o mundo clássico como cultura fechada, local em que havia respostas para todas as perguntas, mesmo para as não formuladas. O romance, a partir de seu surgimento ainda no século 17, seria a tentativa de resgatar essa totalidade perdida, já que o ser humano se encontrava ao desamparo, abandonado pelos deuses e em vias de fragmentação espiritual. A tentativa de dar conta de uma completude, como sugere a narrativa romanesca, seria uma ação fracassada, porque a opção pela modernidade introduziu o homem no universo da experiência, local partido, de impasse, onde não prevalece a subjetividade nem qualquer tipo de metafísica e suas consequentes explicações sobre a origem e a razão da própria existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em O romance histórico, embora Lukács já aderira ao marxismo, suas posições não abandonam de todo o que desenvolveu em seu livro de juventude, mostrando desta vez os conflitos históricos como motor de todas as mudanças, um modo de dar sentido ao mundo e de explicar como estas mudanças gestariam o fato literário, mesmo sabendo que ao abrir mão de qualquer metafísica estaria renunciando ao principal componente da literatura, a tentativa limite de comunicabilidade, simbolizada pela metáfora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande questão que distingue este O romance histórico de A teoria do romance é a seguinte: aqui, Lukács propõe como parâmetro a vida em sociedade com todas as suas forças e contradições. Deste modo, numa situação de solidão, o ser humano não teria ao seu dispor nenhum artifício transcendental para superá-la, mas, como diz Arlenice Almeida da Silva na esclarecedora introdução ao livro, “o essencial acontece no interior da própria sociedade.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é composto de quatro grandes partes. Na primeira, “A forma clássica do romance histórico”, uma das mais importantes, o autor tenta situar a fase clássica do romance histórico como uma exigência do período pós-revolucionário. Não só a Revolução Francesa, mas as guerras revolucionárias e o período napoleônico serviram para transformar a história em uma experiência de massa, criando nos homens a concepção de sujeitos da história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mostrar a força do romance histórico, o pensador húngaro escolherá Walter Scott, porque percebe nele um dos únicos escritores que fizeram prevalecer “o elemento especificamente histórico de seu tempo”, privilegiando como personagem o homem mediano, suas lutas e paixões, mostrando que este é capaz de figurar não o tempo que passa, mas a mudança de um tempo. O passado será visto como pré-história do presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte, o escritor discute a confluência dos gêneros, apresentando mais uma vez questões sobre o gênero épico, que classifica como a narrativa do "inteiramente passado", enquanto o gênero dramático apresentaria o "inteiramente presente". Ao apontar como uma das características do romance histórico o predomínio do dramático-dialógico, Lukács potencializa, através das características do drama, o momento histórico, deixando nas mãos de seus pequenos e medianos personagens o reflexo das grandes mudanças de cada período. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira parte, denominada “O romance histórico e a crise do realismo burguês”, ele especula sobre o período em que a própria burguesia, ao abandonar o realismo, demonstra perder a capacidade de representar a si própria, tornado-se vítima do movimento revolucionário que havia pouco menos de um século protagonizara. Lukács vai separar realismo de naturalismo e apontará que tanto as vanguardas modernistas como o realismo socialista nada mais são do que prolongamentos do próprio naturalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, em “O romance histórico do humanismo democrático", quarta parte, o autor deixa transparecer uma de suas principais preocupações no momento em que escreve o livro (a segunda metade da década de 1930): a necessidade de deter a ascensão dos movimentos nazi-fascistas com a criação de uma frente democrática, composta de alianças dos estados socialistas com os governos democráticos que lutavam contra o autoritarismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje muito criticada, a teoria literária de Lukács serve não como tentativa de criação de uma estética normativa a partir da crítica ao capitalismo, mas – além de demonstrar ser a arte uma das principais preocupações de um intelectual marxista – representa o esforço em verificar o fato literário e sua gestação em meio às contradições e aos interesses da luta de classes.&lt;br /&gt;&lt;img border="0" src="http://cdn.00113.upx.net.br/imagem/capas/014/3261014.jpg" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7155034937248478551?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7155034937248478551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7155034937248478551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7155034937248478551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7155034937248478551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/10/resenha-de-o-romance-historico-de.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-300564855416914574</id><published>2011-10-03T20:59:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T20:59:04.207-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Resenha de &lt;em&gt;Ao anoitecer&lt;/em&gt;, de Michael Cunningham&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;“Mistake, o Erro, vem para ficar algum tempo”, assim começa o mais recente romance de Michael Cunningham, Ao anoitecer. Mistake nada mais é do que o apelido de um jovem cujo primeiro nome é Ethan, irmão de Rebecca, que por sua vez é esposa de Peter, o protagonista da história. O jovem e belo rapaz, muito mais novo do que a irmã, é assim chamado porque representa tudo o que deu errado numa família de classe média americana. Com o correr da leitura, no entanto, não é difícil perceber que este erro tem muito de sedutor.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Seria bom neste momento fazermos uma reflexão das muitas que o livro nos incita. Talvez, num departamento de antropologia de alguma universidade perdida pelo mundo, alguém esteja desenvolvendo uma pesquisa (digamos, uma tese de doutorado) sobre a ética em vários tipos de sociedade, desde a mais antiga sobre a qual se têm notícias até à contemporânea, mundializada, representada por este microcosmo nova-iorquino onde vivem e transitam os personagens de Cunnigham, com suas deformações e tentativas de adequação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É bom levar em conta que ética – palavra muito usada nos dias de hoje – origina-se de “ethos”, termo que denominaria remotamente um lar e, por extensão, as leis e os costumes que norteariam toda a ramificação familiar, seus habitantes, parentes e contra-parentes, num período da Grécia antiga conhecido como pré-socrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, porém, escrever um romance que estabeleça questões prementes e ressalte o artista não como um mero repetidor de narrativas esgotadas, mas como alguém que nos aponte o difícil limite entre o que muitos filósofos conceituaram como sentido, ou mesmo falta de sentido? Em O mundo como vontade e como representação, Schopenhauer salva apenas a arte como a única possibilidade de espelhamento e crítica da existência. Isso é o que consegue nos mostrar o autor norte-americano Michael Cunningham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como em seus romances anteriores, mesmo no mais conhecido As horas (1996), verifica-se uma ficção em que há a perda total desse “ethos”, gerando, consequentemente, personagens perdidos, deformados, fazendo que estas mesmas deformações não ameacem estabelecer uma ética às avessas, mas gerem seres e relacionamentos altamente destrutivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova York, plena de contradições, sobretudo seu universo e mercado das artes plásticas, serve como pano de fundo para a narrativa. Peter Harris já passa dos quarenta anos e, até certo ponto, é um marchand bem sucedido, embora do segundo time. Organiza exposições de artistas que se mostram promissores, e representa outros que se tornaram conhecidos mas não mais conseguem avançar em suas propostas. Ao mesmo tempo, vende arte para alguns ricaços da cidade, estes sempre imersos na falta de cultura e de senso estético. Mas o casamento de Harris mergulha numa profunda crise com a chegada de seu cunhado, Mistake.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Único homem em uma família cujo predomínio é das mulheres, Ethan recebe ajuda da irmã, que acredita poder mantê-lo longe das drogas. Certo dia, entretanto, ele confessa a Harris, que seus anos mais férteis e de maior produção foram aqueles em que usava drogas e estudava em Yale. Ao mesmo tempo, Mistake é jovem e belo, o que fascina Peter, já que ele procura a plena realização estética. Ethan acaba por se tornar, para o marchand, uma espécie de arte pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão das drogas é aprofundada a partir do momento em que o irmão de Rebecca, acreditando estar sozinho em casa, encomenda cristal (uma nova febre nos EUA) de um narcotraficante que entrega em domicílio. Descobre depois que seu cunhado voltara do trabalho por motivo de doença, entrara em casa em silêncio, refugiando-se num dos quartos, e percebera tudo. Peter, em contrapartida, ingere em quase todas madrugadas, quando costumeiramente tem insônia, dois comprimidos de Rivotril com um copo de vodca, enquanto sua mulher mergulha em garrafas de vinho e martínis. Ela é editora de uma revista de arte que está sendo vendida para um milionário de um estado distante e precisa relaxar quando chega em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor também poderá experimentar as perplexidades do circuito artístico de Nova York, um mundo em que tudo pode ser arte, até mesmo uma bola de piche com crinas de cavalo, passando por bronzes de estilo grego clássico com pegadores pós-modernos. Há citações de galerias locais, museus, exposições famosas, a surpresa que experimentam seus frequentadores, o universo dos colecionadores e outros mercadores, também ricos, mas que, na maioria das vezes, naufragam na doença e na futilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um livro que, para o bem da literatura, não tem a pretensão de virar filme, pois o autor usa e abusa de um narrador que inclui as constantes reflexões e desespero de todos os personagens, proporcionando ao texto alta tensão psicológica. Após o término da leitura, constata-se que “Mistake, o Erro” – o personagem ou qualquer julgamento sobre as artes e/ou sobre a ética contemporâneas – é apenas uma questão de ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cdn.00113.upx.net.br/imagem/capas/155/22637155.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://cdn.00113.upx.net.br/imagem/capas/155/22637155.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-300564855416914574?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/300564855416914574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=300564855416914574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/300564855416914574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/300564855416914574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/10/resenha-de-ao-anoitecer-de-michael.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7268509272181422120</id><published>2011-09-10T12:13:00.000-03:00</published><updated>2011-09-10T12:13:51.407-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Resenha do livro:&lt;i&gt; Ensaios de poética e hermenêutica&lt;/i&gt;, de Ronaldes de Melo e Souza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;À literatura compete a visão múltipla do real, este que muitas vezes não se apresenta ou mesmo se mostra furtivo e de forma fraturada. A tradição filosófica, a partir do momento em que abandona as narrativas de cunho mítico, tentativas de explicação de mundo através de fatos e personagens plenos de alegoria, ricos em sentidos outros, furtará do ser a eternidade e a multiplicidade, instaurando uma visão de mundo unívoca, que se cristalizará com o apogeu do racionalismo, nos meados da idade moderna. Por falar em ser, é bom afirmar a dificuldade de se conceituá-lo devido à premência de apenas se poder pensá-lo e percebê-lo a partir, tão somente, de sua própria constatação. Refletir sobre o ser levando-se em consideração o não-ser, o jamais experimentado por nenhum ente, torna-se absolutamente inviável.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A hierofania, isto é, o caráter sagrado e extático (de êxtase) não do divino, mas do sensível e humano, permeará todos os ensaios deste livro de Ronaldes de Melo e Souza. O autor, ao contestar o antropocentrismo – que se inicia com Sócrates, continua em Platão e culminará com a filosofia de Aristóteles –, privilegia os filósofos erroneamente conhecidos como pré-socráticos, cujo pensar mítico se entremeia à razão e possibilita maior justeza à multiplicidade do ser, visão de mundo e da vida a partir do polissêmico, significando que nascimento e morte, ser e não-ser são unos e indissolúveis, não tornando o ser eterno, mas insistindo na eternidade do devir. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Ensaios de poética e hermenêutica&lt;/i&gt;, livro composto por nove ensaios, se estende em grande parte pela literatura e pensamento ocidentais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O primeiro, “A forma ficcional do monodiálogo”, apresenta o drama do personagem cindido em polêmica consigo mesmo. Partindo de Homero, passando por Eurípedes, Virgílio, até chegar em Shakespeare, o texto conclui que a “identidade não se divorcia jamais da alteridade”. No segundo, “Poética da narrativa de primeira pessoa”, o autor demonstrará como uma narrativa na voz do próprio protagonista se torna literária, trazendo como exemplo, sobretudo, a Odisséia, de Homero. O ensaio, entre outros exemplos, não deixa à margem &lt;i&gt;A Divina Comédia&lt;/i&gt;, de Dante, &lt;i&gt;David Copperfield&lt;/i&gt;, de Dickens e &lt;i&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/i&gt;, de Machado de Assis. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O terceiro, um dos ensaios de maior importância ao meu ver, tem como título: “A atualidade da tragédia grega”. O texto, tomando como base teórica “a descontrução höldeliniana e nietzschiana da metafísica”, desautoriza a tradição filosófica como estabelecedora da episteme, para transferir tal missão à tradição poética. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em “A poética rilkiana da existência”, é possível observar como o autor de &lt;i&gt;Sonetos a Orfeu&lt;/i&gt; transmuta, na sua obra poética, vida e morte de polos opostos a polos complementares da existência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“O corpo de baile da linguagem e da vida” remonta, mais uma vez, à origem do mundo clássico, a Grécia, demonstrando a indivisibilidade entre música e linguagem e concebendo ambas como a expressão da vida em si mesma. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O sexto ensaio, importante para a compreensão da lírica moderna, discute “o intercâmbio dialógico da poesia e da filosofia no idealismo alemão vinculado à escola de Jena”, tendo o filósofo Fichte como interlocutor entre poetas e pensadores com seu idealismo crítico. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O sétimo e oitavo ensaios focalizam a literatura brasileira. O primeiro deles, “Agonia e morte em Autran Dourado”, aponta a obra do autor mineiro como teleotanática – “o drama agônico da vida sempre se representa como trama da morte.” Em “A ficção dramática de Graciliano Ramos”, observamos narrador e eventos completamente distanciados, estando este narrador mais para ator, que representa o seu papel, do que para um “eu” vitimizado, que estaria a narrar a própria história. O narrador de &lt;i&gt;Memórias do cárcere&lt;/i&gt; se apresenta na posição de um “eu” coletivo, apontando e incluindo-se nas mazelas a que todos estão submetidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O último ensaio, “A hermenêutica de Gadamer”, questiona “a pretensão da epistemologia em se impor como modelo exclusivo de legitimação do verdadeiro conhecimento”. &lt;i&gt;Princípios fundamentais de uma hermenêutica filosófica&lt;/i&gt;, subtítulo do trabalho de Gadamer, enunciado aparentemente paradoxal, aponta a fragilidade do método cartesiano ao determinar a verdade, tendo como implicações a impossibilidade da descrição objetiva de qualquer objeto, levando-se em consideração que há sempre um sujeito por trás de qualquer enunciado, o que revela o caráter falacioso do método.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Todos estes ensaios de Ronaldes de Melo e Souza tem um fio que os atravessa e mostra a preocupação do analista literário e do filósofo: a cristalização da espisteme como norma furtaria o caráter morfogenético da cultura. Ao seguir os passos dos poetas, deixando à deriva a tradição epistemológica, o professor da UFRJ aponta que, através da literatura, pode-se descobrir a força geradora da vida e que os contrários não necessariamente precisam estar em lados opostos, mas na maioria das vezes são complementares.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É digna de nota a preocupação do professor em tornar pesquisa de tal envergadura e erudição acessível a quem se mostra interessado pela crítica da cultura, público este que, muitas vezes, se apresenta &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;também numeroso fora dos muros universitários. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;img src="http://www.oficinaraquel.com/arquivos/caparonaldes.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Ensaios de poética e hermenêutica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ronaldes de Melo e Souza&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Série academia – Ed. Oficina Raquel&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7268509272181422120?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7268509272181422120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7268509272181422120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7268509272181422120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7268509272181422120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/09/resenha-do-livro-ensaios-de-poetica-e.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-8983240383803757096</id><published>2011-08-16T17:06:00.000-03:00</published><updated>2011-08-16T17:06:01.388-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-2HvJZEY03rw/TkrLzGp9PgI/AAAAAAAAACc/2c1WdiXSamY/s1600/o-escritor-foi-exilado-do-haiti-na-decada-de-70-durante-a-ditadura-de-ba.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="199" naa="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-2HvJZEY03rw/TkrLzGp9PgI/AAAAAAAAACc/2c1WdiXSamY/s320/o-escritor-foi-exilado-do-haiti-na-decada-de-70-durante-a-ditadura-de-ba.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Jornalista haitiano lança ficção sobre seu exílio durante a ditadura de Baby Doc&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Jornal do Brasil - Haron Gamal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada melhor do que uma ilha do Caribe, que só não foi esquecida devido às várias tragédias recentes, para fazer refletir sobre o hibridismo cultural de nosso tempo. Sobretudo se essa ilha-país obrigou os seus filhos – escritores, jornalistas e intelectuais – a partirem para o exílio num passado não muito distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida em terra estrangeira, ao mesmo tempo em que provoca o distanciamento geográfico do exilado em relação ao seu local de origem, permite sua aproximação à cultura “perdida”, através da imaginação e do pensamento. Volta-se de modo mais intenso à infância, às lembranças queridas, aos amigos que ficaram. É o que acontece com a prosa de Dany Laferrière, em País sem chapéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que o livro seja uma espécie de “em busca do tempo perdido” no universo haitiano. Mas a reflexão de um homem que retorna ao seu país vinte anos depois de ter partido, redescobrindo em cada objeto uma espécie de sabor primitivo que mesmo a passagem do tempo e a convivência com os costumes adquiridos, na sua peregrinação pelo mundo, não conseguiram fazer esquecer. Ainda que os problemas de seu país natal tenham se multiplicado por dez e o sofrimento seja tamanho a ponto de ele dizer que no Haiti todos estão mortos, como afirma ao explicar o porquê do nome do livro: “país sem chapéu, é assim que se chama o lado de lá no Haiti, porque nunca ninguém foi enterrado com o seu chapéu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laferrière, nascido em 1953, foi obrigado deixar o Haiti, aos 23 anos de idade – exercia a profissão de jornalista – e exilar-se no Canadá, devido à ditadura de Duvalier (Baby Doc, 1971-86). Caminho semelhante já havia trilhado seu pai, também exilado, mas por Duvalier pai (Papa Doc, 1957-71). Essas passagens são muito bem retratadas no livro, que, apesar de se dizer ficção, tem muitos trechos com experiências da vida do próprio autor: “Aos dezenove anos, tornei-me jornalista, em plena ditadura dos Duvalier. Meu pai, também jornalista, foi expulso do país por François Duvalier. O filho deste, Jean Claude, levou-me ao exílio. Pai e filho, presidentes. Pai e filho, exilados. Mesmo destino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho pungente acrescenta-se quando o narrador relembra a fala de seu pai, procurado por ele uma única vez na vida, no Brooklin, em Nova York: “– Quem está aí? – Teu filho – respondi. – Não tenho filhos, todos os meus filhos morreram. – Sou eu, pai, vim ver você. – Volte para o lugar de onde veio, todos os meus filhos morreram no Haiti. – Mas eu estou vivo, pai. – Não, só há mortos no Haiti, mortos ou zumbis.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura híbrida, ou anfíbia, caracteriza-se pelo desenraizamento ora geográfico, ora cultural, ora provocado pela loucura. E essa questão é urgente na narrativa de País sem chapéu. O autor, que pinta com cores fortes o país sonhado, não esquece de mostrar uma legião de deserdados, mais mortos do que vivos, no país real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dany Laferrière surge como escritor propriamente no exterior. Expressa-se numa língua que não é a sua (a língua materna do autor é o créole), e vive num país estrangeiro. Momento certo para descobrir que a escrita seria a única forma de o manter vivo, de manter viva a cultura de onde viera, de mostrar que vida pode significar o registro do amor e da dor, e a morte pode ser o completo esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o que são países, como o Haiti, com homens e mulheres oriundos da África e destinados a serem escravos no ocidente, que serviram como força de trabalho para que potências europeias promovessem a exploração e o colonialismo para depois abandoná- los ao deus-dará no momento em que tal empreitada já não era lucrativa? Ainda assim a herança deixada no país pela França serve como instrumento de inserção cultural no mundo “civilizado”, uma tentativa empreendida pelos intelectuais haitianos de resgatar, igual por igual, o que lhes foi tirado. A escrita em francês de Dany Laferrière não seria uma opção pela francofonia, pois essa palavra tem raízes políticas (como diz o autor), mas um modo de afirmar que a língua absorvida pelo colonizado tem, muitas vezes, o vigor primitivo que a do colonizador já não possui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o narrador, neste retorno, reconheça o seu país, seu olhar é cindido, percebe que algo se rompeu, sente-se como se já não fizesse parte daquela paisagem humana. Assim pode observar melhor e tirar suas conclusões quase como um estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior marca de hibridismo cultural que esse livro comporta acontece, ao meu ver, na simbologia entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Um personagem pergunta ao autor-narrador: “Desculpe a franqueza, mas gostaria de saber como o senhor pode escrever sobre os mortos se nunca morreu.” A mesma experiência de Ulisses (este também só retornou à sua ilha vinte anos depois) ao visitar o Hades e de lá voltar vivo, o narrador vivenciará, agora com o objetivo de restaurar a antiga cultura que os primeiros negros haitianos trouxeram da África, escrevê-la, para que, recuperando-a, talvez seja capaz de aproximar dos deuses um povo que não pode perder o seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-8983240383803757096?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/8983240383803757096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=8983240383803757096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8983240383803757096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8983240383803757096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/08/jornalista-haitiano-lanca-ficcao-sobre.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-2HvJZEY03rw/TkrLzGp9PgI/AAAAAAAAACc/2c1WdiXSamY/s72-c/o-escritor-foi-exilado-do-haiti-na-decada-de-70-durante-a-ditadura-de-ba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-578891228177358390</id><published>2011-08-02T18:10:00.000-03:00</published><updated>2011-08-02T18:10:15.783-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Resenha de: O impostor, Damon Galgut&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Haron Gamal - Jornal do Brasil&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damon Galgut, nascido em 1963, é escritor sul-africano de língua inglesa. Lançou seu primeiro livro, Sinless season, em 1984, mas tornou-se conhecido internacionalmente apenas em 2003 com o romance The good doctor, traduzido para o português pela Companhia das Letras como O bom médico. Ambientada no pós-Apartheid, a narrativa explora, num hospital de interior, a constrangedora amizade entre dois homens muito diferentes. Com esse livro, ele ganhou o Commonwealth Writers Prize de 2003 (melhor livro para a região da África), e foi finalista do Man Booker Prize (também em 2003) para ficção, e em 2005 do International Dublin Literary Award. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impostor foi publicado em 2008 e é o segundo livro do autor traduzido para o português. Como The good doctor, também reflete as violentas tensões que permeiam o país após o longo período de segregação racial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Galgut é escritor de origem europeia, mas descreve com detalhes a exploração e ganância tanto dos brancos como dos negros numa África do Sul em que todos querem levar a maior fatia de lucro, tudo mascarado por um falso desenvolvimentismo, que não perdoa nem a natureza nem as obras arquitetônicas remanescentes dos séculos anteriores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro começa numa estrada, com uma cena muito familiar aos leitores brasileiros. Um policial escondido atrás de uma árvore multa um motorista que cometera uma infração de trânsito. Mas logo se percebe que o objetivo é outro. Por um quarto do valor da multa, o agente da lei diz: “podemos esquecer todo esse problema.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão vai muito além de um simples caso de corrupção policial. Adam, perdido o emprego e desiludido com o insensível progressismo de seu país, está deixando a cidade grande. Dirige-se ao interior, onde pretende construir uma nova vida. Ao mesmo tempo, deseja voltar a escrever, já que na juventude lançara um livro de poemas bem recebido pela crítica. Vamos testemunhar, daí para frente, um dos pontos que estará presente em todo o romance: o embate entre a sensibilidade e um pragmatismo desenfreado – alguém que busca na poesia um modo de fugir do salve-se quem puder econômico que vigora no país. Em contraponto, seu irmão Gavin, extremamente materialista e engajado em empreendimentos nem sempre éticos, insiste para que ele procure outro emprego e leve uma vida comum, como as outras pessoas. A mulher de Gavin, Charmaine, transita entre o conforto proporcionado pelo marido e um quê de misticismo, incluindo visões, leituras de aura e sensitismo para energias tanto positivas como negativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se estabelecer no lugarejo almejado, Adam mora numa casa que simboliza a derrota do homem na luta contra as forças inóspitas da natureza. As ervas daninhas, sempre mais numerosas e presentes no quintal da casa, avançam continuamente apesar da luta constante do personagem contra elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois outros homens e uma mulher mudarão a vida do personagem. Um deles é um morador solitário. Adam se refere a ele como o homem do macacão azul, alguém que mora ao lado e pouco a pouco tenta uma infrutífera amizade com o recém-chegado. O outro é Canning, que se apresenta como seu ex-companheiro de escola dos tempos de adolescência, embora Adam não se lembre dele. Canning esbarra no amigo numa loja onde este fora comprar ferramentas para debelar as invencíveis ervas daninhas. Através do reestabelecimento da antiga amizade, Adan presenciará toda uma trama que envolve políticos, empresários, um imigrante mafioso do leste europeu, e até mesmo prostitutas. O título O impostor a princípio parece soar mal e apontar para uma narrativa de subliteratura, mas no final da narrativa percebe-se a sua justeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que muitas vezes se cobra de escritores como Damon Galgut, oriundo de países onde vigorou (e ainda vigora) intensa luta política, racial e étnica, é o engajamento do artista nas questões subjacentes a todo esse conflito. O autor, de certa forma, consegue cumprir o seu papel, mas não deixa de apresentar a intensa luta interior de personagens que gostariam de cultivar a própria subjetividade em meio ao rolo compressor das ideologias e das máquinas que avançam por todos os lados na construção de hotéis, suntuosos edifícios e campos de golfe para os ricos, ou em empreendimentos imobiliários enganosos e de terceira classe, onde jorra o dinheiro público e as conseqüências são as que estamos acostumados de longa data. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Galgut consegue se sair bem nesse embate entre o público e o privado, ressaltando quase sempre a lama que mancha esse privado, conquistado na maioria das vezes com uma robusta parcela do dinheiro público. O autor mostra que os ricos e os políticos parecem não se incomodar com todo esse lodaçal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto que merece destaque é o sentimento de culpa do qual Adam não consegue se libertar, apesar de suas atitudes sempre éticas. Talvez o autor queira nos dizer que o longo período de dominação e exploração empreendidas pelo colonizador europeu, no continente, criou raízes tão fortes que contaminou tanto os brancos descendentes como os nativos negros, e está muito distante o dia em que existirá algum tipo de perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-578891228177358390?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/578891228177358390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=578891228177358390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/578891228177358390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/578891228177358390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/08/resenha-de-o-impostor-damon-galgut.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-829777786783678642</id><published>2011-07-06T08:27:00.001-03:00</published><updated>2011-07-06T08:32:11.922-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XfblSurEvDw/ThRFbb0FFzI/AAAAAAAAACY/QnjWBZXmc2U/s1600/o+cronista.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-XfblSurEvDw/ThRFbb0FFzI/AAAAAAAAACY/QnjWBZXmc2U/s1600/o+cronista.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;O cronista&lt;/em&gt;, de&amp;nbsp;Bolívar Torres&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Jornal do Brasil - Haron Gamal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto torna-se literário, na maioria das vezes, ao refletir o estranhamento em que o ser humano se encontra. O ato de contar uma história não é necessariamente literatura. Mas quando nessa mesma história comparece algo inesperado, inusitado, quando essa estranheza torna-se contraponto e, a partir dela, se estabelece um outro texto, pleno de variantes e muitas vezes polissêmico, aí está a literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cronista, primeiro livro de Bolívar Torres, tem essa característica. São seis contos de extensão média, que prendem o leitor, sobretudo devido a soluções inesperadas para situações banais. É o que não nos deixa esquecer suas histórias. O autor além de, como todo aquele que se pretende a escritor, narrar e descrever situações diversas com muita habilidade, nos propõe personagens profundamente cindidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta capa do livro, alguns conhecidos especialistas em ficção elogiam em Bolívar o desconcerto que as situações, apesar de banais, apresentam. Flávio Braga chega a falar em Kafka e Nabokov. Estão corretos em suas avaliações. Mas há algo além. A originalidade do autor também está na construção desses personagens divididos, em conflito consigo mesmo, seres que, a todo momento, monologam nas entrelinhas, demonstrando a impossibilidade senão de uma ética, ao menos de uma inteireza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que se vá aqui retomar a tradição que a modernidade instaurou ao inaugurar o personagem fragmentado. A fragmentação do sujeito está presente na cultura ocidental desde a tradição helênica. Os personagens homéricos dialogam o tempo todo consigo mesmo, vivendo uma espécie de autopolêmica ao demonstrar a impossibilidade do sujeito ante o imponderável destino. Daí o conhecido culto à tragicidade. Como a cultura helênica não é unívoca, em Eurípedes, no entanto, o humano apresenta-se como insurgente ante a inexorabilidade da existência. O autor de Medeia irá mais longe ao retratar o herói na tentativa de deixar essa subserviência. O herói euripidiano quer, desesperadamente, transformar-se em senhor do próprio destino. Não é à toa que Eurípides tornou-se um desconforto dentro da tradição clássica (quase apolínea), tradição esta submissa a inexorável moira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contos de O cronista esbarram nessas características insurgentes. São homens e mulheres que não desejam submeter-se. Mas, devido à intensa luta interior, acabam profundamente marcados. É impossível ver neles algum tipo de vitória. Sobressaem-se com mais destaque as cicatrizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Aborto”, primeiro conto do livro, acompanhamos uma adolescente levada pela mãe a uma clínica onde fará a asséptica cirurgia que a livrará da gravidez indesejada. Mas a tal gravidez incomoda mais a mãe do que a ela. A jovem apaga ao ser anestesiada e sonha com a prima a lhe oferecer um berço que flutua numa pequena lagoa. Maria, assim chama-se a personagem, tenta chegar ao bebê, mas a corrente de água é mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “O Cronista”, conto que dá título ao livro, um famoso colunista social frequenta festas de casamento povoadas por “famílias” bem sucedidas que desejam aparecer nas suas páginas festivas. Mas o personagem pede licença para ir ao toalete, e lá, devido à urina empedrada, sua diante do mictório. Urina e toalete acabam metáfora da hipócrita vida social para a qual ele precisa sorrir e da qual não consegue se livrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Debutantes” focaliza o mundo festivo das patricinhas prestes a estrear na vida social. São tutoradas por senhoras tipo a tal Meneghetti, sempre a lhes lembrar que o sucesso depende delas e que um futuro cor de rosa as aguarda, basta que não desistam. Numa espécie de “country club”, experimentam o vestido da futura festa e agrupam-se para tirar fotos. Mas a pseudoplasticidade da imagem juvenil é maculada por duas jovens: uma se sente estranha e tenta escapar à artificialidade reinante correndo através do clube; a outra foge para fumar maconha e diz à primeira já ter lido Nietsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Homem de Jaqueta”, ao contrário da beleza resplandecente da alta sociedade, retrata a vida dos motoristas e cobradores de ônibus. Num final de domingo, durante a última viagem, enquanto seu time está perdendo, um cobrador luta para conter a ansiedade de chegar em casa para comer um bife preparado pela esposa que o aguarda, enquanto observa um passageiro desfocado, diferente dos outros, o próprio homem de jaqueta. De quem é a distorção, do cobrador que tem como perspectiva apenas o estômago e vê as cores do domingo se esvaindo ou do assustado personagem que irrompe ônibus adentro e salta no ponto final para desaparecer misterioso dentro da noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estrada do Mar” narra a viagem de um bem sucedido empresário no seu automóvel através do Rio Grande do Sul. Ele vê uma jovem à beira da rodovia, para o automóvel e lhe oferece carona. Daí em diante, numa rememoração proustiana, vai viver sentimentos que transitam entre o êxtase e o nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último conto, “Dona Eva”, uma senhora idosa, mostra um álbum que retrata toda a sua vida a uma criança cujos pais a visitam com o objetivo de ver o terreno que está à venda. Ele, o menino que a escuta e ainda não tem dez anos, virá a se tornar o narrador da trágica história desta mulher, uma colecionadora de perdas. O álbum apresenta o diálogo entre razão e paixão, mostrando que as pessoas são impotentes diante da ameaça de arrebatamento a que sempre estão sujeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, chegamos à conclusão de que se ao ser humano não é permitido aproximar-se dos deuses, como já tinham constatado os gregos da antiguidade, ao menos lhe será tolerado experimentar – ainda que apenas através da literatura – algum tipo de imortalidade. Então, ao cronista e a seu fotógrafo, não caberia a missão de retratar as festas dos novos ricos e a destreza destes no mercado financeiro, mas a resistência humana, tendo como espelho a arte, ainda que fugaz, eterna enquanto dure. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parodiando a frase presente no final da página em que aparece a ficha catalográfica desta bela edição de capa dura e com criativas gravuras de Carolina Veiga: que a literatura dure até antes do fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O cronista, de Bolívar Torres. Editora Oficina Raquel. Páginas: 115. R$ 35.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-829777786783678642?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/829777786783678642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=829777786783678642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/829777786783678642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/829777786783678642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/07/o-cronista-de-torres-um-texto-torna-se.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-XfblSurEvDw/ThRFbb0FFzI/AAAAAAAAACY/QnjWBZXmc2U/s72-c/o+cronista.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3072374345038595876</id><published>2011-06-23T05:28:00.009-03:00</published><updated>2011-06-23T06:07:04.362-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;Quem não quer ver um político corrupto "voar" pelos ares?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em &lt;em&gt;Todo terrorista é sentimental&lt;/em&gt;, livro de estreia do jornalista Márcio Menezes, dois amigos, indignados com o traiçoeiro sistema político, decidem fazer justiça com as próprias mãos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal do Brasil - Haron Gamal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre determinados livros, não se deveriam escrever resenhas. Não pelo fato de serem maus e não merecerem justa apreciação. Mas porque perderia alguma graça falar sobre eles. Todo terrorista é sentimental, de Márcio Menezes, é um livro desse tipo. Qualquer comentário mais extenso pode colocar a perder a boa leitura. Mas o que se há de fazer? Vamos com cuidado, tocando num ponto ou noutro e tentando manter a curiosidade pela leitura, não da resenha mas do próprio romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa é ambientada na década de 90 do século passado. Dois amigos, estudantes de jornalismo, sentem-se indignados quando uma vendedora de biscoitos tem um enfarte e morre em seus braços. Os dois, no entanto, não demoram a descobrir que a causa da morte da mulher é outra, fruto do “Escândalo da Amarelinha, caso em que a máfia dos laboratórios revendia ao Estado remédios falsificados por preços acessíveis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão envolvidos um deputado federal e alguns vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Uma vez que estamos num período em que as pessoas se indignam mas não tomam atitude alguma e as CPIs nunca dão em nada, Gonzáles e Cito, os dois amigos, decidem fazer justiça com as próprias mãos. Criam uma organização cujo nome é: Comando Terrorista Anticorrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vamos dizer que se trata de romantismo adolescente ou juvenil. O tal comando vai se municiar de muita dinamite. Quase ao acaso, seus dois únicos integrantes (ao menos no início, porque depois se juntará a eles uma mulher fatal) travam relações com dois veteranos do ETA, um vive clandestinamente no Rio de Janeiro, o outro está apenas de passagem. Eles tornam-se úteis ao Comando, sobretudo quando a necessidade é o conhecimento e manuseio de explosivos. Acabam colaborando sem segundas intenções, e até mesmo ignorando o que os jovens almejam. A partir daí, nos tornamos todos terroristas. Quem não quer ver um político corrupto "voar" pelos ares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito corajoso o escritor ao discutir a questão do terrorismo num período pós-11 de Setembro. É digna de louvor a iniciativa da editora Record, que possibilitou a publicação. Habitássemos um país de caça às bruxas, dir-se-ia que o romance faz apologia à luta armada. Mas nada disso. A literatura não tem esse poder e, ao mesmo tempo, não pode negligenciar qualquer assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance é composto de prólogo e três partes. Ambientado no Rio de janeiro, em sua maior parte nos bairros de Botafogo, Ipanema, Leblon e Gávea, onde seus personagens transitam entre bebedeiras, sexo, drogas, muito rock’n’roll, alguns clássicos da MPB, jazz e também Chico Science.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfilam mulheres esculturais, gays, lésbicas, um policial corrupto e trupes de teatro. Não faltam cenas vividas nos bares do baixo Gávea e filmes do circuito Estação. O futebol também dá o ar de sua graça com jogos do Botafogo no Maracanã, já que os dois protagonistas são botafoguenses doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando em primeira pessoa, o narrador, ao antecipar alguns acontecimentos, cria um artifício que faz o leitor não querer abandonar o livro. No final, ao se descobrir onde esse narrador se encontra, percebe-se, porém, um ligeiro problema. Ele, por pelo menos duas vezes, não poderia saber, num espaço tão curto de tempo, tanta coisa que não presenciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intromissão de Crime e castigo, de Dostoievski, lido pelo personagem Cito e base teórica da ação do Comando, também é problemática, porque ao leitor que não conhece a obra do escritor russo fica a impressão errônea de que ele incentiva o terror. Como, no entanto, a literatura não tem grandes compromissos com a realidade, pode-se olhar tudo como farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser o primeiro romance de Márcio Menezes, o livro tem grandes chances de se tornar um best-seller. Surpreende que as livrarias não o apresentem nos estandes de entrada nem a editora se preocupe em fazer uma divulgação mais intensa da obra. Afinal, quem tem medo da literatura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QLJJ5IEXf6Q/TgMBJ-KsPrI/AAAAAAAAACU/QMxej5A2ZnA/s1600/M%25C3%25A1rcio+Menezes.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" i$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-QLJJ5IEXf6Q/TgMBJ-KsPrI/AAAAAAAAACU/QMxej5A2ZnA/s1600/M%25C3%25A1rcio+Menezes.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todo terrorista é sentimental&lt;/em&gt;, de Márcio Menezes. Grupo Editorial Record. 352 páginas. R$ 42,90.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3072374345038595876?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3072374345038595876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3072374345038595876' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3072374345038595876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3072374345038595876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/06/quem-nao-quer-ver-um-politico-corrupto.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-QLJJ5IEXf6Q/TgMBJ-KsPrI/AAAAAAAAACU/QMxej5A2ZnA/s72-c/M%25C3%25A1rcio+Menezes.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3538010796747687192</id><published>2011-06-06T08:11:00.004-03:00</published><updated>2011-06-06T16:37:39.888-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-V8qMbXKJlAo/Te0rnremTlI/AAAAAAAAACQ/u3HshJYeOWo/s1600/Pessoa.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615192271086833234" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-V8qMbXKJlAo/Te0rnremTlI/AAAAAAAAACQ/u3HshJYeOWo/s320/Pessoa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Pessoa, (quase) por ele mesmo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Na extensa biografia do poeta português, o autor pernambucano João Paulo Cavalcanti Filho deixa o escritor falar, citando frases ditas por ele e imitando o estilo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Haron Gamal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever uma biografia envolve sérios riscos. O primeiro deles é a demasiada paixão pelo biografado, a ponto de fazer o pesquisador não se reservar o direito a certo distanciamento crítico. O segundo é que, na maioria das vezes, é preciso tomar decisões sobre o caminho a seguir, uma vez que ao biógrafo não são oferecidas as margens plácidas da neutralidade. João Paulo Cavalcanti Filho, ao escrever o extenso livro Fernando Pessoa – Uma quase autobiografia, conseguiu sair ileso de ambos os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o que tenha de mais original – e que deve ser elogiado – nesta nova biografia sobre o autor de Mensagem é a inserção de escritos de sua própria lavra, fazendo o livro parecer, como ressalta o subtítulo, “uma quase autobiografia”, permissões, quem sabe, da pós-modernidade. Cavalcanti deixa o escritor falar, e nos alerta: “Este livro, pois, não é o que Pessoa disse, ao tempo em que o disse; é o que quero dizer por palavras dele. Com aspas é ele, sem aspas sou eu”. E segue a obra. João Paulo confessa que constrói períodos com estrutura parecida aos do poeta, com o objetivo de imitar-lhe o estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O biógrafo pernambucano demonstra ter feito vasta pesquisa não apenas bibliográfica, mas saiu a campo, como se pode observar nos minuciosos relatos sobre os lugares onde Pessoa viveu e transitou. Remanescentes que presenciaram os últimos anos do autor, sobretudo descendentes de seus tios, irmãos e amigos próximos, foram entrevistados, com o objetivo de se chegar sempre mais perto de sua figura e da Lisboa em que viveu. Mas percebe-se que Pessoa é sempre fugidio. O melhor dele ainda está na própria obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários – Fernando Pessoa, segundo a obra, teve 127 heterônimosO detalhado livro é dividido em quatro partes, nomeadas atos, como no teatro: Em que se conta dos seus primeiros passos e caminhos; Em que se conta da arte de fingir e de seus heterônimos; Em que se conta de seus muitos gostos e ofícios; Em que se conta do desassossego e do seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira parte, os fatos mais importantes na vida do futuro poeta são as marcas deixadas pela perda do pai e da pátria, com ele ainda criança. O novo casamento da mãe com um homem que assumiria na África do Sul a função de cônsul interino de Portugal obriga a família a viajar para longe, fixando-se no continente africano (África branca, como diz Cavalcanti Filho). Fernando Pessoa vive por lá o restante de sua infância e parte da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica para trás Lisboa, uma espécie de paraíso perdido, e aflora a saudade, tema sempre presente na poesia portuguesa e em muitos dos poemas do autor: “Nunca voltarei./ Nunca voltarei porque nunca se volta. / O lugar a que se volta é sempre outro”. Nessa primeira parte também somos apresentados a Ophelia Queiroz, sua eterna namorada. Ela sempre teve esperança de se casar com o poeta, mas a aliança não se concretizou. A amizade com Mário de Sá-Carneiro também lhe é marcante, “seria a mais sólida e duradoura amizade, a única a que verdadeiramente se entregaria”. O suicídio de Mário em Paris, em 1916, o afeta profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marca maior de originalidade em Fernando Pessoa é a criação dos heterônimos, tema estudado no segundo ato. Seu mais recente biógrafo chega a enumerar 127 deles, fazendo um levantamento do que escreveram e de suas biografias (quando tiveram).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lógico que os de obras e biografias mais extensas são a de Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Alexander Search, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Mas há também heterônimos que só escreveram um fragmento de texto, ou mesmo alguns que são apenas citados mas nada escreveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia apenas planos para eles nos escritos deixados pelo poeta. Estes últimos não são contabilizados. Fernando Pessoa, ele mesmo, também é tratado como um heterônimo. “Você, quando escreveu em seu próprio nome, não foi menos heterônimo como qualquer um deles”, disse, numa ocasião, Jorge de Sena. Talvez muita gente não saiba, mas nos encontros com Ophelia, com outros escritores e com amigos mais próximos, o poeta muitas vezes se apresentava como Álvaro de Campos, ou mesmo como algum outro heterônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um capítulo de destaque ainda na segunda parte é O poeta é um fingidor. No trecho, o autor discorre sobre as características da obra de Pessoa, como a precisão da linguagem, o rigor da forma, a ironia, o discurso de contradições, o uso do oxímoro, e a arte de fingir como estética, o que permitiu a existência de tantos heterônimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo As revistas, é descrita a participação de Pessoa nas revistas literárias, já que ele publicou mais nesses periódicos do que em livro durante toda a vida. Também é contada em pormenores a história da principal revista que mudou o destino da literatura portuguesa no século 20, a Orpheu, com apenas três números, mas o suficiente para fazer história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O périplo do livro Mensagem, o único em português publicado em vida por Fernando Pessoa, também é narrado em capítulo à parte, ressaltando-se o concurso em que obteve um segundo lugar, na verdade arranjado por Antonio Ferro, seu amigo e um dos responsáveis pela disputa. Ferro abriu uma brecha no regulamento para criar uma espécie de segundo prêmio na categoria poesia. Assim, Pessoa pode ser contemplado, já que os jurados, numa postura pró-Salazar, não optaram em lhe dar o prêmio. Hoje se sabe que ele, naquele tempo, mudara sua postura e passara a atacar o ditador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Paulo Cavalcanti Filho procura investigar a vida, a obra e a morte de Fernando Pessoa por todos os ângulos. Explora desde o suposto homossexualismo, do qual discorda, até suas dificuldades, a caótica vida financeira. Não foge também da questão do alcoolismo, sob o qual viveu Pessoa até o fim da vida, e investiga os últimos dias do poeta e as causas de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa, é bom ressaltar, não viveu de literatura, foi uma espécie de tradutor comercial, e morreu pobre. Foram poucos os acadêmicos de seu tempo que deram o devido valor que sua obra merecia. Após a morte, tornou-se reconhecido e estudado, tendo hoje praticamente toda a sua obra publicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante é que Cavalcanti Filho, apesar de ser escritor e de escrever sobre um dos maiores poetas da literatura em língua portuguesa, não é da área de letras, mas advogado. Portanto, percebe-se que a poesia maior consegue romper o círculo dos professores e estudantes de literatura e chegar a pessoas de outros interesses profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa – Quase uma autobiografia, de José Paulo Cavalcanti Filho. Editora Record, 736 páginas. R$ 79,90. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3538010796747687192?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3538010796747687192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3538010796747687192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3538010796747687192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3538010796747687192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/06/pessoa-quase-por-ele-mesmo-na-extensa.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-V8qMbXKJlAo/Te0rnremTlI/AAAAAAAAACQ/u3HshJYeOWo/s72-c/Pessoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-817911070138683933</id><published>2011-05-15T16:08:00.004-03:00</published><updated>2011-05-15T16:33:59.140-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-2VDbSaQiICM/TdAofAXXyRI/AAAAAAAAACE/gA7izWbAHRs/s1600/Schnitzler.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607026049215351058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-2VDbSaQiICM/TdAofAXXyRI/AAAAAAAAACE/gA7izWbAHRs/s320/Schnitzler.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"O irmão gêmeo de Sigmund Freud"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A burguesia alemã da primeira metade do século 20, caso espelhada no doutor Gräsler, protagonista de &lt;em&gt;O médico das termas&lt;/em&gt;, bem que mereceu o destino que lhe veio bater à porta. Arthur Schnitzler (1862-1931), que já apareceu traduzido outras vezes para o português, como em &lt;em&gt;Crônica de uma vida de mulher&lt;/em&gt;, mais uma vez brinda o leitor com uma novela em que através de apurada análise psicológica desvenda as mais sutis características da alma humana. O autor vienense chegou a ser chamado de irmão gêmeo de Sigmund Freud. Se em &lt;em&gt;Crônica&lt;/em&gt; ele centrou a vida europeia no universo feminino através de Therese Fabiani, neste último ele apresenta uma narrativa sob a ótica masculina, e sob a máscara de um médico, Emil Gräsler, alguém sempre invejado e, teoricamente, pleno de respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto começa com um navio prestes a zarpar, o que não deixa de ser um indício sintomático do comportamento volúvel do próprio doutor Gräsler, alguém sempre à beira de tomar uma decisão que é adiada continuamente, até ser atropelado pelos acontecimentos e perder o domínio do seu próprio destino. Isso acontece durante toda a narrativa, começando por sua partida de uma estação de veraneio, onde atuava como médico de um hotel, até o final, quando, depois de um ano de titubeios e incertezas, de três mulheres que lhe passam pelas mãos, está de novo a chegar ao lugar de onde partira. Na verdade, uma história circular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no início, o gerente do hotel está no cais a se despedir do médico, agradece-lhe efusivamente a presença, lamenta a morte da irmã – sim, o doutor Gräsler tinha uma irmã, que também era sua governanta, mas ela se suicida misteriosamente na estação de veraneio, lá pelo final descobrem-se os motivos – a e a dizer que, ansioso, o espera para a temporada do próximo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico passa por Berlim e retorna à pequena cidade onde costumava exercer sua clínica médica durante o restante do ano. O que mais faz, no entanto, é levar uma vida de &lt;em&gt;bon vivant&lt;/em&gt;, almoçando, fumando charutos caros e debatendo futilidades com os amigos da mesma espécie. Ele, que está à beira dos cinquenta anos, nunca atendeu nenhum caso mais sério no seu consultório de província. Até que lhe esbarra pelo caminho Sabine, uma jovem mulher muito culta, de 26 anos e bem mais madura do que ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela procura-o devido a uma indisposição sofrida pela mãe. Com o correr do tempo, o médico, muito espertamente, passa-lhe a frequentar a casa. O pretexto para tais visitas é que ele deseja informações sobre o estado de saúde da senhora sua mãe. A família trata-o bem, e é composta pelo pai, que foi cantor de ópera, tendo deixado a profissão por motivos de saúde, a mãe, Sabine, que estudou teatro mas tem queda pela enfermagem, e o irmão, ainda um jovem estudante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Gräsler torna-se íntimo de todos e passa até mesmo a participar dos almoços de domingo. Após as refeições, passeia com Sabine pela floresta que há nas redondezas, já que a casa onde a família mora é a da antiga guarda florestal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aproxima-se o momento em que o doutor terá de tomar uma decisão, tanto profissional como sentimental. E decisões não é o seu forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No comportamento com as mulheres é que se pode notar o caráter mesquinho do médico. Sabine chega a se oferecer a ele em casamento. Tudo que ela deseja é que o doutor adquira um hospital decadente, reforme-o e se torne o médico responsável. Ela oferece ainda o dinheiro para a compra e para as obras, caso ele não o possua e, com o intuito de ajudá-lo, propõe ser a administradora. Mas Gräsler é um covarde, a pecha de médico de termas nunca há de desgrudar-lhe. Parte para Berlim alegando ter de resolver problemas relativos ao testamento da irmã, pede um tempo para responder às propostas de Sabine. Demora a decidir. Enquanto isso, na cidade grande, cai de amores por uma outra mulher, Katharina, balconista de uma loja de luvas. Convida-a para o teatro, presenteia-a com chocolates e algumas jóias, leva-a, enfim, para morar em sua casa enquanto ele pensa no que vai fazer da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa de Arthur Schnitzler é leve, irônica e vai-se realizando em ordem cronológica. É desenvolvida apenas a partir de um núcleo, o da vida do médico das termas, e progride de acordo com suas andanças, por isso melhor chamá-la de novela. Há mergulhos no passado quando o protagonista desvenda, através da descoberta de um pacote de cartas, a vida pregressa e secreta da irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor vienense apresenta-nos um personagem que, apesar de médico, em momento algum deixa de se colocar em primeiro plano, sente-se sempre injustiçado, vítima do destino, não repara que pessoas como ele, Gräsler, ao negligenciar pequenas decisões, negligenciam o papel que deveriam assumir na vida coletiva. A Europa fervilha à sua volta, e a própria febre que vez ou outra ele tenta debelar nos seus pacientes é, na verdade, a febre que consome todo um continente. Apenas ele não a percebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O médico das termas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Arthur Schnitzler (tradução - Marcelo Backes)&lt;br /&gt;Ed. Record&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-817911070138683933?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/817911070138683933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=817911070138683933' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/817911070138683933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/817911070138683933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/05/o-irmao-gemeo-de-sigmund-freud.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-2VDbSaQiICM/TdAofAXXyRI/AAAAAAAAACE/gA7izWbAHRs/s72-c/Schnitzler.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-62862915964239147</id><published>2011-04-29T18:25:00.003-03:00</published><updated>2011-04-30T12:26:53.345-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 20px; font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:16.0pt; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;color:black"&gt;Lúcia e o céu de diamantes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;color:black"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;color:black"&gt;Esses jovens executivos sabem tudo, ou pelo menos sabem fingir. É possível surpreendê-los, mas precisa-se de tirocínio. A palavra é tão antiga, que o processador aponta erro na grafia. Mas existe, e é assim a escrita. Eles, jovens de terno impecável, conhecem todos os indicadores financeiros, as estatísticas, os índices das bolsas de valores, o que está por vir e o que não está. Em nada lembram a antiga cartomante. Que também adivinhava mas tinha romantismo. Eles nos levam a bares de balcões prateados, mesas siderais, copos em forma de torpedo. Nos oferecem bebidas e cogumelos. Não os produzidos pela natureza, mas os das explosões. Fortes esses jovens, destruidoras suas bebidas. Um paradoxo, mas são elas que os mantêm vivos. Quanto ao amor? Talvez não seja essa a palavra, mas existe alguma coisa parecida. Não lhes bastam o corte do terno italiano nem os carros japoneses. Chegam, miram-nos, e lançam o dardo. Geralmente certeiros. Sabem sorrir, embora assépticos os sorrisos. Nenhum vírus. Mergulha-se em seu mundo, que não tem céu nem diamantes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;color:black"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; color:black"&gt;–&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;color:black"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; color:black"&gt;que saudade da Lucy, ela está morta. Ficamos apenas os dois, eu e meu jovem, mente brilhante do mercado de dados, homem arrasador, frações de segundo e milhões acariciam-lhes as mãos. Em que moeda? Basta escolher. Há de tudo, farta a cesta. Leva-me em seu carro. De fora, mesmo em movimento, parece que não vai com viva alma. Ele o dirige com arrojo, em pleno centro de São Paulo, mas tem o coração de um principiante. Sim, ao menos no amor, são garotos inexperientes. Trepam com as cifras do mercado, com o risco que sempre dobram, já com uma mulher... Bem, com uma mulher precisam de mais um reforço. Saltamos na garagem de um prédio de trinta andares, nos Jardins. Já bebemos todos os metais, metais azuis, verdes e vermelhos. Falta-nos o que caracteriza o humano: pele e músculos. Nossas roupas de fibra nos escondem. Subimos. O álcool já nos deixou lá em cima, mas ainda faltam os andares. O último é o dele, a cobertura, plataforma de lançamento, visão perfeita sobre a cidade-mundo que matou todos os cães. Sobre os outros prédios, agudas antenas inúteis levam bilhões em mercado futuríssimo, mas nenhuma esperança de mulher, nenhum verso de Camões. Cervantes e Shakespeare morreram, mas esses jovens nada sabem sobre isso. Acumula-se uma montanha de ouro, não há quem, no entanto, possa dizer o que fazer com ela, apenas sugere-se que se compre outra, e ainda outra, e mais outra. Mas voltemos à adrenalina, a todos os nossos ácidos. Ainda falta o último. Sempre estamos em busca do derradeiro. No nosso caso, o gozo sobre a mureta, com a cidade lá embaixo. Meu jovem executivo despe-me. Não o sabe fazer sem rasgar-me. Enfim, aponta-me uma pistola. Bela a arma, reluz quando a cidade espoca seus holofotes, astros trêmulos ante meu recente e audaz cavaleiro. Obriga-me a deitar sobre a mureta do trigésimo andar. Depois trepa e cavalga sobre o meu corpo. Onde vamos os dois? Deixo que me leve e que goze à beira do despenhadeiro. Gozo agora ou deixo para o momento em que estivermos bem próximos do chão, nossos corpos ainda a flutuar... no ácido e no ar? Oh, a morte, ou a proximidade dela, uma espécie de orgasmo. Tanto maior quanto mais alto o precipício.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-62862915964239147?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/62862915964239147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=62862915964239147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/62862915964239147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/62862915964239147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/04/lucia-e-o-ceu-de-diamantes-esses-jovens.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3883642032478586930</id><published>2011-04-17T11:48:00.010-03:00</published><updated>2011-04-17T12:30:20.146-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p align="justify" style="text-align: center;font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-align: center;font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;img src="http://www.clandestinoweb.com/images/stories/111AAANUOVOCLANDESTINO/LIBRI/andrea_frediani.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-align: center;font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;Aventura Religiosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;Andrea Frediani, em seu romance &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;i&gt;Jerusalém&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;, narra a primeira cruzada empreendida pela cristandade empenhada em recuperar a terra santa em poder dos árabes. O ano é de 1093. Aproveitando todos os recursos disponíveis à ficção, o autor coloca lado a lado personagens históricos e personagens fictícios. O resultado é bastante positivo. Também é boa a sua pesquisa sobre a geopolítica do início do segundo milênio, quando a Europa ainda engatinhava num precário equilíbrio, situação tanto mais conturbada quando se voltava para o oriente, sobretudo considerando-se as derrotas infligidas pelos turcos ao Império Bizantino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Para tornar a história ainda mais apimentada, Frediani remonta a um antigo manuscrito que sobreviveu a todas às intempéries vividas pelo povo judeu. O texto, passado de geração a geração, teria sido um diário escrito por Tiago, suposto irmão de Jesus Cristo e o herdeiro da igreja primitiva após o martírio. No romance, há interesse do papa em recuperar o documento – há notícias de que ele se encontra dentro da cidade sagrada, Jerusalém – pois revelaria verdades incômodas ao cristianismo, como sobre quem foram os verdadeiros responsáveis pela condenação e morte de Cristo. O manuscrito assinalaria ainda que o Cristo tal qual o conhecemos foi uma vitória das concepções religiosas de são Paulo, que atenuou em Jesus suas características mais judaicas, universalizando seu pensamento e levando-o para o mundo helênico. Mas, é lógico, esse manuscrito nada mais é do que um artifício literário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O romance ao mesmo tempo em que narra a preparação e execução da cruzada relata os pormenores dos conflitos de interesses entre os reinos do velho continente, Igreja e as ambições da então nobreza que se dispões a participar do evento. A mola mestra da mobilização é a possibilidade de maior enriquecimento proporcionado pelos possíveis tesouros que Jerusalém abriga. Os comandantes prometem a seus soldados maior parte no butim a partir do momento em que eles consigam vencer as muralhas da cidade sagrada. O objetivo religioso da cruzada, na verdade, era uma questão menor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Outro assunto bastante pertinente à época de hoje é o caráter tolerante da cultura árabe, sempre diminuída e negligenciada pelo ocidente, mas, aqui, valorizada pelo autor através da figura de um emir, Jamal. Utilizando argumentos sensatos, ele consegue explanar sobre a beleza e sabedoria existentes no Alcorão, um livro que, ainda segundo ele, incita à paz e à tolerância, mesmo num momento de guerra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Os judeus, sempre perseguidos e dizimados, ocupam boa parte da narrativa, tendo na sua sombra a pseudotolerância da Igreja Católica, que nunca os deixou de culpar pela morte de Cristo. Mas o livro tenta recuperar outra realidade. Duas irmãs, Sara e Rebeca, protagonizam essa aventura, sendo a segunda extremamente culta e capaz de sustentar acalorados debates tanto com os padres, com os árabes ou mesmo com os próprios rabinos. Ao mesmo tempo, ela acaba tornando-se uma das guardiãs do manuscrito de Tiago, que lhe chega às mãos através de um peregrino que vai à Mogúncia à procura de seu pai, um rabino na região do Reno. Após a morte deste, num extermínio executado por cristãos a caminho do Oriente, ela e a irmã são salvas por um cavaleiro até então desconhecido, fugindo a seguir para a Palestina e se estabelecendo no bairro judeu de Jerusalém. Na ocasião, a cidade sob domínio muçulmano, está quase com os cruzados às suas portas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O romance é dividido em quatro partes denominadas: Caminho, Assalto, Assédio e Conquista. O autor, especialista em história medieval, soube transformar o assunto em uma bela narrativa, que segue o esquema de romance de aventura. Os protagonistas são os personagens que na verdade não exercem papel determinante na História, mas suas condutas revelam uma ordem de valores que não frequentava a mesa da dominação vigente, tanto a exercida pela Igreja, como pelos reinos europeus. Embora a história seja escrita pelos vencedores, aqueles que não fizeram parte deste grupo contribuíram para mostrar que a verdade quase nunca está do lado do vencedor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Um episódio interessante ocorre quando um dos árabes negligencia o poder dos cruzados após a primeira tentativa de assalto, que se tornou frustrada. Jamal, que caíra antes como prisioneiros dos cristãos e fugira diz: “o que os torna perigosos é que eles nada têm a perder nem têm para onde voltar.” Tal passagem denuncia as cruzadas como movimentos de mobilização que puderam levar para longe os problemas que muitos reinos e a própria Igreja tinham nos seus calcanhares.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;No final do livro, apesar dessa primeira vitória da cristandade, que recuperou Jerusalém ainda que por poucos anos, fica a impressão de que a lama que respingou na Igreja Católica por causa do massacre no momento da conquista jamais desapareceu. Por outro lado, veem-se com certa simpatia os povos árabe e judeu, que na narrativa cooperam um com o outro e sofrem juntos as investidas da Europa cristã.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Jerusalém, de Andrea Frediani.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Editora Bertrand Brasil. 574 páginas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;R$ 55.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3883642032478586930?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3883642032478586930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3883642032478586930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3883642032478586930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3883642032478586930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/04/aventura-religiosa-obra-narra-saga-da.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-1409662089077318997</id><published>2011-04-02T09:28:00.004-03:00</published><updated>2011-04-02T12:46:33.088-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;img src="http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/41424_100001219431521_782_n.jpg" alt="Tanussi Cardoso" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;O difícil percurso do olhar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;O poema, sempre difícil de ser analisado, ou mesmo percebido, constante obstáculo para o leitor, eis que surge e se oferece à decifração. Mas se não o deciframos, não seremos por ele devorado. O poema não é uma esfinge. Ou me engano? Desejam-se as suas palavras como se deseja a placidez de um rio caudaloso em estação de estio. Mas logo sobrevém a tempestade, e a mesma paisagem, que tanto nos acalmava, torna-se ameaçadora, a ponto de nos arrancar de onde a observávamos, lugar que antes julgávamos seguro. Oh, impossível o sublime kantiano, acompanhar a tempestade, em toda sua plenitude, fora dela. Seria bom se a poesia tivesse a mansidão desse rio, qual o rio de Heráclito, mesmo que nele não fosse possível ver duas vezes nossa própria face. Seria bom ler poesia sem se deixar contaminar, sem termos de levar para casa, ainda que tão somente, uma gota de toda essa lama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Assim, umas vezes como placidez, outras tantas como tempestade, chegam-nos os versos de Tanussi Cardoso. Em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Exercício do olhar&lt;/i&gt;, como assegura o próprio nome do livro, exercita-se os vários modos de percepção da subjetividade, exercita-se nossa capacidade de sobrevida dentro da arte poética, ou mesmo – talvez o impossível – a capacidade de sobrevivência humana fora de toda essa tormenta. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Iniciando-se com “Óvulo I”, a poesia se apresenta como larva. Então, perguntamos? Do que é capaz uma larva? Já sabemos a resposta. Afinal, tudo começou com uma larva. Eis o início: “que bicho se abrirá em palavra?” Através desse pequeno verso, viaja-se não apenas pela história humana, mas também através da literatura em língua portuguesa. Lá está Camões, com o seu bicho da terra tão pequeno, depois Drummond, que retoma Camões e apresenta esse bicho ainda bem pequeno, mas como protagonista de outras viagens, odisséias modernas. O autor de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Exercício do olhar&lt;/i&gt; atualiza o tema e o lança à posteridade, pois a viagem continua, e a poesia-larva há de se multiplicar abrindo-se em palavras, constituindo novos mundos, constituindo a própria liberdade, que é o que caracteriza o ser humano. Nada melhor para mostrá-lo livre do que o ato criador, no caso do poeta, sua escrita, tema do segundo poema, “Certas palavras”. Vai assim o desenrolar do livro, versos falando da língua, das palavras, da arte, de outros autores e de todas as possibilidades e impossibilidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;O bom poeta nunca cabe em si próprio. Aliás, ninguém cabe em si próprio, mas, melhor do que o poeta para expressar tal preocupação não há: “porque todos os mistérios são santos, / não nomearemos o nome das / coisas.” Mas o que é o fazer poético senão o ato de nomear, mesmo negando-o? Escreve-se, nomeia-se, caso não se o faça com o nome conhecido, cria o autor uma nova maneira de dizer, um novo nome. Logo, nomeia-o do mesmo modo, embora à sua maneira. E assim avança &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Exercício do olhar&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;O livro divide-se em três partes: o tempo, os dias, as noites. “Constrói o tempo teias e ruínas”, e nada melhor do que a poesia para fazer esse inventário, mostrando que o tempo também é construído por palavras: “O olho no olho do poema / que se anuncia / o olhar nosso de cada dia.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Em “os dias”, confessa o poeta: “quando na superfície / o verbo / vem da falta.” Talvez pudéssemos, aqui, conjecturar que a poesia vem tentar preencher o que nenhuma outra atividade humana conseguiu. É possível dizer que, se os outros ramos do conhecimento dessem conta da vida, não necessitaríamos da arte, nem da poesia. Mas se apresenta o artista e, para causar vertigem nos estudiosos das outras áreas do saber humano, diz: “porque partimos / cegos / não há luz sol estrelas.” O poeta ou cantor, mesmo cego, como Homero, vem lembrar a existência da luz, feito que esses outros, portadores de técnicas capazes de erigir engenhos tecnológicos, não foram capazes de perceber. “Os dias” ainda mostram a carnalidade da poesia: “a palavra / orgasmo / abre-se tônica / bem no / meio / da carnalidade”, e, mais adiante, a carne vai irmanada à transcendência: “voo cego / de águia / desmaio / salto no / abismo / sem ar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Entre palavras discutindo as próprias palavras, palavras expressando o corpo e o amor, chega-se à ultima parte, “as noites”, em que a escrita revela, em “as sombras são”: “as sombras se esquecem / de si mesmas / e saem a espantar / as coisas, / à noite.” Espanta-se o poeta, espanta-se o leitor, a constatarem a poesia, esse fio tênue, capaz de atingir senão o cerne das coisas – hoje, duvida-se de que as coisas tenham cerne –, ao menos a levar ao ato de reflexão máxima, à descoberta surpreendente do que é estar vivo: “a cada poema / que se faz / adia-se a morte / até a manhã / de um novo / poema.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Difícil falar mais sobre um autor de extensa e diversa obra – &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Boca maldita&lt;/i&gt;, 1982, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Beco com saídas&lt;/i&gt;, 1991, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Viagem em torno de&lt;/i&gt;, 2000, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;A medida do deserto e outros poemas revisitados&lt;/i&gt;, 2003, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Exercício do olhar&lt;/i&gt;, 2006, e &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;50 POEMAS escolhidos pelo autor&lt;/i&gt;, 2008, – com elogios de inúmeros autores conceituados, como o do prestigiado acadêmico Antônio Carlos Secchin: “um dos pontos altos é o belo tom elegíaco que você empresta a tantos poemas" (sobre o livro: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Viagem em torno de&lt;/i&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Retornando ao início dessa matéria, poderíamos perguntar: a poesia de Tanussi devorou o leitor, caso ele não a tenha decifrado? Certamente, não. Às vezes, como em toda escrita poética, a decifração torna-se difícil, e sabe-se que, para ela, não há apenas uma possibilidade de leitura, mas múltiplas. Então, não mais se teme a esfinge, admira-se e louva-se a sua beleza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Exercício do olhar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Tanussi Cardoso&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Editora Fivestar, 145 páginas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-1409662089077318997?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/1409662089077318997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=1409662089077318997' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/1409662089077318997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/1409662089077318997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/04/o-dificil-percurso-do-olhar-o-poema.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-8801656820345000861</id><published>2011-03-28T19:24:00.008-03:00</published><updated>2011-06-23T05:40:28.597-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;“Está bem, então vá”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o verão de 1972, uma época boa, tínhamos esperança quanto ao futuro e queríamos a liberdade absoluta. Uma vez que recusávamos as grandes cidades, morávamos em acampamentos à beira de praias distantes. Outras vezes íamos para locais de difícil acesso, no interior. As pessoas nos chamavam de hippies, e nós, até certo ponto, acabamos gostando do nome. Embora no mundo inteiro o movimento entrara em declínio, não queríamos pensar nisso. Andávamos de um lado para outro quase sempre em festa. Alegres, preocupávamo-nos apenas com o dia em que estávamos vivendo. Caso tivéssemos o que comer, beber e fumar naquele momento, estava bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui parar não sei como numa praia do norte da Califórnia. Se perguntar hoje onde fica essa praia, não sei dizer. Sei que havia um camping, e entre os acampados viviam alguns rapazes e moças. Os rapazes eram mais numerosos. Notava-se que eram de boas famílias, mas decidiram largar o conforto do lar e adotar aquela vida. Montavam e desmontavam barracas, subiam e desciam a serra, viajavam de carona. Com que dinheiro viviam? Não sei. Acho que alguns arranjavam com os próprios pais; outros se orgulhavam em dizer que eram artistas: pintores, escultores, artesãos etc. E vendiam o que produziam. Juntei-me a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos rapazes tornou-se meu amigo; depois, meu namorado. Aonde quer que eu fosse, ele me acompanhava. Naquela época eu tinha vinte e seis anos, nunca trabalhara, deixara para trás a cidade do interior em que nasci e viera me aventurar em Los Angeles. Tinha apenas uma pequena mala com poucas roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No acampamento também apareciam pessoas em férias. Diziam gostar da vida em meio à natureza. Não era difícil fazer amizade com elas e até mesmo ganhar alguma coisa, como um prato de comida ou mesmo mantimentos para cozinhar nas nossas barracas. Os turistas gostavam de nos ajudar, acho que queriam ser como nós, mas não tinham coragem. Então, facilitavam-nos a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz, meu amigo, era calado, não agia como os outros, que participavam de divertimentos, como jogos de vôlei e de futebol. Ele gostava de ficar na praia, principalmente ao entardecer, olhava o horizonte, pensativo. Eu o acompanhava nessas horas, nada falava, deixava-o entregue à sua meditação. Às vezes andávamos durante algum tempo pelas areias da praia. Lembro que na época eu não tinha biquíni. Tivera um, mas me roubaram no acampamento. Assim, não entrava no mar quando ele insistia. Dizia para eu tirar a roupa e mergulhar nua. Mas eu não tinha coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era muito jovem, acho que seis ou sete anos menos que eu, e tinha casa, pai e mãe. Mas não queria voltar para lá. Também não pensava muito como ia fazer dali para frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, disse a ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você deve pensar bem sobre o seu futuro. É muito bonita essa vida, mas não é possível sobreviver assim por muito tempo. É preciso ter dinheiro, ou se morre de fome.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me ouviu, mas nada comentou. Começou então a rolar um amor entre nós. Mas sem combinação alguma. Não tínhamos compromisso um com o outro nem sentimento de posse. Acabei dormindo com ele. Nas primeiras noites, nada aconteceu. Mas, depois, começamos a fazer amor. Era muito comum na época a expressão, “fazer amor”. Dali em diante, passamos a ficar juntos, dias e noites. Divertíamo-nos muito. Seus amigos nos observavam e lhe diziam que se afastasse de mim, que eu não era boa companhia. Mas era tudo brincadeira. Na época, fumava-se muita maconha, cheguei até a experimentar ácido. Eu não era exceção. Ele, no entanto, não tinha a tendência de fumar muitos baseados. Dizia que preferia o ar puro das manhãs, e sempre carregava livros, principalmente de poesia, também escrevia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia – fazia uns três ou quatro meses que vivíamos juntos – quando estávamos prestes a partir mais uma vez sem destino, senti que tudo aquilo começava cheirar a um romantismo barato demais. Não sei se surtei, mas resolvi dar um basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você acha que dá mesmo para viver assim, sair viajando por aí de carona, sem dinheiro no bolso, sem destino?”, havia filmes na época que incentivavam nosso imaginário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sempre dá”, eram poucas as suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não vou com você, me entende? Não vou, já tenho dez anos de estrada, sei como é essa vida, não estou mais para isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que você vai fazer?”, seus olhos sempre me transmitiam alguma melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou com a Shirley. A mãe dela me ofereceu para morar com eles. Ajudo no serviço da casa, depois tento arranjar um emprego, quem sabe estudo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você vai ser empregada doméstica?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é isso, vou morar com ela, ajudar em alguma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E onde ela mora?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ainda não sei, acho que num subúrbio, me dê um número que depois eu informo a você”, sugeri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Está bem, então vá”, não opôs resistência e ficou olhando na direção do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dramatizar a situação e tentar comovê-lo, ainda falei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tem mais uma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que é?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou morrer cedo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Morrer, como você sabe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fiz um exame do coração faz algum tempo, o médico é amigo meu, falou que não tenho muito tempo de vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Poxa, verdade?”, foram suas últimas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Verdade”, levantei-me e saí dali chorando, sem olhar para trás. Ele não percebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, penso onde andará toda aquela geração... Alguns se engajaram no mercado de trabalho, prosperaram, enquanto outros morreram, ou enlouqueceram devido ao consumo excessivo de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quando vou a uma livraria, olho os livros de poesia e procuro o seu nome sobre a capa de um deles. Mas nunca encontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe agora com o Facebook ou com o Google eu consiga localizá-lo? Ele vai se surpreender. Pode ser que tenha entrado para uma universidade, se formado, se tornado alguém importante. Pode ser realmente um poeta. Eu é que não tive até hoje competência para encontrar um livro seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não falou que iria morrer logo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terei que inventar uma desculpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-8801656820345000861?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/8801656820345000861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=8801656820345000861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8801656820345000861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8801656820345000861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/03/esta-bem-entao-va-era-o-verao-de-1972.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3513332226814996985</id><published>2011-03-26T17:40:00.008-03:00</published><updated>2011-03-26T17:51:48.712-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Não deixe de ler a resenha sobre &lt;i&gt;Hotéis à beira da noite&lt;/i&gt;, de Per Johns, no link: &lt;a href="http://migre.me/47BLu"&gt;http://migre.me/47BLu&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3513332226814996985?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3513332226814996985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3513332226814996985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3513332226814996985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3513332226814996985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/03/nao-deixe-de-ler-resenha-minha-sobre.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-2457266857471960746</id><published>2011-03-11T18:36:00.005-03:00</published><updated>2011-03-11T19:49:02.852-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yjzkDcrSKS0/TXqhDGXBcvI/AAAAAAAAAB8/Us2LD8JIQfk/s1600/Drummon.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; DISPLAY: block; HEIGHT: 256px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582951762698007282" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-yjzkDcrSKS0/TXqhDGXBcvI/AAAAAAAAAB8/Us2LD8JIQfk/s320/Drummon.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O poder ultrajovem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reedição de crônicas de Carlos Drummond de Andrade surge num momento em que o gênero se encontra negligenciado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era bom quando tínhamos um poeta maior que, além de produzir extensa e múltipla obra poética, também escrevia três crônicas por semana no antigo JB. Bons tempos que não voltam mais. Um poeta que não estava só a surpreender os costumeiros leitores do gênero, mas também àqueles que não liam poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez com Drummond, em termos de Brasil, a poesia se tenha tornado até certo ponto popular. Quem nunca ouviu falar de “José”, de “No meio do caminho”? O poeta, que tratava a palavra com tamanha maestria, não a renegava na crônica, gênero até certo ponto, conforme nos ensinam os manuais, fugaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crônica vem de Cronus, deus do tempo na antiguidade clássica, também conhecido como Saturno, aquele que devorava os próprios filhos. Quem escreve crônicas não está apto a falar de deuses, mas de assuntos do tempo, desse tempo que passa muito rápido, deixando-nos com traços no rosto e mais próximos do fim. Logo, a crônica também acaba passando. Mas não é isso que acontece com o gênero quando se trata de Carlos Drummond de Andrade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso procuremos nos muitas vezes soturnos departamentos de letras das universidades públicas, vamos encontrar dissertações e teses que tentam provar que a crônica drummondiana é do mesmo quilate de sua poesia. Quer dizer, poesia e crônica, quando se trata do autor de A rosa do povo, não possuem diferença. Portanto, é de se louvar e desejar que sempre se reeditem as crônicas de Drummond. É isso que faz a editora Record com a nova edição de O poder ultrajovem, conjunto de textos escritos pelo poeta por volta do final da década de 1960 e início da seguinte. Neles, predominam sutileza, leveza e sensibilidade. Mas não deixam de fazer profunda análise tanto do ser humano como da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro começa com histórias protagonizadas por crianças ou adolescentes, que, na sua vontade férrea, como o ferro das calçadas de Itabira, conseguem dobrar os adultos: a menina a convencer o pai, no restaurante, de que tem o direito de escolher o próprio prato; o caso das crianças desconfiadas, que, muito a contragosto, deixam o autor segurar suas pastas escolares, ele que vai sentado no banco de um ônibus lotado; a mãe que acompanha o filho até uma casa abandonada para que ele recolha algo dali, caso contrário será objeto de escárnio entre os colegas da escola; a professora que tenta fazer um plebiscito na sala de aula para saber se deve lecionar usando calça comprida, mas chega à conclusão de que ser democrática dá muito trabalho; a história da adolescente que recorre ao poeta porque seu cãozinho comeu a capa e as primeiras páginas de um livro de Fernando Pessoa emprestado a ela pelo namorado. Ela quer o autógrafo de Drummond, não importa que não seja ele o autor do livro, o que vale é não desagradar o namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre muitos assuntos, algumas crônicas abordam outros escritores, como Cecília Meireles, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Guimarães Rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília é comparada a uma deusa, que chegou e se foi em novembro. Ela fez tudo que deveria ter feito para ter as feições de um ser humano, mas, na verdade, tratava-se de uma deusa. “Mulher bela? Sim, foi mulher bela. Grande poeta? Claro, foi grande poeta. Mas foi principalmente... deusa. Ah, o sorriso olímpico de seus olhos verdes, mas quem disse que o sorrir dos deuses é promessa de comunhão com os homens?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário de Andrade é outro contemplado. O cronista rememora os vinte cinco anos da morte do autor de Macunaíma. “Até hoje não é fácil aceitar a perda de tudo que em Mário de Andrade foi criação e expansão humana.” Sobrepõe-se, no final do texto, a imagem do modernista de primeira hora morto, mas é um morto que ri, “junta os dedos em cacho e movimenta-os, exclamando: A própria dor é uma felicidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro lembrado é Manuel Bandeira. Ao completar um ano de sua morte, Drummond escreve: “O poeta morreu coisa nenhuma. É abrir ao acaso qualquer de seus livros e tirar a prova.” O cronista relata três episódios interessantes. O primeiro, durante um almoço com Bandeira, em que este lhe diz que não se pode julgar com justiça os concursos literários, “tão melhor avaliar um poema, quando a gente o lê sem intenção de julgar.” Outro episódio é a revelação súbita de Bandeira: “Carrego comigo duas tristezas, nunca amei uma portuguesa nem uma negra.” E ante a surpresa de um admirador, que lhe pergunta na rua sobre o segredo de sua mocidade apesar da idade avançada, Bandeira responde: “Sofrimento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse ritmo vão as crônicas. Para não ficarmos apenas nos episódios que relembram amigos que já se foram, há momentos que revelam humor e ironia, como na crônica “Assalto”, em que uma senhora, ao pronunciar a explosiva palavra diante do preço exorbitante do chuchu, numa feira livre, põe a rua em polvorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há crônicas de espírito bem carioca, como a que registra o aparecimento de dois operários num andaime, ante a janela do autor. Este oferece a eles um cafezinho, e logo descobre que um dos pintores é compositor. O homem entoa um samba, sobre o próprio andaime, e acaba muito aplaudido pelo público, as outras pessoas que aparecem nas janelas do prédio de escritórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vivíamos o início dos anos 1970, não poderiam faltar referências ao futebol, à copa do mundo, e à ditadura militar, que aparece várias vezes sofrendo crítica velada, como no último texto do livro, o poema denominado “Copa do mundo 70”: “e de repente o Brasil ficou unido / contente de existir, trocando a morte / o ódio, a pobreza, a doença, o atraso triste / por um momento de grandeza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder ultrajovem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed. Record, 287 páginas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Matéria publicada no JB online em 07/03/2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-2457266857471960746?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/2457266857471960746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=2457266857471960746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2457266857471960746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2457266857471960746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/03/o-poder-ultrajovem-reedicao-de-cronicas.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yjzkDcrSKS0/TXqhDGXBcvI/AAAAAAAAAB8/Us2LD8JIQfk/s72-c/Drummon.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-4336523503036196403</id><published>2011-02-19T16:47:00.006-02:00</published><updated>2011-02-19T16:58:46.956-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;img src="http://ochocolat.files.wordpress.com/2010/06/freud1.jpg?w=574&amp;amp;h=418" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;O pai da psicanálise e de muitos segredos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Entre fofocas e verdades, o destaque são os últimos anos de vida de Freud&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A fuga de Freud&lt;/i&gt; há um capítulo em que o autor, David Cohen, comenta de modo muito eficaz o último livro escrito pelo criador da psicanálise. Apesar de dizer que &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Esboço de psicanálise&lt;/i&gt; não é um livro fácil, e que o pequeno volume não se destina a principiantes, Cohen acaba por tecer saborosos comentários sobre a obra, permitindo até mesmo ao leitor comum, que só conhece Freud ou a psicanálise de nome, a compreensão de certos princípios que regem o inconsciente. Então, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A fuga de Freud&lt;/i&gt; não é apenas o retrato de uma fuga física de Freud e de sua família da Viena ocupada pelos nazistas, mas uma fuga – ou quem sabe uma escapulida inconsciente do próprio Cohen – em que o melhor da narrativa está nos assuntos adjacentes, e não propriamente no que o autor realmente desejava abordar. Assuntos como complexo de Édipo, sexualidade infantil, transferência, espaço da análise como lugar em que os pacientes não precisam ser civilizados soam com muita clareza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;O livro começa com menção a Anton Sauerwald, um &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Kommissar&lt;/i&gt;, funcionário designado pelos nazistas na década de 1930 para administrar e controlar empresas e bens de proprietário judeu. Ele passou a controlar não só os bens de Freud, mas também o seu destino. O psicanalista também era proprietário da editora &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Internationaler Psychoanalytischer&lt;/i&gt;. Apesar de a editora ser um desastre financeiro, o funcionário nazista foi acusado, depois da guerra, de se aproveitar de sua posição para apoderar-se não apenas dos livros, mas também do dinheiro da família Freud e de outros bens, como manuscritos, obras de arte e muitas outras coisas de valor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Cohen também afirma que seu livro explicará “por que um nazista como Sauerwald tinha todos os motivos para esperar que a filha (Anna) e os amigos de Sigmund Freud fossem em seu socorro” depois da guerra, quando foi julgado pelos americanos no tribunal popular de Viena. Essa questão, no entanto, torna-se menor no livro. O que o autor faz é escrever mais uma biografia de Sigmund Freud, detendo-se nos últimos anos da vida do psicanalista. O &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;kommissar&lt;/i&gt; da SS é mencionado apenas em quatro dos quinze capítulos que compõe o livro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;A principal queixa de David Cohen, logo no segundo capítulo, é sobre as restrições em vigor para consultas ao arquivo Freud, depositado na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Segundo ele, lá estão abrigadas 153 caixas de correspondência entre Freud e membros da família, amigos e pacientes. Há também anotações e outros documentos, mas nem todo o material pode ser lido. Alguns arquivos, diz o autor, só poderão ser abertos em 2020, 2050 ou 2057. Existem também arquivos fechados em caráter perpétuo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Das biografias sobre Freud, Cohen se detém sobre o principal biógrafo do autor, Ernest Jones. Há indícios de que &lt;span style="display:none;mso-hide:all"&gt;áHH&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;o próprio Freud o nomeou como seu biógrafo porque sabia das dificuldades que ele teria para ser objetivo. A principal crítica do autor de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;A fuga de Freud&lt;/i&gt; a Jones é de que este tendia à idolatria, tendo evitado assuntos polêmicos sobre a vida do pai da psicanálise. Consta que o austríaco incentivou seu biógrafo a se tornar psicanalista porque ele vinha das hostes cristãs, e a terapia freudiana era acusada de ser uma ciência judaica. Cohen também afirma que praticamente nenhum dos biógrafos de Freud, nem mesmo Peter Gay, se detiveram nos últimos anos de sua vida, período que deve ser investigado com maior atenção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Como não poderia deixar de acontecer, o livro também focaliza a ascensão do Nazismo e sua influência, sobretudo na Áustria, e tenta explicar por que muitos austríacos teriam aderido ao partido hitlerista a ponto de apoiarem a anexação da Áustria pela Alemanha. Podemos ler trechos da correspondência de Freud com intelectuais amigos seus, que partiram para o exílio, entre eles Arnold e Stefan Zweig.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Cohen além de comentar a produção intelectual do autor de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;A interpretação dos sonhos&lt;/i&gt; também esmiúça sua vida financeira, mostrando que Sigmund Freud não a negligenciou, e que, contra as leis em vigor na Áustria de então, possuía dinheiro no estrangeiro para caso de uma emergência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Há insinuações sobre o relacionamento de Freud com várias mulheres. A primeira é com Anna, sua própria filha; depois vem Minna Bernays, irmã de sua mulher. Também é mencionada a constante atuação da princesa Marie Bonaparte (sobrinha-bisneta de Napoleão I, da França) para ajudar os Freud nos momentos em que os nazistas estiveram em seus calcanhares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;A ressalva que se pode fazer ao livro é de que o autor muitas vezes se prende a fatos que não podem ser comprovados por documentos, como diz no começo: “Há quem afirme que Freud e Minna eram amantes e que ela teve que fazer um aborto”. Outro ponto também polêmico é sobre um tio de Freud que foi preso na segunda metade do século 19 acusado de falsificar dinheiro. Tais passagens revestem o livro, vez ou outra, em ares de fofoca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Uma questão importante está no capítulo “As contas bancárias secretas”, onde Cohen explica como o sistema bancário suíço se aproveitou do dinheiro dos judeus que pereceram no Holocausto. O trecho vale como uma boa crítica, mostrando que houve muita gente que lucrou sob a sombra hitlerista e não pagou o preço quando o Nazismo foi derrotado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Deve-se louvar a inclusão de dois apêndices. Um com o elenco de personagens, incluindo toda a família Freud, desde seus pais e tios até os descendentes. Depois são enumerados o primeiro grupo de psicanalistas, os médicos de Freud e os principais nazistas que tiveram alguma ligação com a psicanálise e com a família Freud.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;A fuga de Freud&lt;/i&gt;, de David Cohen. Ed. Record, 320 páginas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-4336523503036196403?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/4336523503036196403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=4336523503036196403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/4336523503036196403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/4336523503036196403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/02/o-pai-da-psicanalise-e-de-muitos.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7734232123703833279</id><published>2011-02-12T08:58:00.004-02:00</published><updated>2011-02-12T09:21:40.863-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;img src="http://www.qualitas1998.net/immagini/Salvo_Sottile.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;Com calibre para virar best&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;-seller&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: center; display: inline !important; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:13.5pt;mso-bidi-font-size: 11.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR;mso-bidi-language: AR-SA"&gt;Novo livro de Salvo Sottile prende o leitor ao discutir o destino das organizações mafiosas italianas no mundo conemporâneo, além de mostras as sutilezas da luta entre a polícia e a máfia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;É sempre bom que se escrevam livros sobre o combate à criminalidade, sobretudo quando se trata de romances que têm como tema a neutralização dos mais diversos tipos de máfias. Observamos que, no Brasil, várias organizações – não apenas cujos componentes pertencem às classes desfavorecidas – são ativas no tráfico de drogas e de outras mercadorias proibidas. Sofremos na pele o alto custo para combatê-las.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Salvo Sottile escreve uma narrativa com todos os ingredientes necessários para prender o leitor do início ao fim. Ágil no jornalismo, sobretudo na própria Sicília e depois em Roma, teve grande sucesso de público e crítica com o seu primeiro livro, &lt;i&gt;Maqueda&lt;/i&gt;, que está se tornando filme. Agora, no segundo, &lt;i&gt;Mais escuro que a meia-noite&lt;/i&gt;, escreve mais um capítulo sobre o combate à temida &lt;i&gt;Cosa Nostra&lt;/i&gt;, mostrando suas ramificações na Europa e nos Estados Unidos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Inicialmente a luta é entre duas facções, Corleoneses contra Palermitanos. Qualquer semelhança com o que vivemos em nosso Rio de Janeiro é pura coincidência. Mas a justiça italiana está na mira dos criminosos através da inflexível juíza Elvira Salemi e do comissário Matteo Di Giannantonio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O livro descreve a especialização da justiça e da polícia italianas para tratar do caso que é prioridade nacional, o combate à Máfia. Foram efetuadas mudanças nas leis no sentido de tornar mais rigorosas as penas para os integrantes desses grupos. O autor também cria situações em que há a participação de presos que entraram para o programa de proteção àqueles que pertenceram aos grupos criminosos e resolveram colaborar com a justiça em troca da diminuição da pena (os&lt;i&gt;pentitos&lt;/i&gt;, arrependidos, em português), no sentido de levar à prisão seus principais chefes. Mas há também um ardil: muitas vezes alguns se fazem de arrependidos para confundir o andamento das investigações.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Tanto no lado dos criminosos como no dos agentes da lei há inúmeras emboscadas, o que torna impossível deixar o livro de lado. Os traidores são cruelmente punidos, os policiais, vez ou outra, são atraídos e vingados com requintes de perversidade. Não é possível a nenhum juiz, ou a comissários sérios andarem sem escolta. A qualquer momento, é possível que um tiro de grosso calibre ou a explosão de algum artefato bélico faça tudo ir pelos ares.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Muitos desses livros são escritos com o objetivo de se tornarem filmes, o que faz a narrativa de Sottile, em alguns momentos, espetacular. E quem desejar filmar sua história não terá muita dificuldade para escrever o roteiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Salvo Sottile costura mais uma situação que normalmente tornará o livro um best-seller. Há casos de amor entre integrantes das duas facções, e mesmo amigos e ex-amigos que transitaram em lados opostos veem-se frente a frente, ora por necessidade, ora por algum laço de afeto. O ponto alto é o casamento de um chefão corleonês com Rosa, mulher pertencente à facção derrotada, a dos Parlemitanos. Durante o desenrolar da narrativa, o sucesso de um irmão dela em Nova York, entre a máfia local, gerará uma tentativa de reviravolta, o que colocará em risco sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt; A juíza Salemi também vive um caso amoroso, embora sempre se mostre fria e indiferente, com um comissário de polícia, de quem ela passa a desconfiar quando ouve a história relatada por um &lt;i&gt;pentito&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O que também torna o livro atrativo, não apenas por quem se interessa por narrativas policiais plenas de complicações, é a discussão sobre o destino que muitas dessas organizações criminosas passaram a ter nos dias de hoje. Talvez as constantes crises econômicas mundiais possam servir como termômetro de que há algo de podre nesse universo. Máfias de diversos tipos abandonaram o que mais as incriminavam para atuar num mercado até certo ponto legal, em crescimento em diversos países, sobretudo na América do Norte. Computadores e Internet também se transformaram em ferramentas de lucro para essas “empresas”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;A única reparação a ser feita é a mesma que é comum à  literatura policial, a maioria dos personagens é estereotipada, a exceção são os policiais em fim de carreira, aqueles que tiveram uma vida arriscada e miserável mas não perderam a capacidade de sonhar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Eis um trecho interessante da narrativa: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O esquadrão móvel de Palermo parecia um Maracanã. Havia uma fileira de policiais debruçados nas janelas, que improvisavam coros de torcidas e faziam a ola. No balcão empoeirado, no centro do alojamento, de onde sobressaía o mastro com a bandeira italiana, alguém tinha amarrado na balaustrada um lenço branco, com o V da vitória riscado à caneta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O Croma blindado da juíza Salemi parou diante do imponente portão cor de ferrugem e se fez anunciar com duas pequenas buzinadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;A sentinela de uniforme esticou-se na janela da guarita e correu para levantar a trave.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;O carro deslizou lentamente para dentro do pátio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Elvira desceu de um dos bancos de trás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Um policial à paisana reconheceu a juíza, afastou-se do grupo de colegas com quem conversava e foi ao seu encontro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;– Bem vinda, doutora, quer que a acompanhe até o comissário?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;– Não, obrigada – respondeu ela, cortês –, não se incomode, conheço o caminho...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;A juíza Salemi subiu dois lances de escada e caminhou na direção do longo corredor que a levava à seção “Catturandi”. O vozerio da comemoração era tal que podia ser ouvido pelo caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Mais escuro que a meia-noite&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;Salvo Sottile, tradução de Ana Resende&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;Bertrand Brasil, 373 páginas&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7734232123703833279?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7734232123703833279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7734232123703833279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7734232123703833279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7734232123703833279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/02/com-calibre-para-virar-best-seller-novo.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-6996097993019485085</id><published>2011-01-18T21:50:00.008-02:00</published><updated>2011-03-02T22:44:55.810-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Espere aí que vou à revistaria&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Alessandra caminhava no Casa Shopping com Álvaro, era quarta-feira à tarde. O rapaz sugerira uma loja de produtos para casa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Essa loja é de muito requinte, veja, cada coisa linda”, disse ele enquanto a moça acompanhava-o na investigação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Realmente, cada coisa maravilhosa, mas tudo isso é pra quem já tem a vida definida, uma carreira, um apartamento no Plano Piloto; veja o preço de uma garrafa térmica, cento e vinte reais...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Repare as máquinas de café expresso.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Estou vendo”, reparou Alessandra, “a mais barata custa oitocentos e trinta.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Mas vale a pena, já pensou uma cozinha com isso?”, Álvaro apontou para copos longos, algumas taças, todos de cristal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“No final da loja há taças de fibra, imitação de cristal, de longe nem parece, mas é caro do mesmo jeito.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Já vi que vai ser difícil encontrar um presente aqui pra minha mãe”, ele resmungou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Sua mãe não é uma pessoa tão sofisticada para exigir um presente desses.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Verdade, é uma pessoa simples mas muito especial pra mim, queria comprar alguma coisa daqui, sei que ela vai ficar muito feliz.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Ali, algumas bandejas com atrizes dos anos cinquenta, sessenta, coisas a la Andy Warrol, Marylin Monroe, será que ela não gosta?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Ótima ideia, vamos ver.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Depois do presente comprado andaram um pouco pelos corredores do shopping, todas aquelas lojas com sofás, estantes, mesas, quartos e salas, cozinhas. Enfim, encontraram um café, no centro de uma das alas, defronte à Marieta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Quer comer alguma coisa?”, convidou Álvaro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Não, apenas café, já comi demais no almoço.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Dali era possível ver a livraria.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Ah, vamos depois à Cultura, quero ver a revistaria”, disse Alessandra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Vamos, sim.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Na verdade, tenho de ter cuidado, já comprei quatro livros antes do Natal.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Para o concurso?”, quis saber Álvaro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Não, por puro prazer. Dois de escritores brasileiros, um português e outro americano.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Pra que tanto livro?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Você sabe que meu maior prazer é ler.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Mas você está em época de estudar, Ale, assim não vai conseguir.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Consigo, é apenas para as horas vagas.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Mas quatro livros para horas vagas, e em período de estudos...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Não vou ler todos de uma vez, nem vou parar tudo para lê-los, sei a programação que tenho de cumprir.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Tomara que você consiga.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Consigo, sim, não precisa se preocupar, vou passar no concurso do Executivo.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Assim seja. Quando eu terminar a faculdade, vou parar tudo, vou estudar dia e noite para o concurso da Câmara.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Isso, se prepare, você também vai conseguir.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Que tal o Judiciário, ao invés do executivo?”, Álvaro olhou para ela e depois parou diante do primeiro estande de livros, assim que entraram na Cultura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“É outra opção, mas prefiro o Executivo.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O rapaz esperou que duas senhoras passassem, depois tomou nas mãos um livro que tinha a história do rock, ou dos Rollings Stones.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Você e sempre o rock. Aqui em Brasília, a terra do rock. Não sei, mas pode ser um atraso”, Alessandra e suas insinuações.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Depois que estivermos lá, compramos o que precisamos”, ele não alimentou a polêmica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Compramos o quê?”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Garrafas térmicas, bandejas com retratos de Monroe, máquinas de café expresso, quadros para a sala e estofados, mesas maciças...” ainda Jagger nas mãos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Ah, é mesmo, a loja de produtos para o lar.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Compraremos quase todo o Casa Shopping...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Bom, quase todo, mas enquanto isso espere aí que vou à revistaria.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-6996097993019485085?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/6996097993019485085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=6996097993019485085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/6996097993019485085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/6996097993019485085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/01/espere-ai-que-vou-revistaria-alessandra.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7449582468571379650</id><published>2011-01-09T09:10:00.005-02:00</published><updated>2011-01-21T13:11:23.781-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="MsoNormal" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;img src="data:image/jpg;base64,/9j/4AAQSkZJRgABAQAAAQABAAD/2wCEAAkGBhMSEBUSEhIUFBQVFBQUFRUUFRQVFBYUFBQVFBQUFBQXHCYeGBkkGRQUHy8gIycpLCwsFR4xNTAqNSYrLCkBCQoKDgwOGA8PGCkcHBwsKSksLCksKSkpKSksKSwpKSkpKSktKSksKSwpKSkpLCkpKSwpKSksLCksLCksKSkpKf/AABEIAL4BCQMBIgACEQEDEQH/xAAcAAABBQEBAQAAAAAAAAAAAAADAQIEBQYHAAj/xAA/EAABAwIEAwYDBQUHBQAAAAABAAIRAyEEBRIxBkFREyJhcYGRobHRFDJSwfAVI0Ji4QcWM3KCkvFDU4Oi0v/EABkBAAMBAQEAAAAAAAAAAAAAAAABAgMEBf/EACQRAAMAAgMAAgICAwAAAAAAAAABAgMREiExBEEiURNxMmGx/9oADAMBAAIRAxEAPwDpIKUBBa5Fa5WSFa1PDExrk8OQA7QnaEgcnByAHBqdpTQ5LqQA4BLKbqSSgBxcm6khSIAXUval6F6EAe1L2pIoeYY8Um6ibDdICW6qgPx4bufz2WOzHjlpkU9RvuAAPdyyGZZ8+oO88u6ARHqYCl0WpZ1WpxRQETUA5TexHXp6pBxThz/1mDpJXEMRjHEwCGjx+pBnZRamIcOU9bx57N+aXJj4n0Fhs9ovMNqMJ6agT6Cbqaaq+ahmLhcA+hE+0j4K/wAq46xNIQHOczo8zHle3umqE5O7donBy5tkX9o4cXCqNItG9r9T5j3W2yzNW1Wy0yPf47JppktFnKpM0ddW+pUGdVYlUIXL8eBKtsNig4LnVTONIcrfh/iAOG6nYGuxWI0hV37XGqJUPNs0Gk3WFrZ4e0N+amq0B1Ohig5Ec5ZXJc5BAurapmoHNWgJ7nwm/aAqfEZwOqh/t1qew2XTXoraiAE9oTESBUTxUQAE8JDDh6cHoISygAwqJwqIKVABtaXWhBOAQATWl1JganhiAFleTxTSVhDSQJKQEeviQ0EkgR4hc54v4g7SWseCNjb8yicVZ5Ve4sBDWAxbmehI+SxWMpvqWY1x+E+Kyqvo2iPsi4rE6j/EYnYSPSYCdTw73D7sCLayb+OkG3uU45M4b2P8sk/AqSMnJ/G7zafnv8VnySNeDZAfiNNwZAsYkgeR3QauMafvARuDH5hW1TIHk+HjPzKIzhVxFwNvKQodo2WCmUAczmGuHy8ivFjJBDiOg1OHwO/oryjwgZiI53+o3U08Gd2ImbxHhy+iP5EL+Cih7JkTqnrDfiYO3WyteGeKamGqAh5fTm7JkWEz4JKvCj2CxPl8gqfMMsewk7jeTv5H1VzkTMrw0jueWcUUcQ3924zEkERHhOx9FV8Q4kAG65NkWLrNMsLwRY6TFhtAG4WizjPXaBqkmL/qFty6OZoh5jXlriD1VZlebuabFRq+agggc1Ew9lhd6JNXiOIC5sSs/iMadUoNSsoj6ix5OhGpybOyFom5g54mVz3B1oK12VYglq68Nb6Zjba8JGLxDhzVX9rd1VnmDDpmFUQeiun2OOTR1wOTg5BBTgtDUOHpweo4TggA4qJwqIITkgDh6eCgBEaUAHantQA5Pa5AyQERqjh68K4SAlgqq4nzI0cO4tjUe62ep8OaniosdxniSXtaT3G950bydvTf2SfhS9MbjGlzmguN9j1PMafjOw8NlKblJiJPuRf4SvZPgnOqmtU3+6wfhb9forwMXHdHpYce+2VuGyccwD4qfQy0WlT6dO3opQZAXOzvUpEH7ANojxTmYADofirCm1EhNDIdPBNF04sUktQnsTBpELE0AfNUuZ5WHAiPkr43UDE1LwlsycmExuVAAVG2c13fA5kRpPqNQUtj9TCx3MWJAPr5wpmZAB0Ed10g9LwB7ESoFOpYN0kOaCJ6gEjTPMw6RzXZD3J5OWeNaMlXEPIiLnmSDflZPa5CzRmisZMyZ/qka+ywyIwZ6o9B1JHvTNaUokmYd0FabKa5CzmEGy0OWETdaR6JrZdVsVa6hdq1MxzrG6qO0KuraY10dfo4wFSRWC5nhOJSNyrGnxRcLrEb9hBTwFV5Pi9YlWwKQxQE6F4FDq14QIMGp7QojMYCiUn3S2BNZTRm00ym5FDktjBVqdlEawyrEmyGAEAKynZYniMTiXGZDYtsJDZg9dvit6HWWBzsaqzgNp0z6gk/CFNeFz6Q6NoHzUpqrKmI/eQB6qyoU5XBb7Paw/4k6i1SG7JtKjAR9Cg3T2Ixtl7UU8FJEoGICmV0VrLpKlNNktlfWFuhVNXedW6tsZN1Q1t+e+/xUCfgPMcKHsIN+Yv12k+cfFV1SgOz1mdQg+rYB/L2lWDK4Pd57eYM+xT3U+4SB5jrf5x77dF34/Dx83bOc5zQJqkjY33n36GyjUsOYWtflMkmNyT6JBlPgoc7OcyFWgUHsitdVyjwUd2UeCFOg0UmHBU+jiyFaYfKfBOr5TbZPiGiCccXiE37MVYYTLFP+wJud+hooQ26ks3HmosmUdrrjzXUQdM4aPcHkr11SFmOHMaAweSm5rmwa1JsC4p4sHmoWb4iG2KyWF4iJeUXH5sXiFLpDJ2X5wJIJVq7OGgbrEYYOBnqlxOs8yoVBo3LeIx1RRxEOqwmGoO6lFfh3dSnyK0bf+8Y6oZ4lHVYo4d3Uof2Z07lHIWjejiURus1n2LlxLZMnf0sFCoZc91hJKiZtmIw9RuHe15e5oeCLtDSSBcb3G/ohvZUol5WC8x6n03Wkpw0bg+yyTsy7CjYgOIidQBA3ME8/os5+0gCS2u0G5l1QG53lupcbjZ6c5Ukjq4xJiUbDYuQdVrFcjp5y4m+JZbkKgg/FanJeIREF02i3NZVLk6ceSa6RuaThAgpGVhuVUYPFki23IqvznPmUgS6o1viSFKZs9Ltmq7a6jPzNrQZIHquXYzjJzrUnVCJ3AgehcRKZSxOKqbMc4b97/6AK0Uv76Oas0/XZ0M5tSqktBvtPL3VPjW6bfqOqyZxeJpC1Mbzcu384VbjePsTTIa+ky1xN5B6EeqpY+XhDzqV+SZqKri2/iI/4UzDY9of2bnNDniwJGr1buLkX/Nc+xvEuIrxB0AgGKdjfeX79doVxwrk4LtTwT00mLyOfNdErguzhp/y1+CNrWw8JKWGRP2sD3WUg8CxcYA/0nc+akUR9UoyTb0h5vjXiSb8ZCrYJRThArqoLKBU3WujmB0MGEtfCqXSMBDqPQBDp4YBF7FEaU6UAc/nvI52Rn0QChVSqdyLiy2y/MXNCfise54hVuGcpDXLKsi/ZUS99hcJSg3VxRphVNFslWVNxATT2U5J1KkEV9AQolOpCR2LQToNYItMAqHJKkYcqydkrsRCAWCUWrUsohJlGhciVii4U5Y4tM3Ija+88pXKuKM7xTsW6kcRVDZa1rWuc1oDgDZoMRqcT6rq9Ahw0uFjbyPIrD8V04pmRLmPDxa4LHSQPMAhczrhk/s9CIWX4/XqbPHIKdFkaA54Il7mhxINx96YMIlLEPfqbRptGlpOpwJLnRZoaCAPNW+EJqgEwdg7xae9SfH8zCBPUFOZlYabSDf59eiyqn9m0Qn/AI9Jmay3B16tQay5rbydA0zBixbf+HfqVIq8PPax1QAMIsC1obJix7sAifCfJbGlgXERMqu4kqdjh33JdGhg61HWYB6n4FSsjb6NHhmZe3syWU8Y5m6n+4pa2NESKYd8SLomRYA4wdvWJfVdUc0zYN0xDQ3+HrZdH4Ny5lHCU2QJDQCY3PMn1WdxNBmFxr/4aFdwdq2ayuLXPIOEX6jxV1W01K0JYeOqpt/vYJnD7W1Q1xhvMtAB/XjcqhrZJiNcNbU+9Z4Loj5eMz6LoQy3UdUz4i+69Vy3+aPQD3WU20aXimu96MmBVY80y7UyLExMePQ+HNUfE+SdpVw4AI7R5ZA3MiT5bLcVcNTaQ1zpJvG5Pj5eKj1MuNWvTqFumnRLixsgkuI0l74sLWDd7kmLBVLae/DO1NTxXZSYfhttNoaRAgwNxa9z7q/yfDgtFPaSW26fxFCxpkiLkEQOqsq2W9l2dZpNhBb5xqPy9lV3uRYsesg+thmsfAFvBEqOiB4L2M/hd+IqBjcYO1IB+6APXdTgT57N/m0lgaf+iTVr2UHtZKZXqyhUiu1M8EnOq2QnVLID6yU7Kbehz2Ep1kTtVB16Un2xLbRTRnn4lANWVIFKQmfZlzZUk/TeG2j1B6kmpCFTowUWpTREKkK6aZOwNUFWJqqmwllJdiF1z0jnumWQq2UB2IOpGo1JCE/D95VPYcuiywz7KXTcFBoNsj6leuxN/iS6lQJjVGBMozQU2ZIkclAznANq0qlpdp1eMix/JSQ9Ow1Q6xABPIHn1C58scl/R3fEyuK19Mpcpw+rUab3UpM6W6Szr/hvBAv0i6njCYrZtSm7/PSv8Kn5IeJfprAtYWNcDMxGqeUeausI+YlcrpnoREpkLD5djSO9iKbB/JRE+hc5w+CgYjJA2qHVKj6rxs55ECfwMADW+YErYhtlTYysztWE8reqnZtwXpbZRh9NMDwVPmOHBcQ4Agm4N58DK0FLENLdxtMKgxNVtR0BDNfER8JwphyJDXMnkxzmj2BhS6fBFA3Oox1cT81Oyh8t0k94bK0AhCb/AGZVKX0VNPJ6TT3Wz5kn5qPj6kD05K1xDoF1mc5xM2HkExN9ETBs11G9ASfa/wCSva1Yve2k2DFPUfAuA+irsrpwbcmwPNxgK3bgnBgGu3oCfMoZOPp7KnMca2nTdUJltFrnuPIuizR1/qsNw3mbqutzjLi8uP8Arv8AOVN/tMzkANwdPlD6scubW/n7LN8P5myjq1m5I2vYT9V14cbUN/bOH5uVXan6X/Te/wAMqI6qnsxIewOaZa4SD4KM9ytVr04nH6CMddWANlWYZ0lT6lYAJbVMTXEi4lyiyVLLZS9gscu0+jtxqGuyDhmgq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Essa questão, muito contemporânea por sinal, está presente em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Parte da Solução&lt;/i&gt;, de Ulrich Peltzer. Por outro lado, poderíamos perguntar: o que caracterizaria uma literatura nacional na atualidade? Encontrar a resposta seria difícil. Logo, a literatura alemã dos dias de hoje (assim como qualquer outra literatura ocidental) poderia ser chamada de literatura apenas, porque a problemática discutida é comum a todo o mundo ocidental.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;Estamos em Berlim nos primeiros anos do século 21. A narrativa começa com dois velhos amigos, Christian e Jakob, vendo um documentário sobre os anos 1970. Mais precisamente sobre a turbulenta Itália daquele período, assassinatos políticos e as Brigadas Vermelhas. O primeiro é um jornalista que vive de frilas, está escrevendo um romance que não consegue levar adiante, mora de favor no apartamento da ex-mulher e tem algumas dívidas; o segundo pertence ao mundo acadêmico, é professor universitário, dá aulas sobre o Romantismo Alemão e também sobre Focault e Deleuze. Na mesma universidade há um professor de filologia românica que nos anos de juventude pertenceu à luta armada, chama-se Carl Brenner. Christian quer que seu amigo sirva de ponte para que este último coloque-o em contato com um ex-líder brigadista. Na verdade, está interessado numa matéria jornalística visando à autopromoção.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;Nos dias de hoje, quando se pensa que a juventude aderiu por completo ao mundo do consumo, Peltzer nos apresenta uma Berlim plena de resistência política. Uma resistência subterrânea, é bom dizer, em que militantes das mais diversas organizações agem de modo a enganar as autoridades, como sabotar empresas públicas, colocar obstáculos a câmeras que devassam a privacidade das pessoas, danificar máquinas de venda de bilhetes do metrô, pichar vidraças de lojas famosas, tudo com a razão de que ainda existe algo digno por se lutar.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;Mas Crhistian deseja uma entrevista com aqueles homens que no século 20 abalaram o poder e o mundo com violentos atentados políticos, ou atentados terroristas. Para a justa definição depende de que lado se esteja. Onde estarão hoje aquelas pessoas? Como sobrevivem? Então, sabemos que muitos vivem numa espécie de limbo, entre a clandestinidade e uma legalidade até certo ponto permitida. Outros abandonaram as hostes de luta e entraram para a vida burocrática de uma universidade. Também percebemos que ora é conveniente ao governo permitir-lhes asilo, ora é melhor extraditá-los, ou pedir a extradição, como assim fez Berlusconi numa espécie de campanha política.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;Mas o romance não se resume apenas nisto. Entra na história uma mulher, estudante, bonita por sinal, chamada Nelly. Inicialmente é orientada por Jakob no seu trabalho de término de curso. Através de seu professor conhece Christian, aproxima-se dele e acabam se relacionando. O velho amigo de Jakob quer um contato com alguém que pertenceu às Brigadas Vermelhas, mas, guardadas as devidas proporções, tem ao seu lado uma mulher capaz de atos também belicosos. Só que Christian vai demorar a descobrir essa face de sua namorada. Nelly pertence a uma organização de resistência senão política, ao menos ideológica. A esquerda europeia desfila diante de nossos olhos.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;O romance não faz concessão alguma ao leitor. Há uma pequena introdução, que é seguida de três partes. Uma espécie de escrita em bloco, que muda de foco constantemente de modo intercalado. Acompanhamos Christian em sua vida diária, Jakob, Nelly, Brenner, e os homens da segurança que tentam descobrir os integrantes das organizações clandestinas. O trabalho destes é frustrar as ações antes que elas aconteçam e juntar provas para condenar aqueles que atentam contra o bem público ou privado.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;Nas ações da atualidade, retratadas no livro, nada igual às explosões e aos assassinatos de três décadas passadas. São ações pontuais, mais simbólicas do que de efetivos resultados. A juventude revela que sempre está pronta para protestos seja em Berlim, seja em Zurique, em Paris ou mesmo em Roma. Às vezes ardem alguns automóveis, nada muito além do que um prejuízo a mais para as companhias de seguro.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;O mais interessante no livro, no entanto, não é propriamente todo esse périplo político.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Mas os pequenos fracassos ou pequenos sucessos de cada personagem, tanto na atuação pública quanto na esfera de suas vidas privadas, a convivência do existencial como o ideológico.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;É digna de nota a parte final do romance, chamada Belleville, bairro de Paris, onde Christian acompanhado de Nelly está prestes a conseguir sua entrevista. Um fato ocorrido em Berlim horas antes, porém, ameaça colocar tudo a perder.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;Salutar a discussão, porque a partir dela chega-se à conclusão de que o mundo não acabou depois da queda do Muro.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;color:black;"&gt;Parte da solução&lt;b style="FONT-STYLE: normal"&gt;,&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial','sans-serif';color:black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, sans-serif;color:black;"&gt;&lt;b&gt;Ulrich&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial','sans-serif';color:black;"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: normal;font-family:Arial, sans-serif;color:black;"  &gt;&lt;b&gt;Peltzer&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial','sans-serif';color:black;"&gt;, 472 páginas, Estação Liberdade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: left" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:'Arial','sans-serif';color:black;"&gt;&lt;img src="http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTgu8T6NvD8Q3hVLf3LSNIAdPpX0jqOYpIpcv1Iq9e7q8lM4RvP" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7449582468571379650?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7449582468571379650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7449582468571379650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7449582468571379650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7449582468571379650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2011/01/parte-da-solucao-ulrich-peltzer-os.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3026651744494154661</id><published>2010-12-09T23:21:00.006-02:00</published><updated>2010-12-12T19:54:20.709-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="center" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_fPSraNrmqLM/TCjJPr4NjPI/AAAAAAAAAQ0/5hCOl_6eFaY/s1600/Capa+Loja+de+Amores+Usados.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; font-family: 'Times New Roman'; "&gt;“O fim&lt;/span&gt; ab&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;raça tudo”, menos a poesia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; font-family: 'Times New Roman'; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;A primeira parte do livro &lt;i&gt;Loja de amores usados&lt;/i&gt;, de Carmen Moreno, chama-se "Morte Versus Vida", eis um trecho do primeiro poema, Movimento: "O fim abraça tudo / que mal se inicia. / Qual feto morto, / na barriga do dia." Versos prenunciando a vitória da morte, que, inclusive, aparece em primeiro lugar no próprio título. Poderíamos pensar que para essa devastação impossível de ser contida nada restaria. Mas, mergulhando livro adentro, envolvendo-se no ardor da hora poética, logo se percebe que essa morte, que a tudo e a todos devora, não consegue levar consigo a poesia. Permanece esta como marco de uma vitória, como a vida dos deuses olímpicos, que se não eram tão eternos assim, ao menos o são enquanto duram. E duram até hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Num idioma que, entre tantos poetas difíceis de serem hierarquizados, há um Camões e um Pessoa, a própria opção de escrever poemas torna-se uma temeridade. Mas Carmen Moreno arrisca-se, não teme o desafio, parecendo talhada para tal ofício. A epígrafe inicial, colhida na obra de João Cabral, aponta o propósito: "gosto de chegar ao fim, de atingir a própria cinza."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Em tudo que escreve, ela não deixa ideias nem modos de dizer na superficialidade:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Ninguém parte: aparta-se de nós / apenas o palpável. / Perde-se a casca densa do amado ser. / Seus sonhos, mirados do Alto, / a terra não morde."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Arriscar é ser mais que o medo."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Busco o poema como quem se esparrama, / tateando a cama vazia. / Quero, no colo da palavra, / a cor que falta no dia."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Na segunda parte, "Ecos da Casa", os poemas percorrem o universo da memória:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"A família se esvai, / por entre os dedos dos anos. / Encardida fotografia. Grande útero decomposto."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Trata-se, na verdade, de uma memória drummondiana, lembranças que não apenas transmitem saudade, amargor de uma vida sempre vulnerável a perdas, a separações, ao silêncio, mas essa memória também revela o peso da ancestralidade, que permanece em cada um e que é impossível ser descartada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"A família tomba sobre nós com seus guardados. / Quem seríamos, sem tantas vozes compondo nossos passos?"&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Versos que nos lançam à presença perene daqueles que nos antecederam, presenças em pequenos gestos, olhares, palavras perdidas, impossível se livrar do passado, impossível a autossuficiência:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Meu pai morava no desamparo. / Sorte, que a casa amparava sorriso nas frestas de cal, / nas tréguas do caos. / E havia alegrias resistentes nos cantos dos quartos, /&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;nas rosas das janelas... / E havia o movimento dos irmãos, / e as mãos da mulher partindo pedaços de pão, / para não perdermos o caminho."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Mais adiante:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Tenho minha mãe entre as pernas, / Há anos tento pari-la, pari-la de mim, / mas minha mãe não se desgarra."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;E, ainda uma vez, a própria poesia surge (metaforicamente, é claro) como um meio de salvação, uma barreira capaz de nos proteger das mazelas do dia-a-dia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Vem, poema, me salva do sorriso de minha mãe, / da loucura da minha irmã."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Momento em que alegria e loucura se unem, porque, tanto no universo familiar quanto no percurso da memória, a palavra surge como meio de organização do mundo, não a palavra comum, mas a da poesia, a palavra surpreendente, a palavra até mesmo impossível.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Na terceira parte, "De Cama e Cortes", o livro enfoca o papel do amor, também como antídoto à solidão, ao caos provocado pela inexplicabilidade da vida. A sedução se faz presente como tentativa de driblar a morte:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Os amantes se penetram. / Injetam-se no outro, e perdem o rosto."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"De que recanto do amor o pássaro da morte / levou no bico o teu beijo."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;A temática da morte, como nos grandes poetas de nossa língua, quase sempre se faz presente no texto de Carmen, ora apontando a dualidade amor versus morte, ora vida versus morte, que na verdade tem como origem o próprio amor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Apesar da divisão do livro em partes, torna-se impossível ocultar temas recorrentes. Memória, amor e morte sempre reaparecem para configurar uma tessitura poética coesa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"Acariciar sonhos, / enchendo gavetas de guardados. / Amarelados papéis, roídos por baratas e tempo."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;A última parte, "Sobre Saias e Sobre (saltos)” enfoca especificamente a condição feminina, apresentando questões do tempo, que apontam o papel da mulher na contemporaneidade:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"A mulher que mora em mim tem tantos mundos, / que todos os homens sou eu." Aqui a mulher tornando-se uma entre todos os gêneros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"O amor roçou no tempo até esgarçar-se de vez, por excessos. / Quando caminho as coxas roçam uma na outra, por excessos. / Cortar gorduras é exercício estóico (às vezes esmoreço e espreguiço). / Mas tenho apreço pela assepsia da alma: limpo desde menina o lixo entranhado na história."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Ou ainda:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;"escondo a barriga sem lipo, / mas a alma - renovada - mostra a cara."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Neste trecho, apresentam-se as exigências da modernidade em oposição ao desejo do eu poético pela autenticidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;E há também a crítica ao universo masculino, este equilibrado no fio tênue entre o desejo do macho e sua fragilidade, a inobservância do masculino pelo próprio reflexo, difícil de ser admitido:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;“viril de crachá / ele é macho de etiqueta / lançar-se no pódio / é sua muleta / Para qualquer suspeito / ele arma sua mira / persegue o &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt; / que o espelho lhe atira!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;    &lt;span&gt;Carmen Moreno é autora de vários livros, tanto de ficção como de poesia. Este &lt;i&gt;Loja de amores usados&lt;/i&gt; vem apenas confirmar um talento que há muito se destaca, e revelar uma poeta que sabe trabalhar tanto com os temas universalmente abordados pela poesia, como com aqueles que fazem parte do tempo presente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Loja de amores usados&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;Carmen Moreno&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;Editora Multifoco, 119 páginas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;span&gt;Encomendas: &lt;a href="http://vendas@editoramultifoco.com.br/"&gt;vendas@editoramultifoco.com.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3026651744494154661?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3026651744494154661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3026651744494154661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3026651744494154661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3026651744494154661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/12/o-fim-ab-raca-tudo-menos-poesia.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_fPSraNrmqLM/TCjJPr4NjPI/AAAAAAAAAQ0/5hCOl_6eFaY/s72-c/Capa+Loja+de+Amores+Usados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3706441373138317355</id><published>2010-12-02T21:25:00.004-02:00</published><updated>2010-12-02T21:37:40.162-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;A capa da Fama&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;Em seu primeiro &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;romance depois &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;da consagração &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;com ‘O filho &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;eterno’, Cristovão &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;Tezza constrói &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;personagem &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;que é um escritor &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large; "&gt;famoso e inseguro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Um escritor ao desamparo, pode-se dizer sobre o tema do novo livro de Cristovão Tezza. O personagem principal é um autor já famoso, ganhador do prêmio Jabuti. Ele se vê numa cidade estranha, Curitiba, para onde fora divulgar o novo livro. Na primeira noite na cidade conhece uma mulher chamada Beatriz, por quem logo se apaixona, convidando-a para ser sua secretária, uma espécie de leitora especial para o livro que pretende lançar em breve. No dia seguinte cancela a viagem de volta e, à noite, vai à casa dela com uma garrafa de vinho. Ao chegar diz: “cometi um erro emocional. Eu me apaixonei por você”. Dali surgirá um embate tenso, não propriamente permeado por palavras, mas por silêncios, pensamentos, diálogos com personagem imaginários, discussões consigo mesmo a respeito do que o outro traz à mente, ou de que carta esconde na manga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Os dois personagens se colocam frente a frente, tendo como pretexto a literatura, mas o que escorre nesse fio de lágrimas, vinho e sangue é a vida de cada um, o desamparo a que ambos estão submetidos, à intensa solidão que compartilham sem o saber. O tempo em que os dois se movem é curto, uma noite apenas, mas o suficiente para que, em monólogos interiores, em fluxos de pensamento, saiba-se sobre a origem de cada um, suas dores, inquietações, traumas, perdas e a relação com outros personagens adjacentes, sobretudo os que lhes infernizaram a vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O escritor, admirado por sua leitora voraz chamada Beatriz, não demonstra ser o mesmo quando despido da pele de autor. Ele é alguém premiado, admirado por todos, mas na vida cotidiana é de uma terrível fragilidade, um autista, como pensa a personagem que o confronta, nem é capaz de chegar à janela para admirar a vista lá de cima. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A pretexto de discutir literatura, o que vem à tona é a necessidade de espantar os fantasmas do passado representados pela ex-mulher e pelo filho que o ignora. Para tirar a diferença, há Beatriz, a nova mulher, com quem ele tem esperança de recomeçar. Ela também tem seus problemas, mas parece saber lidar melhor com a solidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Cristrovão Tezza apresenta também como questão neste livro a precariedade do homem que se encontra sob a capa da fama, alguém cujos leitores costumam ver como uma espécie de super-homem. Um artista, uma vez que cria personagens tão fascinantes, não seria possível em pessoa ser tão medíocre. Mas é isso que acontece. À medida que a noite se esvai, à medida que a garrafa de vinho se esvazia, intensifica-se o temor pela chegada da hora da despedida. Cria-se então sempre um pretexto para se ficar mais um pouco: uma xícara de chá, um café bem forte, uma nova garrafa de vinho. E tenta-se de novo, recomeça-se o embate, como se o anterior estivesse sendo passado a limpo, como se existisse um meio de se escapar da solidão, do desamparo, enfim da morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A narrativa em terceira pessoa, tendo como contraponto os dois personagens remoendo suas memórias e, sobretudo, Beatriz a conversar com uma amiga imaginária a respeito da noite vivida com Paulo Donetti, o escritor, proporciona boa proximidade temporal, e faz desse narrador mais um espectador das angústias alheias do que alguém capaz de determinar-lhes os passos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Um erro emocional&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;novo livro do mesmo autor de &lt;i&gt;O filho eterno&lt;/i&gt;, obra anterior com que ele abocanhou praticamente todos os prêmios literários e que lhe permitiu dedicar-se integralmente à literatura, não deixa a desejar. É importante que no atual momento da literatura brasileira, escritores como Cristovão Tezza saibam sair-se bem da síndrome de seu livro mais famoso, mostrando que o risco e a fragilidade de todo autor podem servir de assunto para uma nova obra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O escritor, nascido em Santa Catarina mas criado em Curitiba, trata com maestria esse tema, na verdade inquietações de todos aqueles que sabem que o tamanho da vaidade é sempre maior do que o do talento, de quem após colher os louros da vitória começa a beirar a repetição, a colecionar críticas desfavoráveis, acabando por se tornar um fantasma para si próprio. Seria melhor acreditar que somos eternamente geniais.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Um erro emocional. Cristovão Tezza.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Record. 192 páginas. R$ 34,90&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif; font-size: small; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif; font-size: small; "&gt;Haron Gamal - Jornal do Brasil | Sábado, 27 de novembro de 2010&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3706441373138317355?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3706441373138317355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3706441373138317355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3706441373138317355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3706441373138317355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/12/capa-da-fama-em-seu-primeiro-romance.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-6814372625273612919</id><published>2010-11-11T08:04:00.005-02:00</published><updated>2010-11-11T08:38:11.852-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;&lt;img src="http://estilingues.files.wordpress.com/2010/09/dsc04161.jpg?w=300&amp;amp;h=225" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;Literatura: amor nada vago&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;A literatura brota onde se menos espera. É o que se pode dizer ao terminar uma primeira leitura de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Amores Vagos&lt;/i&gt;, livro publicado pela editora Alternativa, coletânea de sete autores que um dia se conheceram numa oficina literária e depois seguiram seus próprios caminhos, publicaram e tornaram-se até certo ponto conhecidos. Esses mesmos autores encontraram-se mais de uma década depois e resolveram lançar um livro em conjunto. É essa a história desses &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Amores vagos&lt;/i&gt;. Tal decisão deve-se a um projeto em comum, ao qual deram o nome de “estilingues”. Isso mesmo, como o estilingue que no passado era feito a partir de uma forquilha e de um pedaço de borracha. Um artefato que lançava pedras. Só que o estilingue de Alexandre Brandão e de mais seis outras escritoras (isso mesmo, todas as outras são mulheres) serve para arremessar livros. Leiam-se os livros e os lancem adiante, assim a literatura circula sem os impedimentos existentes no Brasil quanto à sua comercialização e circulação. Há até uma página para cada leitor escrever seu nome, necessidade de saber por onde andam os filhos, ou, aliás, os livros, na verdade uma espécie de filhos. Não desejam perdê-los de vista. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Além do belo aspecto gráfico e do fino acabamento, como não poderia deixar de acontecer o pequeno volume traz quatorze narrativas, duas de cada autor, ou autora. A poesia comparece através de páginas em prosa, páginas requintadas, onde a palavra namora na fronteira do abismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Nilma Lacerda, no primeiro conto, apresenta uma menina que tem uma relação quase carnal com a leitura. A mãe, apesar da origem pobre, regala a filha com livros, a despeito da opinião contrária de outros parentes. No final, ante a desconfiança da uma tia idosa, a jovem leitora conclui: “que ingênua a minha mãe. Teolinda não, sabia dos riscos, sabia das coisas do corpo entre o livro e uma menina”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Alexandre Brandão nos traz em “Dois lances do minúsculo amor” um homem dilacerado pelo amor não correspondido. Alguém capaz de se atirar a todos desvarios para reconquistar a mulher, ou mesmo esquecê-la: “O que me restou foi apenas aquela noite vasta e de escuridão imensurável. [...] Parei aqui, ali. Bebi até a morte. [...] Encontrei o chino. Joguei com o chino. Apostei até a alma. Perdi a alma.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Em “Os olhos de Filipa”, Sonia Peçanha conta um episódio da infância de uma menina que se divide entre o amor por uma boneca e o esconderijo em que permanece alheia ao mundo circundante. Um incêndio, no entanto, muda-lhe o destino. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Constelações”, de Vânia Osório, é constituído por três pequenas histórias, talvez as narrativas que mais se aproximam da poesia, destacando-se o texto “Eterna menina”, e “Noite feliz”; neste, há uma menina que se vê subitamente só no mundo, tendo como companheiro apenas seu cachorro, chamado Plutão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Marilena Moraes adentra o universo da Internet, fazendo um personagem tímido adotar inúmeros disfarces por meio dos quais ele experimenta tudo que na vida “real” não teria coragem de experimentar. A questão principal é que no final, de tanto estar na pele dos outros, ele acaba por não saber mais quem é.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Magnífica”, de Cristina Zarur, aborda a vida de um homem decadente que tem na paixão pela cachaça do mesmo nome o motivo que lhe resta para continuar vivo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Miriam Mambrini, em “Um homem sem sentimentos” transita no mesmo universo de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O homem sem qualidades&lt;/i&gt;, de Robert Musil, mas aqui criando um personagem frio, sem compaixão, cujo sentimento é despertado quando um pardal invade seu escritório e ele não tem coragem de esmagá-lo. A partir daí, tal qual um dependente químico às avessas, ele vai lamentar as oportunidades perdidas por se ter deixado vencer pelo seu lado sentimental.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;A partir deste ponto, repetem-se os autores com mais uma narrativa cada um, todas tendo como motivo a temática de amores e desamores, não excluindo a perspectiva de um romance incestuoso, nem da mulher que adota a prostituição como meio de dar mais conforto à própria mãe. Não falta o tom rodriguiano, em “Quinze”, de Miriam Mambrini, quando uma mulher confessa, no fim da vida, que o único filho do casal era de outro homem, sendo prontamente perdoada pelo marido, porque este já sabia&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Pergunta-se muitas vezes o que caracteriza a literatura. E em tantas outras vezes temos dificuldade de responder. O que se pode deduzir deste simpático livro é que a literatura está no constante esforço dos autores em escrever e reescrever suas histórias tentando voos lingüísticos como os que vão a seguir: “O tapa escuro da noite recebe-o na calçada” (Sônia Peçanha), “a vida tomada pelo verso, lambida pelo verso, cada palavra tomada a sal e pimenta” (Nilma Lacerda), “Não vale a pena sair de um sonho de amor, convenço-me”, (Alexandre Brandão), “Como poeta chegou perto, tão perto que, a exemplo de Ícaro, quase sucumbiu ao calor da poesia” (Vânia Osório), “Quem sabe alguém me acessa numa conexão banda larga? Teria prazer em ser plugado a qualquer hora, de passear por aí como link, viajar numa rede wi-fi, encontrar outro byte perdido, entrar com estilo em alguma formatação de vida” (Marilena Moraes), “o que é belo passa rápido. A beleza se consome em fogos de artifício” (Cristina Zarur), “Fera, meu amigo, estou fudido” (Miriam Mambrini).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Amores Vagos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Alexandre Brandão, Cristina Zarur, Marilena Moraes, Miriam Mambrini, Nilma Lacerda, Sônia Peçanha, Vânia Cardoso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ed. Alternativa, 142 páginas&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Encomendas: &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial, sans-serif; font-size: 18px; color: rgb(204, 0, 0); line-height: 27px; "&gt;&lt;a href="http://www.google.com/url?sa=D&amp;amp;q=http://estilingues.wordpress.com/&amp;amp;usg=AFQjCNFglZqJfbfJTQZJQ6rFoYOdC7Q1OQ"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;estilingues&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. wordpress. com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-6814372625273612919?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/6814372625273612919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=6814372625273612919' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/6814372625273612919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/6814372625273612919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/11/literatura-amor-nada-vago-literatura.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3502645467644368813</id><published>2010-10-12T08:12:00.007-03:00</published><updated>2011-03-02T22:57:21.983-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia; font-size: medium; "&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Casamento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Marta desceu a escada da varanda de casa. Estava quase junto às areias da praia. Era costume seu todos dias ainda permanecer um quarto de hora na cama, depois vestir o biquíni e sair para a beira do mar. Caso o sol já estivesse quente, ou já o sentisse na pele mesmo de modo brando, sentava-se diante do mar e admirava o horizonte. Pensava qual seria a distância em que céu e mar aparentemente se tocavam. No verão, aproveitava para mergulhar logo cedo, sentir a temperatura da água a estimular-lhe a pulsação. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O dia era especial para ela. Sorriu ao lembrar-se. Aliás, toda mulher estaria feliz por viver a perspectiva de um dia como o de Marta. Como sempre, deu os passos costumeiros e foi quase até à beira d'água. Sentou e se espreguiçou. Recostou diretamente na areia sem se preocupar com os pequenos grãos que lhe grudavam na pele. Olhou para o céu. Depois de alguns segundos fechou os olhos para ouvir melhor o estouro da arrebentação. Aquela praia era um refúgio onde quase ninguém aparecia. O barulho de um vento brando e o marulhar lhe faziam constante companhia. Um ruído diferente, no entanto, atraiu sua atenção. Era um som que vinha de uma certa altura. Abriu os olhos e viu no céu uma enorme pipa. Reparou que o ruído era provocado pela resistência das as asas do objeto contra o ar. Seguiu o grosso fio que sustentava a pipa, acompanhou seu peso através de uma espécie de barriga que o cordão fazia no ar. Pela altitude, quem a conduzia não devia estar longe. Marta não quis voltar-se, gostava de estar sozinha aquela hora, preferia não dar pelo inoportuno, que pouco a pouco se aproximava.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Não demorou e surgiu-lhe o homem às costas. O condutor do enorme objeto voador era um senhor, isso mesmo, alguém de meia idade. Passou ao lado dela, a uns dez metros, não deixou de lhe desejar um sonoro "bom dia", e continuou seus passos lentos até molhar os pés e tornozelos dentro do mar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Marta teve vontade de dar as costas e voltar para casa. Ainda não tinha feito o café, e ansiava por uma xícara. O homem, porém, tinha os cabelos grisalhos, e eram fartos. Não deixou de observá-los. Surpreendeu-se com a quantidade de cabelos para alguém que já devia ter passado dos quarenta, ou mesmo dos cinquenta. Quando ainda não resolvera levantar-se, ouviu o homem:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Bonito, não?" Após as duas palavras, olhou na direção da pipa, fazendo de conta que apresentava o objeto à mulher. Continuou: "Custou-me dois dias de trabalho", virou-se mais uma vez para ela e sorriu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Marta não quis ser indelicada. O homem parecia simpático. Não era um intruso qualquer, seu único interesse parecia ser suas asas voadoras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Belo lugar, não o conhecia, você vem sempre aqui?", sua voz límpida não levou em conta que ambos eram desconhecidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Mais ou menos", foi a resposta de Marta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Ele sorriu mais uma vez, sempre com a atenção voltada para a pipa. "Sou de Blumenau, estou viajando a trabalho, mas você não imagina como sou apaixonado por praias e pipas."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Foi a vez de Marta sorrir. Parecia sincero: apaixonado por praias e pipas. Ela achou sonora a expressão. Pelo menos não viera importuná-la como faziam os rapazes que apareciam na praia um pouco mais tarde. Aquele papagaio segurado pelo grosso cordão, aproveitando o vento que não cessava, era a verdadeira intenção do homem de meia idade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Carlos Alberto, desculpe-me, acordei indelicado hoje, nem me apresentei. Deve ser por causa desse mar maravilhoso e dessa pipa monstruosa", acabou de falar e Marta pode reparar seus dentes muito brancos. Parecia realmente um homem muito bem cuidado, alguém que se preocupava com os detalhes. Sim, para ela, os detalhes sempre foram o mais importante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Marta", pronunciou seu nome, sua voz não soou alta, mas no tom suficiente para que pudesse ouvir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Você é dessa região?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Sim e não."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Suas respostas são interessantes: 'mais ou menos, sim e não'."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"É que não nasci aqui, mas vivo aqui desde criança."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Agora, sim, agora você foi clara como o céu, como a luz desse imenso sol."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Marta gostou daquelas palavras. Pareciam as palavras de alguém muito feliz. Ela olhou mais uma vez para a pipa, para o longo cordão e para o homem, prestou atenção ao seu esforço de empiná-la cada vez de modo mais elegante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Você me dá licença, mas tenho de ir", disse a mulher. "Adeus."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Ele deixou a pipa no ar, cuidada apenas pelo vento. Segurava o cordão, mas já não olhava na sua direção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Ei, espere, a manhã está tão bonita, fique mais um pouco."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Marta percebeu que o rosto dele se franziu, que aguardava ansioso por uma resposta. Desejava sua permanência, mesmo que precária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Ela voltou-se, chegou a dar uns passos, estacou e disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Sabe, é que hoje é um dia especial para mim."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Especial? Que bom saber disso! Então me conte, quero saber por quê."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Ela deu um longo suspiro, piscou os olhos, viu que uma onda maior se desfazia em espuma e vinha desordenada em direção à areia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Está vendo aquela casa logo ali?", apontou a ele, "é onde moro; acordei e saí imediatamente, nem tomei café. Estou seca por um café. Espere então um pouco que eu volto. Volto e prometo que lhe conto porque hoje é um dia especial para mim."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Caminhou de volta até a escadinha que levava à varanda. No meio do caminho teve a intenção de olhar trás. Queria saber se o homem a apreciava. Sua seminudez provocava. Mas seguiu. Não se deixou tomar pela curiosidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Quando voltou, ele estava voltado para o mar. A pipa, segura no ar; o cordão a sustentava e estava amarrado a uma pedra. O homem parecia um Buda a meditar, os olhos cerrados, alheio ao mundo à sua volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Café?", sua mão direita estendia a ele uma caneca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Alberto abriu os olhos sem se mexer. Apreciou Marta de rabo de olho. Depois, ainda vagaroso, desfez-se da posição e segurou o café.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Obrigado!"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Me desculpe se despertei você do seu transe..."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Oh, nada disso, sua presença é mais importante."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Desinteressou-se da pipa?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Não, claro que não. Ela é capaz de voar sozinha. Ela e o vento", levantou o rosto e a admirou. "Seu café está delicioso."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Sou péssima cozinheira."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Não diga? Você está sendo modesta. Gosto de café forte. Conseguiu me satisfazer. E, olhe, sou exigente."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Os homens são exigentes, você tem razão. Muitos aceitam qualquer coisa no começo, mas depois se tornam exigentes."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Não acredito. A única coisa que eu exijo é saber por que hoje é um dia especial para você. É seu aniversário?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Ah, sim, já ia me esquecendo. Prometi dizer o motivo. Não, não é meu aniversário. Hoje, vou me casar."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Sério?", deu uma imensa gargalhada. "Não pense que estou debochando, não. Quero lhe dar meus parabéns! Que bom! Você se casa hoje? Que ótima notícia."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Você acha mesmo ótima?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Claro que sim. Por que pensaria de modo diferente?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Geralmente as pessoas viram a cara quando uma mulher fala em casamento. Muitos até mesmo desaconselham que se case."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Não os ouçam. Case-se. Você será muito feliz?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Jura?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Claro que juro."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Mas como você sabe que vou ser feliz?", Marta parecia ter dúvidas quanto ao futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Pela sua fisionomia, tenho certeza de que você vai ser feliz. Você possui uma face luminosa."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Obrigada. Nunca conheci alguém que tivesse me dito isso."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Fala sério? As pessoas por aqui não conseguem adivinhar quando alguém vai ser feliz?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Ah, acho que não. Muitas nem querem a felicidade dos outros."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Fale-me sobre seu futuro marido. Como ele é?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"É uma pessoa boa, interessante; é muito atencioso."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Então, não há o que temer."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Acho que não. Mas às vezes penso que o problema sou eu, sabe? Sou um tanto temerária."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Não se preocupe. Ele saberá mantê-la. Os homens adoram temeridades."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Ele riu. Ela também. Permaneceram em silêncio por um longo tempo. Depois, ele tomou nas mãos a pedra que segurava o cordão da pipa. Pegou o cordão e fez alguns movimentos. O enorme papagaio mexeu-se no ar, pareceu que ia mergulhar, mas logo voltou à posição anterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Já segurou uma pipa, alguma vez?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Quando era criança, acho."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Segure, agora. Volte no tempo. Às vezes em alguns aspectos somos sempre crianças."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Marta segurou o cordão, tentou alguns movimentos. Ele a ajudou. Moveram juntos a pipa. Ela pode sentir o arfar do peito dele às suas costas. O homem era peludo. Ela sentiu uma grande vontade de abraçá-lo. Depois deixou novamente o cordão nas mãos dele, virou de frente, olhou diretamente seu rosto e sorriu."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Dizem que os homens na noite anterior ao casamento fazem uma despedida de solteiro. É verdade?", ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Os homens e também as mulheres, por que não?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Não me despedi. Tenho apenas duas amigas e elas estão viajando."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Creio não haver problema. Você também pode se despedir da sua vida de solteira sozinha, pode namorar este mar, este céu, o sol."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"É, acho que posso."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Onde vocês vão passar a lua de mel?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Vamos viajar para a Bahia."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Que beleza, a Bahia. O melhor lugar do mundo. Sabia que houve um filósofo francês que sempre vinha à Bahia nas férias? Dizem que não saía de lá. Pena que ele morreu. Mas há outros estrangeiros que adoram a Bahia. Um longo e belo litoral. Muitas praias desertas, a água quente, sempre quente!"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Vamos mergulhar?", perguntou Marta. "Não quero me despedir daqui porque vou voltar. Vamos continuar morando aqui por uns tempos."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Ótimo. Entremos no mar", prendeu o cordão da pipa novamente na pedra, caminharam até à beira d'água e mergulharam. Nadaram mar adentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Olhe", apontou ele à pipa, “está se movendo sozinha, de um lado a outro. Mas creio que continuará pairando acima de nós."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;"Lembra que eu disse que sou temerária? Assim como sua pipa. Mas acho que vou conseguir ficar por cima. É sobre o casamento, sabe."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Nadaram mais um pouco. Ele ainda voltou-se para a pipa, observou que se mantinha aprumada. Sentiu então a mão de Marta a tocar-lhe o ombro, depois o peito. Voltou-se para ela. Ela sorria. Um sorriso luminoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Ambos se aprofundaram no mar bravio. Não pensaram que se distanciavam da costa. Preferiam aquelas águas agitadas. Talvez fosse mais fácil domá-las do que domar as intempéries provocadas pelo amor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black; "&gt;Naquela manhã se amaram. Ainda que apenas aquela vez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3502645467644368813?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3502645467644368813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3502645467644368813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3502645467644368813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3502645467644368813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/10/casamento-marta-desceu-escada-da.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-8961705474971661706</id><published>2010-10-09T14:51:00.001-03:00</published><updated>2011-03-02T23:06:12.460-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;Esqueça isso, sobre eleições&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Desci para ir à banca de jornal. Era segunda de manhã. No meio do caminho, encontrei o Jofre. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Oi”, falou quase me segurando por um dos braços, “já sabe o resultado das eleições?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Fiz que não com a cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Tanto sacrifício à toa, esses palhaços vão estar por cima por mais quatro anos.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Eu não tinha visto a TV nem ouvido o rádio. Ia até a banca, mas também não era para saber sobre eleições. Até mesmo esqueci que tinha havido eleições.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Lembra-se daquilo que lhe falei na última vez em que estivemos juntos?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Não esperou que eu respondesse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Aconteceu exatamente o que eu temia.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Fiz menção de continuar o meu caminho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Mas ouça, isso não pode ficar assim, são os mesmos que sofrem os que votam nesses caras. Acham que as coisas acontecem porque têm de acontecer.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Fiz um movimento vago, que podia ser interpretado como concordância.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Vai comprar o jornal?”, perguntou, “posso ir com você?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Fiquei vendo filmes até muito tarde, me esqueci de tudo.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Que filmes você assistiu?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Alguns que estavam na casa de meu pai. Fui até lá, ontem. Encontrei-os e resolvi trazê-los.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Vou até a banca com você.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Tudo bem. Sabe quem me procurou, na sexta?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Não.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“O Reinaldo.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“O Reinaldo?”, surpreendeu-se. “Não o vejo faz tempo. Acho que não tem aparecido por aqui. E o que ele queria?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Disse que ia fazer uma viagem, ficar fora por uns meses, não sei. Não acreditei muito na história dele.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“O Reinaldo é uma pessoa estranha. Ninguém consegue entendê-lo. Certa vez, pensei que fosse viciado em algum tipo de droga. Mas nem pra isso ele serve. Bebe um pouco, fala umas besteiras e desaparece por uns tempos.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Acho você muito exigente com ele. Todos têm seus problemas.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Tínhamos chegado à banca de jornal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Olhe só a cara do palhaço. Já colocaram a foto na primeira página. Esses jornais subservientes apoiam todos que lhes dão algum trocado.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Olhei uma revista. Não era sobre política. Futilidades. Mas era o que me interessava. Peguei um exemplar e paguei ao dono da banca. Jofre me olhou enviesado. Mas nada falou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Vou tomar um café, em casa não tenho mais açúcar”, eu disse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Atravessamos a rua e entramos no bar. Acabou me acompanhando. Em um canto, dois homens ainda conversavam sobre as eleições. Notei que Jofre esforçou-se para ouvi-los, mas logo desistiu. Bebemos nossos cafés. Pagou o dele e o meu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Vamos até lá em casa”, falei. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Tomei-o pelo braço e seguimos de volta. Pareceu animar-se, esboçou um ligeiro sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Quando entramos, abracei-o. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Esqueça isso, sobre eleições, eles não vão conseguir reger nossas vidas”, terminei a última palavra e o beijei na boca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Falou, quase em surdina:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Não sei, Joana. Mas talvez você tenha razão.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Recostamo-nos no sofá, ainda abraçados um ao outro.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-8961705474971661706?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/8961705474971661706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=8961705474971661706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8961705474971661706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8961705474971661706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/10/esqueca-isso-sobre-eleicoes-eu-desci.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-795525306087285454</id><published>2010-09-25T15:44:00.002-03:00</published><updated>2010-09-25T15:45:28.386-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Tahoma; font-size: 12px; color: rgb(51, 51, 51); "&gt;&lt;span class="txt24_sub" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; vertical-align: baseline; font-family: Tahoma; font-size: 24px; color: rgb(51, 51, 51); "&gt;Entre a paixão e o pensamento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="clearfix clear_both margin_t_20" style="margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; vertical-align: baseline; font-family: Tahoma; clear: both; display: block; "&gt;&lt;strong style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; vertical-align: baseline; font-family: Tahoma; "&gt;Resenha do livro de poemas de Ronaldo Lima Lins&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; vertical-align: baseline; font-family: Tahoma; "&gt;Mais do que a areia menos do que a pedra&lt;/em&gt; é o novo livro de Ronaldo Lima Lins. Conhecido ensaísta, romancista e professor de teoria literária da UFRJ, ele lança seu primeiro livro de poesia. Para quem já se acostumou à refinada prosa de reflexão presente tanto em seus romances como em seus livros de crítica da cultura, seus poemas não traem o pensamento filosófico do autor e contribuem para enriquecer o atual panorama da literatura em língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo poeta certamente deseja que sua produção seja original e, ao mesmo tempo, apresente com maestria os temas que sempre frequentaram a alta literatura. Uma vez que a gênese do autor é a filosofia, teorias que discutem questões existenciais e/ou sociais, seu texto poético também parte do pensamento crítico. Mas nele não deixa de estar presente uma grande dose de emoção. Os poemas de Ronaldo Lima Lins sugerem que, para a consolidação do pensamento crítico, o autor precisa trafegar também na via da poesia. Sempre que as perspectivas de soluções engendradas pelo método ameaçam naufragar, a poesia surge plena de possibilidades, mostrando que na criação estética está uma das principais saídas para o ser humano. Isso não quer dizer que, além da prevalência do caráter estético, poemas não levariam o homem a um novo patamar de indagações. Talvez aqueles que no decorrer da vida conseguiram atingir a maturidade nas suas reflexões tenham percebido que a poesia é a forma que nos resta para tentar uma espécie de salvaguarda existencial, a partir do momento em que caíram por terra muitas das perspectivas filosóficas.&lt;br /&gt;O poema é uma construção estética que não tem compromisso com a explicação de sistemas nem com a apresentação de respostas. Sua necessidade estaria no fato de o poeta captar o “eu” dilacerado do ser humano para que, através desta arte feita de palavras, rearticulasse a humanidade perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filiação literária de Lima Lins remonta aos trovadores, navega nas mesmas águas de Camões, passa ao longo da modernidade por Baudelaire. Na literatura brasileira, estão presentes, como também afiança o prefaciador J. M. Neistein, Augusto dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade e mais discretamente João Cabral de Melo Neto. Da filosofia, dentre muitos autores – difícil enumerar todos eles – , percebe-se a forte presença da teoria crítica. Adorno foi um autor que fez a crítica da cultura através da arte. Ronaldo Lima Lins segue seus passos, somando sua visão de mundo bastante pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é dividido em três partes: “Mais do que a areia menos do que a pedra”; “O direito pelo avesso o avesso pelo direito”; e “Chegar para partir”.&lt;br /&gt;Já na epígrafe de Victor Hugo, é anunciada a proposta poética do professor Ronaldo: “Pois a poesia verdadeira, a poesia completa, está na harmonia dos contrários”. Sua construção poética vai gravitar na tensão imanente em que trafega a própria literatura: forma e conteúdo, metonímia e metáfora, antíteses, paradoxos, diálogos entre os temas da literatura e da filosofia, diálogos com outros autores e, enfim, a dialética da dor e de uma espécie de esperança, que somente a arte poderia acalentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na abertura, o poema “Odores” apresenta os sentidos não em oposição ao espírito, à imaginação, à memória ou ao sonho, mas como meio de despertá-los. “Algumas lembranças surgem / perfumadas. / Evocam momentos. / Eternizam instantes”. Mais adiante: “Se fosse possível / construir/ um sonho, / eu / começaria abrindo esse frasco / De magia.” Resta a possibilidade de tentar a palavra impossível, o sonho de todo poeta: “deixaria que os odores me viessem / com tudo / que não pode ser dito. / Só com eles atingiria o infinito. [...] Lá onde o sol não se põe / e as estrelas cintilam no horizonte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema “Chocolates de Pessoa” retoma Fernando Pessoa de uma forma lúdica, e mostra “os ideais traídos”: “Os chocolates de Pessoa / têm um sabor amargo. / Não se dissolvem na boca, / não lembram festas juninas. / [...] São doces da maturidade / cozidos com ingredientes / exóticos entre pitadas de / sal e frutos da consciência. / Formam navios à deriva de / navegações sem farol sobre os / mares em fúria de ideais traídos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “O momento”, o autor descobre que somente a paixão é capaz de movê-lo, e isto se dá através de um aparente paradoxo, a observação de uma escultura: “Um beijo de mármore / de uma estátua de Rodin / roubou-me / do veneno da / paralisia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois poemas, na parte final, são bastante representativos ao apresentar uma realidade que não acontece ao acaso e que exige do ser humano o cumprimento do seu papel no vasto teatro do mundo. São eles “Catástrofes” e “Ouvir tambores”. Eis alguns versos do primeiro: “Catástrofe / é o que se dá / quando um mundo desaba / e leva a vida de roldão. / Os homens / são arquitetos, / vanguarda da sua ação. / Armados marcham, / queimam e devastam / o que lhes impede o caminho. / [...] Homens que se afastaram / por um tempo, / ao voltar, / encontraram ruínas: / casas, ruas, famílias, / templos e credos / sob escombros. / Quase desmoronaram. / Mas um deles, / com argamassa / e pá de pedreiro, / começou a empilhar os tijolos. / Não dizia nada: agia. / Outros o acompanharam. Uma febre.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo poema há, no início, o chamado através do bater de tambores: “Ouvi tambores. / Eles batiam sincopados, / como se me chamassem. / Tum! Tum! Tum.” Uma série de vidas, toda uma tradição visita o poeta: “Fisionomias conhecidas, / que me visitavam, / com gestos / e movimentos de corpo, / montavam um teatro / que só existia para mim. / Tum! Tum! Tum! [...] Escorreguei / num fio de esperança. / Senti que caía / numa rede de distâncias / e aproximações. / À maneira de um trapezista, / com um passo em falso, / num clamor de espanto / voei para o abismo.” No final é a consciência que irá predominar, ainda que despertada pelos sentidos: “Um gosto / de morangos silvestres / despertou meu paladar. / Tum! Tum! Tum!” Enfim, o poeta encontra uma porta para ao menos um sinal de salvação, que, na verdade, está no pensamento e nele mesmo: “O pensamento que me ocorre / é mais duro, mais forte / e mais definitivo do que eu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a poesia seja isso: tambores. Uma espécie de chamado que desperta e procura na dialética entre as paixões e o pensamento uma síntese do humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; vertical-align: baseline; font-family: Tahoma; "&gt;Mais do que a areia menos do que a pedra&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ronaldo Lima Lins&lt;br /&gt;7 Letras&lt;br /&gt;281 páginas&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-795525306087285454?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/795525306087285454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=795525306087285454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/795525306087285454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/795525306087285454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/09/entre-paixao-e-o-pensamento-resenha-do.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-851656725177374468</id><published>2010-08-23T11:48:00.002-03:00</published><updated>2010-08-23T11:56:19.951-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A bordo da Vespúcia&lt;/span&gt;(18/08/2010)&lt;br /&gt;&lt;a title="Clique na Imagem para Ampliar" href="http://www.maquinariaeditora.com.br/site/images/noticias/vespucianot.jpg" rel="lightbox"&gt;&lt;/a&gt;por Haron Gamal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vespúcia do Sul, de Paulo de Paiva Serran, é um livro de aventuras. O narrador é um jornalista que vive constantemente na corda bamba, ameaçado de perder o emprego.Ao começar a contar sua história, diz: "Lá pela virada do milênio, quando eu tinha tudo na vida. Emprego, namorada, dinheiro, carro, eu tinha tudo.Menos vida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse narrador decaído, que nos lembra detetives de romances noir, vamos saber a história de Emanuel, um velho caçador de tesouros, fanático por relatos de naufrágios. A narrativa se inicia em Cabo Frio, passa pelo Rio, depois segue para Pernambuco, aonde o personagem viaja com o intuito de produzir matéria sobre artes plásticas mas acaba investigando a suposta morte do velho capitão da embarcação Vespúcia do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enigmático nome surge em homenagem a um dos primeiros desbravadores da costa brasileira, Américo Vespúcio. O continente, segundo Emanuel, deveria ter o mesmo nome do seu barco, porque, em todas as ocasiões, o sobrenome prevalece: "Pra começar: por que diabos América e não Vespúcia? Afinal de contas, não é Cristóvia, mas Colômbia. Não é Pedrália, mas Cabrália. O estreito é de Magalhães, e não de Fernão. Vespúcia combina muito mais e soa muito melhor!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade Emanuel está atrás do tesouro que, segundo a lenda, vinha numa das naus da mesma expedição em que viajava Vespúcio, a nau capitaneada por Gonçalo Coelho, que naufragou nas proximidades de Fernando de Noronha. O tesouro, que estaria na nau capitânia, foi transladado para a nau de Vespúcio. Este, continuando a navegação rumo ao sul, teria costeado Cabo Frio e ancorado. Ali, teria desembarcado as peças valiosas dentro de uma arca e a enterrado nas imediações da antiga feitoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor segue a trilha aberta por Stevenson no clássico A ilha do tesouro, romance também de aventuras no mar em que o narrador Jim Hawkins passa por sérios perigos até alcançar seu objetivo. Em Vespúcia do Sul, João parte em busca não propriamente de um tesouro, mas de uma boa história capaz de lhe render algum lucro e de mantê-lo empregado no jornal.  Na literatura brasileira, o périplo aberto por Stevenson encontra ressonância na obra do escritor brasileiro de nome dinamarquês Per Johns, sobretudo no livro Aves de Cassandra, ao qual o livro de Serran se filia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra via que se pode seguir é a do romance noir, devido às peripécias vividas pelo narrador ao viajar para o Nordeste. A princípio, vai com o objetivo de fazer uma espécie de documentário sobre o artista plástico Francisco Brennand, mas casualmente se depara com um dos tripulantes que teria morrido no naufrágio da Vespúcia do Sul.Neste trecho da narrativa, ele vai se deparar com bandidos, prostitutas, pederastas, um menor infrator e até com uma senhora mafiosa que o intimará a deixar o Recife, caso não queira perder a vida. Não fica de fora o envolvimento amoroso, que acontece com Lindinha, mulher fatal, namorada e amante de vários outros personagens nada recomendáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vespúcia do Sul, segundo livro de Paulo de Paiva Serran, mostra a habilidade do autor em contar histórias com toda a riqueza que elas podem proporcionar, sendo estas tanto de extração histórica, de aventuras - devido às peripécias de Emanuel em busca de tesouros perdidos - de naufrágios, ou mesmo de natureza policial, o que move o fracassado jornalista ao perceber que os estranhos acontecimentos vivenciados por ele podem render uma boa reportagem.É bom deixar o restante como surpresa a ser descoberta pelo próprio leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também são dignos de louvor o cuidado gráfico e o fino acabamento editorial que o livro apresenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Jornal do Brasil&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-851656725177374468?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/851656725177374468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=851656725177374468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/851656725177374468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/851656725177374468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/08/bordo-da-vespucia-18082010-por-haron.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7240473887201047943</id><published>2010-07-20T09:35:00.001-03:00</published><updated>2010-07-20T09:35:37.529-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet ms', 'Lucida sans', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 0px; padding-bottom: 3px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; font-size: 19px; color: rgb(1, 74, 118); line-height: 1.2em; font-weight: bolder; "&gt;Obras de Frank Wedekind revelam conflitos e anseios da adolescência&lt;/h1&gt;&lt;p class="info_data" style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 30px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 10px; line-height: 1.4em; font-weight: bolder; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;div id="HOTWordsTxt" name="HOTWordsTxt" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Haron Gamal*, Jornal do Brasil&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;RIO - No posfácio à edição brasileira de &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;O despertar da primavera&lt;/i&gt;, escreve Marcus Tulius Franco Morais: “No drama, jovens desabrocham para a primavera dos sentidos e se amam no seio de uma paisagem onírica, opondo-se aos preconceitos e ao conservadorismo das instituições”. Na época predominava o naturalismo, mas o dramaturgo conseguiu, através de seu texto teatral, introduzir a discussão sobre o despertar da sexualidade nos jovens e sobre a consequente repressão a que esta discussão era submetida. O esperado debate que a peça desencadeou foi duramente reprimido, ficando o autor durante muito tempo sem poder encená-la. O texto de Wedekind, escrito entre o final de 1890 e a Páscoa de 1891, foi visto como algo capaz de abalar as instituições e a autoridade.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Inspirada na própria vida do autor, que não viveria para gozar o título de um dos mais populares dramaturgos da Alemanha, a peça aborda o percurso dos adolescentes Melchior, Wendla, Moritz, Otto, Robert, Zirschnitz, Röbel, Lämmermeier, Bessel, Thea e Ilse, e é composta quase que inteiramente de diálogos entre eles. Estão presentes suas instabilidades psicológicas em consequência da chegada da puberdade, idealizações e angústias. Aparecem também, como personagens, os pais de alguns deles e os professores, todos extremamente repressores. Frank Wedekind, quando adolescente, teve dois amigos que se suicidaram, tendo prometido a um deles contar sua história. É o que faz através do texto. Moritz Stiefel não consegue viver sua identidade sexual, atravessa vários tipos de conflitos e acaba por suicidar-se. Melchior Garbor também quase se suicida, mas é salvo no final por um personagem simbólico chamado de o Homem Disfarçado. Wendla, uma menina de apenas 14 anos, morre em decorrência de um aborto.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;A peça, que já foi encenada várias vezes nos palcos brasileiros – a mais recente delas em forma de musical, com direito à polêmica da aparição do seio da atriz Malu Rodrigues, de 16 anos – possui três atos com cinco cenas no primeiro, e sete no segundo e terceiro. Wedekind quando a escreveu chamou-a de “tragédia infantil”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Já &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;Mine-Haha&lt;/i&gt;, que tem como subtítulo &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;Sobre a educação corporal das meninas&lt;/i&gt;, inicialmente foi escrito para ser um romance, mas seu texto não chegou aos dias de hoje. Em 1903, Wedekind publicou-o como um conto, com três capítulos e mais uma pequena peça denominada o “Príncipe dos mosquitos”, que passou a integrar também o texto. Na edição brasileira, tem 60 páginas. O texto é apresentado como se Wedekind fosse, na verdade, o editor. A autoria do manuscrito é atribuída a uma senhora que, prestes a morrer, o entrega a ele. Ela conta seus primeiros anos de vida, passados num parque, onde vários grupos de meninas e meninos são criados, e toda a educação é voltada para o corpo. Em momento algum há menção a respeito da educação intelectual. Também não se fala sobre pais e mães. Na maioria das vezes, as crianças chegam ali bem pequenas e dentro de uma caixa. Elas cuidam uma das outras, sob supervisão de uma criança mais velha. A partir de determinada idade os meninos são separados das meninas. Estas são educadas fazendo constantes exercícios físicos, aprendem acrobacias e a tocar instrumentos musicais. Próximas da adolescência, trabalham num teatro, único meio de se relacionarem com o mundo. O texto também é simbólico, transparecendo a lascívia dos frequentadores do teatro quando observam sugestões de cenas de sexo ou de sadomasoquismo.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Wedekind denuncia neste texto a exploração a que são submetidas principalmente as meninas, que vivem uma situação de quase servidão. O final é enigmático. Saindo do local pela primeira vez ao chegarem à adolescência, são apresentadas ao mundo formando pares com os meninos que conhecem naquele instante, e sob a expectativa de uma multidão eufórica.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Tanto em &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;Despertar...&lt;/i&gt; como em &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;Mine-Haha&lt;/i&gt; o que se percebe é a preocupação constante do autor com a consciência do estar-no-mundo das crianças e dos adolescentes, suas primeiras manifestações da sexualidade e a repressão e exploração a que são submetidos por intermédio dos adultos.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;À primeira vista, pode parecer que os textos são datados e que se tornaram anacrônicos. Caso se consiga perceber que crianças e adolescentes ainda se autodestroem, enxergaremos uma mordaz crítica ao neoconservadorismo dos dias de hoje, fundamentado nas religiões, no preconceito social ou mesmo num suposto cuidado com a saúde. Não só a sexualidade continua submetida ao controle do poder, mas todo um modo de vida. Ao invés de negar e reprimir assuntos que dizem respeito à sexualidade, como nos dias em que viveu Wedekind, nega-se hoje o esclarecimento sobre os mecanismos perversos de perpetuação da ideologia, expondo-se crianças e adolescentes ao lixo cultural, fruto do mais acirrado meio de incentivo à violência: a voracidade desenfreada do capital.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;* Professor e doutor em literatura brasileira pela UFRJ&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7240473887201047943?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7240473887201047943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7240473887201047943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7240473887201047943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7240473887201047943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/07/obras-de-frank-wedekind-revelam.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3985828537357535923</id><published>2010-07-20T09:33:00.000-03:00</published><updated>2010-07-20T09:34:07.688-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet ms', 'Lucida sans', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 0px; padding-bottom: 3px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; font-size: 19px; color: rgb(1, 74, 118); line-height: 1.2em; font-weight: bolder; "&gt;Obra de Rüdiger Safranski analisa o romantismo alemão&lt;/h1&gt;&lt;p class="info_data" style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 30px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 10px; line-height: 1.4em; font-weight: bolder; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;div id="HOTWordsTxt" name="HOTWordsTxt" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Haron Gamal*, Jornal do Brasil&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;taghw style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;&lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/02/e020711515.asp#" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: underline; color: rgb(1, 74, 118); border-bottom-style: dotted; border-bottom-color: initial; "&gt;RIO&lt;/a&gt; -&lt;/taghw&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;No prefácio de &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;&lt;taghw style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;&lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/02/e020711515.asp#" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: underline; color: rgb(1, 74, 118); border-bottom-style: dotted; border-bottom-color: initial; "&gt;Romantismo&lt;/a&gt;: uma questão alemã&lt;/taghw&gt;&lt;/i&gt;&lt;taghw style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;, Rüdiger Safranski diz: “O &lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/02/e020711515.asp#" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: underline; color: rgb(1, 74, 118); border-bottom-style: dotted; border-bottom-color: initial; "&gt;romantismo&lt;/a&gt; é uma época. O romântico é uma postura de espírito que não está limitada a um tempo”. Seu livro vai seguir exatamente essa estrutura. Na primeira parte, trata o &lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/02/e020711515.asp#" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: underline; color: rgb(1, 74, 118); border-bottom-style: dotted; border-bottom-color: initial; "&gt;romantismo&lt;/a&gt;como período histórico e literário, abordando, sobretudo, a questão alemã desde Herder, passando por Schlegel, Tieck, Novalis, Schleiermacher, Hölderlin entre outros, até E. T. A. Hoffmann. Na segunda parte, o &lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/02/e020711515.asp#" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: underline; color: rgb(1, 74, 118); border-bottom-style: dotted; border-bottom-color: initial; "&gt;autor&lt;/a&gt; tratará do espírito romântico, que, na verdade, transcende o período do &lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/07/02/e020711515.asp#" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: underline; color: rgb(1, 74, 118); border-bottom-style: dotted; border-bottom-color: initial; "&gt;romantismo&lt;/a&gt; histórico.&lt;/taghw&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;As origens do romantismo, na Alemanha, começam com Herder lançado-se ao mar, isto é, embarcando num navio que o levaria para longe do seu país. Como diz o autor: “Fazer-se ao mar significou para Herder trocar o elemento vital: o firme contra o fluido, o certo pelo duvidoso; significou ganhar distância e amplidão”. A fuga da realidade encontra solo fértil na temática das viagens. O pastor luterano, ao despedir-se de sua comunidade, tinha a intenção de ver o mundo de um maior número de lados. Na verdade, a viagem ocorre devido à necessidade de busca de inspiração, fato que o racionalismo, que dominou o período anterior, não proporcionava. O pensamento romântico tem sua origem na idealização e no sonho.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Pode-se recorrer a uma frase de Hegel, uma geração mais tarde, quando ele fala sobre Kant: “O medo de errar poderia ser o próprio erro”. O homem romântico não se preocupará com o julgamento moral, mas tentará através de atitudes profundamente sintonizadas ao espírito encontrar um novo campo de significações.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;A atitude de Herder acabou por incitar o culto ao gênio do &lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;Sturm und Drang&lt;/i&gt; (tempestade e ímpeto). Aquele que consegue fazer desabrochar sua criatividade seria considerado gênio. O próprio Goethe, num momento de reflexão tardia sobre aqueles anos, “impiedosamente” definirá o gênio como o termo geral para aquela “notória época literária de escolhidos e amaldiçoados, na qual uma massa de homens jovens surgira com toda a coragem e ousadia”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Apesar de a revolução significar para alguns poetas o início da vulgarização que a modernidade expandirá, não há dúvida de que a Revolução Francesa serviu como estímulo para a derrubada do clássico nas artes. Mesmo que não se fizesse na Alemanha a revolução política, era possível fazer a revolução estética. A queda da monarquia, na França, era a queda do modelo clássico em troca do culto pelo nacional, pelas lendas, pelo folclore, enfim, pela mitologia local.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;O olhar sobre a cultura e civilização, passando pela educação estética como um jogo – o&lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;homo ludens&lt;/i&gt;, na definição de Schiller – apresenta uma das características marcantes de um período que tenta se afastar da visão estática preconizada pelo clássico. Na perspectiva da linguagem, esse jogo culminaria com a ironia, concepção romântica que permite ao homem aventurar-se com mais profundidade no terreno da linguagem. Além disso, o jogo e a figura do jogador sempre exerceram fascinação sobre o leitor. Na aposta, a vida e a sorte não deixam de estar por um fio. O jogo e a ironia vão se contrapor apenas aparentemente às concepções de religião pura e de amor exacerbado pela pátria. Uma vez que temos em muitos autores do romantismo a vida dupla, a ironia e o jogo estariam de acordo com este modelo de vida.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Outro ponto que preocupava os escritores era a questão da utilidade da arte. Chega-se à conclusão de que a arte é útil apenas a si mesma, e de que toda a sua conceituação fora desse âmbito nos remeteria ao que conhecemos na contemporaneidade como mercadoria. O romantismo foi um período em que se defendia com unhas e dentes uma arte pura, cuja magia emanasse da alma em toda sua plenitude.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Em contrapartida, o autor nos apresenta um capítulo em que há o subtítulo: “O século com nódoa de tinta”. Isso demonstra o ritmo intenso em que andava a produção literária, ou mesmo subliterária, chegando entre 1790 e 1800 a aparecerem 2.500 romances no mercado. Se por um lado existe a preocupação em combater os prenúncios da modernidade através do desprezo da vida real e de tudo que é considerado útil, por outro a máquina editorial cresce e proporciona lucros.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Um dos pontos altos da primeira parte do livro é o seguinte: “A despreocupação romântica antecipa sob certos prismas o posterior pós-modernismo. A diferença é apenas que aqui se brinca com o sentimento de ainda ter muito diante de si, enquanto o pós-modernismo acredita ter quase tudo atrás de si”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Romantismo e pós-modernismo também se assemelham porque em ambos, apesar das vozes contrárias, tenta-se associar a arte ao lucro, apesar de, no romantismo, as vozes contrárias preconizarem a recusa à modernidade e à arte como mercadoria.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;O autor discorre sobre os movimentos românticos existentes na história do Ocidente; agora, como atitudes de vida. Dentre estas posturas, aparecem reação a qualquer tipo de realismo; mobilizações nacionalistas que desencadearão a Primeira Guerra; peregrinação de grupos de jovens que ocorreu na Alemanha nos anos 20 visando a um modelo de vida baseado no dionisíaco; muitos anos depois, o Maio de 1968.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Apesar das contradições que o período traz em si, o que se pode observar é que toda vez que há afirmação violenta do racionalismo, movimentos românticos vêm à tona trazendo no bojo a perspectiva da fantasia. Talvez tenha sido essa a maior contribuição do romantismo: despertou no homem a urgência do sonho e da imaginação num momento em que a intempérie capitalista se anunciava e viria, um século depois, concretizar-se na forma mais avassaladora.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;*Doutor em literatura pela UFRJ.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3985828537357535923?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3985828537357535923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3985828537357535923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3985828537357535923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3985828537357535923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/07/obra-de-rudiger-safranski-analisa-o.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-2024492110525025905</id><published>2010-06-27T13:56:00.004-03:00</published><updated>2010-06-27T14:08:48.126-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaio questiona a teoria freudiana da pulsão de morte&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Haron Gamal, Jornal do Brasil &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - André Martins, em Pulsão de morte?, traz para o debate uma das questões fundamentais da psicanálise, que é a teoria das pulsões. Como se pode deduzir pelo próprio título do livro, o autor apresenta a tese de que esse conceito freudiano é perfeitamente dispensável, ou melhor, a pulsão de morte não existiria, e o que se apresenta na linguagem do inconsciente é uma pulsão originária, de onde sairiam as consequentes dualidades. A base teórica do autor trafega em meio a referências filosóficas que não são novas, remetendo a Parmênides, no mundo antigo, e a Leibniz, às portas da modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na introdução, Martins afirma que Freud tomou esse conceito, o da pulsão de morte, como hipótese, e assim insinua que esta foi uma solução momentânea encontrada pelo criador da psicanálise no que dizia respeito ao problema do conflito psíquico, detectado na clínica psicanalítica. O texto induz o leitor a não levar a sério tanto a teoria freudiana das pulsões nem a pulsão de morte. O autor também tratará a questão como hipótese. Partindo de pontos de vista de Spinoza e Nietzsche, sobretudo a partir deste último, privilegiará a concepção trágica da humanidade e invocará o amor fati, originário de uma perspectiva dionisíaca de vida, como pressuposto para uma psicanálise da potência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impasse sem resposta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão trágica da humanidade implicaria uma postura de vida desidealizada, preconizada e presente na obra do criador de Zaratustra. Mas como coadunar a clínica psicanalítica de potência a partir do ponto de vista trágico da vida, assim como está presente na arte grega, ante a precariedade da existência e a ameaça constante da morte? O impasse, Martins não responde. Os princípios da clínica psicanalítica desenvolvidos por Winnicott como resposta não convencem, porque estão relacionados a casos sintomáticos e pontuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação freudiana de que a cultura é um meio de impedir a ação da natureza, a qual estaria sempre agindo de modo a levar o ser humano ao inorgânico, isto é, à morte, é contestada pelo escritor. Martins tenta demonstrar uma afirmação também problemática: natureza e cultura não estariam em pares opostos, mas a cultura seria um modo da natureza, possuidora esta de uma espécie de linguagem, detectável na sua própria organização e desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira parte do livro, o pesquisador apresenta vários textos de Sigmund Freud relacionados diretamente à teoria das pulsões. Martins afirma que fará a leitura desses textos preso à própria letra freudiana. Sabemos, no entanto, que uma leitura totalmente pura, sem contaminação do pensamento e das teorias de quem escreve, é questionável. Ao contestar em Freud os conceitos duais como cultura versus natureza, pulsão de morte versus pulsão de vida, o autor implica num arcabouço teórico que acomodaria o ser humano numa perspectiva de vida em que o conflito não compareceria. Isso geraria dois problemas. O primeiro seria o de que estaria completamente ignorada a tese de que a inscrição do homem no mundo da linguagem o distinguiria dos outros seres da natureza. O segundo problema é que a teoria de uma clínica psicanalítica da potência não levaria em conta o conflito existente dentro do próprio universo da cultura – ou se não se deseja usar essa palavra, para evitar a distinção natureza/cultura – dentro da organização humana com código próprio de linguagem. Tal ponto de vista talvez seja consequência do caráter excessivamente hedonista e politicamente correto da contemporaneidade, em que o “prazer” é incentivado e, ao mesmo tempo, é estimulada a aceitação aparente dos considerados “diferentes”. A forte presença da mídia corroboraria tal concepção, porque induziria as pessoas à opinião de que se vive num mundo sem conflitos e de que todos, inclusive os aparelhos de poder, estão voltados para o bem estar do cidadão e da sociedade, isto é, da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sistema único&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez que a bipolaridade política esmaeceu e que foi imposto um sistema econômico único com seu consequente e também único modo de vida – o da felicidade que o consumo possibilita (pelo menos esses é um dos atuais disfarces da ideologia) – não é difícil perceber o caráter falacioso de um princípio que não distingue natureza de cultura. Talvez possamos exemplificar com o seguinte argumento: caso não mais exista conflito entre e indivíduo e cultura – ou mesmo entre natureza e cultura – será devido ao aniquilamento da subjetividade. A não ser que se queira atribuir à natureza uma subjetividade que substitua a subjetividade humana. Em termos psicanalíticos seria o mesmo que constatar o adoecimento de todos. Talvez por isso, Freud se preocupou tanto em explicar a origem da agressividade e buscar uma saída para a questão na pulsão de morte. Portanto, tamanha complexidade não poderia ser deixada de lado por quem descobriu (ou inventou) o inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud também é acusado pelo autor de Pulsão de morte? de ser um pensador fortemente influenciado pelo romantismo e pelo germanismo, estando na filosofia de Schopenhauer a origem de sua visão negativa em relação ao homem. Após a exposição da argumentação de Martins, caso tivesse razão, sobraria muito pouco da teoria psicanalítica. A proliferação, porém, tanto da clínica como de escolas de psicanálise de exegese freudiana nos permite pôr em dúvida muitos dos argumentos utilizados no livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, com a proposta de que a pulsão não seja adjetivada como pulsão de morte ou de vida, mas que seja afirmada apenas como originária, permitindo abertura para as possíveis dualidades, não estaria o autor voltando aos princípios preconizados pelo criador da psicanálise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Haron Gamal é professor e doutor em literatura brasileira pela UFRJ &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-2024492110525025905?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/2024492110525025905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=2024492110525025905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2024492110525025905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2024492110525025905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/06/ensaio-questiona-teoria-freudiana-das.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-8014759281086446090</id><published>2010-05-20T11:49:00.000-03:00</published><updated>2010-05-20T11:51:07.026-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Hotel&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Há mais de vinte anos estive na cidade de M. Fora enviado pelo jornal; estava no início de carreira e já não lembro o que fui fazer lá. Ao caminhar no final da tarde na direção da rodoviária, um senhor bastante idoso, com ares de profeta, colocou-se à minha frente impedindo-me o caminho. Subitamente, pediu que pagasse um lanche. Não sou de fazer favores a pessoas necessitadas, confesso, tanto mais num lugar desconhecido como era aquela cidade. Mas acabei cedendo. Faltava mais de uma hora para o ônibus que me levaria de volta ao Rio. Entramos numa padaria. O homem após receber seu sanduíche e um copo de café com leite me agradeceu fervoroso. Tomei apenas um café, e já ia me afastando quando ele me pegou por um dos braços e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Espere!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assustei-me com o seu tom de voz; parecia uma ordem. Tentei me desvencilhar; seu olhar, porém, era firme, mastigava e mantinha os olhos voltados para os meus. Deu mais uma mordida no pão, limpou um dos cantos da boca e falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em gratidão, quero lhe fazer uma profecia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Profecia?”, assustei-me.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, uma profecia”, dessa vez sua voz soou afetuosa. “Não tema, não é nada de mal; se fosse, eu não diria.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assenti através de um ligeiro movimento com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vê aquele armazém, no outro lado da rua?”, pousou a xícara sobre o balcão e apontou na direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vejo, o que há de mal nele?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em breve, vai deixar de existir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E daí?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E daí que vai deixar de existir, ora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era essa a profecia?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mordeu o pão mais uma vez; após alguns movimentos com a boca, prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há mais uma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que, então? Fale.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Calma, já vou falar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou mais um gole de café com leite, levou a xícara mais uma vez, vagaroso, até o balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vejo o senhor”, completou, “numa altura de mais ou menos quarenta metros, no espaço aéreo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para ele. Só podia ser louco. Joguei uns trocados ao empregado, paguei a despesa e parti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ia do outro lado da rua, ainda ouvi a sua voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quarenta metros, no espaço aéreo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte anos depois voltei a M. A cidade havia-se tornada a capital brasileira do petróleo. Fora cobrir um evento importante, onde várias personalidades da área política e econômica compareceriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, após tudo terminado, fui para o hotel. Retornaria ao Rio apenas na manhã seguinte. Afastei a cortina, olhei por trás da janela fechada e vi a cidade lá embaixo. Estava toda iluminada, em alguns pontos era possível ver prédios muito altos. Em determinado momento, jurei que via a padaria onde pagara o lanche ao profeta anos atrás. E o armazém, onde estaria? Tinha realmente desaparecido? Após procurá-lo com insistência, doeu-me a cabeça. Doeu-me ainda mais quando deduzi que poderia ter-se transformado no hotel onde eu estava. E eu me encontrava no décimo andar, a quarenta metros do solo, no espaço aéreo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-8014759281086446090?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/8014759281086446090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=8014759281086446090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8014759281086446090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/8014759281086446090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/05/o-hotel-ha-mais-de-vinte-anos-estive-na.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7245485039184585294</id><published>2010-04-22T18:38:00.004-03:00</published><updated>2010-04-22T18:49:59.714-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;O drama de todos nós&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Talvez o drama de todo poeta seja o mesmo: como transformar seu drama particular, talvez drama de todos, em poesia? Carlito Azevedo, em &lt;i&gt;Monodrama&lt;/i&gt;, não deixa de nos remeter a tal reflexão. Ganhador do prêmio Jabuti em seu primeiro livro, o poeta carioca trafega pelo poético no seu mais recente (quinto) livro, conseguindo a mais alta afirmação. Com vinhetas com os dizeres &lt;i&gt;rêve générale&lt;/i&gt;, o texto transita entre a constatação da realidade e a metafísica, como em Paraíso: “foi quando a luz / voltou e vimos / o rosto da jovem / que se picava junto / à mureta do Aterro, / a camiseta salpicada, / a seringa suja. / ‘Nenhum poema é mais difícil do que sua época’, / você disse / em meu ouvido / sem que eu soubesse / se era a ela que se / referia ou se ao livro / que passava das mãos / pra o bolso da jaqueta”. Num outro poema se fazem presentes o desejo e a excitação de um segurança por uma jovem de seios grandes: “a jovem / olhos de guepardo / leitora de Rilke / seios grandes / Entre tantos / manifestantes / é ela que arranca / a primeira / ereção do dia / do segurança / de óculos espelhados”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Ora o poeta apresenta partes que se subdividem em vários pequenos poemas, os quais mantêm a coesão com os títulos, como em Emblema, O tubo, Dois estrangeiros, Margens e, sobretudo, em &lt;i&gt;Monodrama&lt;/i&gt;, que dá título ao livro; ora sua voz ecoa em poemas isolados. Sempre, no entanto, mantendo o diálogo com a linha temática estabelecida pelos trechos que se intercalam, sobressaindo-se poemas como Garota com xilofone, As metamorfoses, Conto da galinha, Pequenas humilhações diárias e O anjo boxeador.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Uma característica da poesia contemporânea, que teve início ainda no século XIX e se fortaleceu com o Modernismo, é a demasiada aproximação tanto da temática como das palavras ao cotidiano. Como tornar poético aquilo que vemos e que vivemos no dia a dia? Como tornar mágicas as palavras que usamos na linguagem diária, linguagem banalizada pela pequenez de nossos afazeres? Carlito consegue transformar a língua corriqueira na mais alta expressão, intensificando o limite de tensão entre vocábulos, remetendo enunciação e enunciado a patamares sobre os quais poderíamos perguntar: o poeta tornou poética sua rua, seu bairro e arredores ou conseguiu tirar do inefável a poesia que sempre existiu ao seu lado? Um exemplo interessante há no poema “Purgatório”: “você lembra? / tínhamos dado no / máximo uns vinte / passos sobre o morro – / se abriu um buraco / no meio das nuvens, / um tubo ou coisa assim, / que trouxe até nós, / de cima: / o sol, brilhando / com os seus cem sóis, / e de baixo: / o fundo do abismo, / a cidade, / o torvelinho, / o renque de palmeiras / de alguma rua / irreconhecível / ao menos para mim”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;A resistência contraideológica da tradição poética em língua portuguesa não deixa de estar presente no poema “Drummond”: “Sabe que nada mais agora / poderá mover sua poesia. / Cruza a avenida Rio Branco, o Aterro, / a enseada, o túnel do Pasmado / (do mundo caduco, é a parte / que mais lhe agrada)./ Nem o vestido de flores da / filha do tipógrafo, nem os / pássaros de fogo que dele / partiam de vez em quando / (tudo perdido num antigo / crepúsculo itabirano)”. O &lt;i&gt;gauchismo&lt;/i&gt; do poeta de Itabira é reforçado e coroado por Carlito Azevedo no verso: “havia um melro no alto / do muro de cantaria negra”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Comovente a parte final do livro denominada “H”, em que o eu poético retrata seu drama particular: a morte da própria mãe e a consequente solidão em que se vê mergulhado. Por meio de um texto em prosa, difícil de definir a que gênero pertence, o relato, no entanto, em momento algum soa piegas:&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;“Passeio agora pela mesma casa de minha infância, adolescência e vida adulta, consolado pela idéia do descanso que ela [sua mãe] terá de agora em diante. Sem precisar de ajuda para levantar da cama, sem precisar de ajuda para tomar banho, sem precisar de ajuda para limpar a própria merda. Passeio pela mesma casa de então, do quarto para a sala, da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto e assim por diante, mas começo lentamente a perceber um sinal que me alarma: não tenho nenhum controle sobre meus passos e me será impossível parar de caminhar do quarto para a sala, da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto e assim por diante por decisão própria. A cada volta observo com cada vez mais apreensão as paredes, não sei se pelo temor de que me faltem a qualquer momento ou de que comecem a se estreitar sobre mim. Descubro desse modo bem cruel que não é assim tão fácil livrar-me de um medo que vem sendo o meu medo absoluto desde os quatro anos de idade”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Mais adiante, para encerrar, há referência à literatura como tábua de salvação: “Venho escrever por medo de perder a razão, não pelo estardalhaço dos nervos, que não há, mas pelo seu contrário e sinuoso, a idiotia. Sinto que se conseguir escrever agora o que se passa comigo estarei salvo”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify;text-indent:27.0pt"&gt;Talvez seja isso, o poeta a sobreviver ao seu drama através da escrita. E nós, como leitores, ao experimentar o abandono e solidão em que ele se encontra, percebemos o drama em que todos nos irmanamos. Uma maneira também de nos salvar. &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;i&gt;Monodrama&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;Carlito Azevedo&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;7 Letras, 152 páginas&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7245485039184585294?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7245485039184585294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7245485039184585294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7245485039184585294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7245485039184585294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/04/o-drama-de-todos-nos-talvez-o-drama-de.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-4491198759791180566</id><published>2010-03-30T17:32:00.001-03:00</published><updated>2010-03-30T17:34:03.815-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Obras completas de Freud começam a ser editadas no Brasil&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haron Gamal, Jornal do Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - Paulo César de Souza, tradutor de Freud, diz que na linguagem do criador da psicanálise talvez a metáfora mais célebre seja a chamada “metáfora arqueológica”. Nela, o inconsciente humano seria comparado ao subsolo de uma antiga cidade, “com seus estratos de construções soterrados”. Daí, o trabalho do psicanalista seria comparado ao de um arqueólogo: escavar o inconsciente com o intuito de encontrar na história de cada indivíduo “Atlântidas afundadas na psique”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho do tradutor, na verdade, não se situaria fora dessa arqueologia. Vertendo a obra de Sigmund Freud diretamente do alemão, vez ou outra Paulo César se depara com situações semelhantes: a linguagem de Freud ora beira o poético ora beira as vias das ciências naturais, a seguir espraia-se numa terminologia intermediária, não predominando totalmente nem a função poética da linguagem (como diria Jakobson) nem a referencial, que no caso refletiria a linguagem propriamente científica. Portanto, a tarefa do tradutor é a de encontrar a nuance exata do vocábulo na língua de origem, mas também captar uma espécie de tonalidade desse mesmo vocábulo, para que ele não se afaste do contexto da enunciação. Se já se mostra exaustiva e muitas vezes problemática a arte da tradução, imagine-se quando se tem em mãos versões de obras que nos chegam não diretamente do idioma em que foram escritas, mas através de línguas pontes, como o inglês, francês ou mesmo o espanhol. Só agora, praticamente um século após a criação e o desenvolvimento da psicanálise, é que o leitor brasileiro terá acesso a uma versão fidedigna da obra de Sigmund Freud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Companhia das Letras pretende ser a primeira editora a publicar, no Brasil, a obra completa do autor de Futuro de uma ilusão traduzida diretamente do alemão e, ao mesmo tempo, organizada em ordem cronológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As obras completas serão reunidas em 20 volumes, sendo 19 de textos e um de índices e bibliografia. Estão sendo lançados os três primeiros volumes, de números 10, 12 e 14, que correspondem aos textos escritos entre 1911 e 1920. No segundo semestre de 2010 a editora vai lançar mais dois volumes, os de números 16 e 18, com as obras publicadas entre 1923-25 e 1930-36, respectivamente. A coleção prosseguirá com a publicação de um ou dois volumes por ano, a partir de 2011. A edição alemã que serve de base para a tradução brasileira é a Gesammelte Werke (obras completas), publicadas na Alemanha entre 1940 e 1952. O texto foi cotejado com a Studienausgabe (edição de estudos), publicada pela editora Fischer em 1969-75.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro livro publicado em nova tradução destaca-se, entres outros textos, “Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia” (“O caso Schreber”); no segundo, com textos de 1917-20, destacam-se “O homem dos lobos” e “Além do princípio do prazer”; e no terceiro, “Introdução ao narcisismo” e “Ensaios de metapsicologia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, a editora está lançando a nova edição revista do livro do coordenador e tradutor das obras completas de Freud em português, Paulo César de Souza, As palavras de Freud. O tradutor já é conhecido no meio editorial brasileiro, tendo ganhado duas vezes o Prêmio Jabuti por traduções de Friedrich Nietzsche e Bertold Brecht.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo César, em seu livro (originalmente tese de doutorado) diz que ele “representa um esforço de revisão filológica da tradução de alguns termos centrais em Freud. São objetos dessa revisão os vocábulos 'técnicos' em torno dos quais tem havido controvérsia na psicanálise: Ich, Es, Besetzung, Verdrängung, Vorstellung, Angst, Nachträglichkeit, Verneinung, Verwerfung, Zwang e Trieb. Isto é feito a partir de uma análise das traduções francesa e inglesa das obras de Freud, tendo por principal referência os textos da 'História de uma neurose infantil' (1914) e dos 'ensaios metapsicológicos' (1915)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira parte, o autor discute o estilo e o vocabulário de Freud, apresentando questões sobre as traduções em ambas as línguas. O tradutor brasileiro opta pela análise filológica levado também pelo debate a respeito do caráter literário e científico do autor. Cita o Prêmio Goethe concedido a Freud em 1930, o que tornou o autor vienense festejado como escritor de estilo literário por grande parte da intelectualidade europeia. Ainda nessa parte, vários estudiosos de Freud são citados: Schönau, Roustang, Holt, Mahony, e Pörksen. Alguns tendem a reconhecer o caráter literário da obra freudiana, enquanto outras se prendem ao flanco científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa discussão preliminar, que notoriamente serviu de pretexto para que traduzisse toda a obra do fundador da psicanálise, Paulo César apresenta, na segunda parte, a importância e os problemas da edição standard inglesa: “A chamada edição standard das obras psicológicas completas de Freud, publicada na Inglaterra entre 1955 e 1974, constitui um dos mais formidáveis empreendimentos intelectuais de nossa época. Formidável, em primeiro lugar, por ter sido realizada por um homem, James Strachey, com ajuda de dois ou três auxiliares e bem poucos recursos materiais. Além de terem de traduzir o que ainda era inédito em inglês, Strachey revisou extensamente as traduções existentes (algumas dele próprio), buscando a homogeneidade estilística e terminológica, e redigiu um sem-número de notas, introduções e referências”. Mas, a seguir, há a contrapartida crítica: “Num obituário assinado por A. Grinstein (Strachey morreu em abril de 1967), sua realização foi avaliada do modo mais positivo. Mas já então apareceram críticas fundamentadas, de um ou outro psicanalista que lia Freud em alemão. Elas permaneceram vozes isoladas no 'coro dos contentes', porém. Somente em 1983, com a publicação do livro Freud and man's soul, de Bruno Bettelheim, passou-se a questionar abertamente a edição britânica. A publicidade em torno do livrinho de Bettelheim poderia ser comparada à ruptura de um dique holandês: desencadeou um dilúvio de objeções (ou, no mínimo, fez um vasto número de interessados acordarem para um problema que não percebiam)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em francês, até meados da década de 1990, Freud nunca teve uma tradução rigorosa e completa de suas obras. E as edições que apareceram refletem muitas vezes de maneira caótica a doutrina psicanalítica dando mais importância ao que dela entendem seus exegetas do que propriamente ao pensamento do autor vienense. Quanto à tradução francesa mais recente das obras completas, Paulo César objeta que apesar da grandiosidade do projeto – a publicação de toda a obra de Freud em francês iniciou-se apenas em 1994 – apesar da gigantesca estrutura organizacional para a tradução e o caráter milionário do empreendimento, ela esbarra na seguinte questão: embora o texto em francês se atenha à letra freudiana, muitas vezes a tradução não corresponde à intenção dos organizadores. A obsessão a respeito de um purismo excessivo com o texto original acaba por deixar de lado um fato que ocorre em todas as línguas: as palavras não são um terreno tão seguro, elas podem ter várias nuances dependendo do contexto em que se encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empreitada editorial levada a cabo pela Companhia das Letras parte de uma posição privilegiada. Além de Paulo César de Souza ser um tradutor experiente, a edição brasileira chega num momento de intensa discussão teórica sobre a psicanálise e sobre a exatidão das traduções da terminologia utilizada por Freud. Portanto, o leitor brasileiro poderá ter em mãos uma edição que evita as vicissitudes e as escorregadelas ocorridas em outros idiomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08:24 - 27/03/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-4491198759791180566?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/4491198759791180566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=4491198759791180566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/4491198759791180566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/4491198759791180566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/03/obras-completas-de-freud-comecam-ser.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-2014118823169884834</id><published>2010-03-30T17:25:00.001-03:00</published><updated>2010-03-30T17:36:48.976-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Livros discutem o legado de Nietzsche&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Haron Gamal e Rafael Haddock-Lobo, Jornal do Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - Dentre as muitas epígrafes existentes no livro Nietzsche: o rebelde aristocrata, de Domenico Losurdo, a primeira é muito reveladora. Diz o seguinte: “Quem não o pode reivindicar? Dize-me apenas de que precisas e te encontrarei uma citação de Nietzsche. Pela Alemanha e contra a Alemanha, pela paz e contra a paz, pela literatura e contra a literatura” (Tucholsky).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A biografia intelectual e o balanço crítico do filósofo alemão serão discutidos exaustivamente nas 1105 páginas do livro. O historiador e filósofo italiano parte da formação do pensamento de Nietzsche, seus primeiros anos de juventude, sua judeofobia, o namoro com as idéias do musicista Wagner, abordando depois a maturidade intelectual do autor de O nascimento da tragédia, suas obras e a relação delas com o contexto histórico do período, mostrando que muitas das ideias e posições assumidas pelo filósofo, que se cristalizaram em aforismos e em outros tipos de explanações, faziam parte do pensamento “do tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas ideias, na verdade, devem ser debatidas numa linha de crítica da revolução, a não ser que se queira descartar, com sérios prejuízos para a história do pensamento, as obras de juventude do autor. Diante de uma intelectualidade contemporânea, que no século 20 tendeu a citar Nietzsche e a tirar proveito de sua obra sem lhe exigir contextualização e coerência histórico-política, o professor italiano apresenta com muita retidão de pensamento o tanto que é precipitada a abordagem ahistórica e apolítica do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro aspecto que se impõe é o da honestidade editorial quanto ao texto do filólogo-filósofo da Basileia. Comentando a edição “definitiva” Sämtliche Werke, Kritische Studienausgabe, organizada por Giorgio Colli e Mazzino Montinari (Dtv-de Gruyter, München, 1980), na qual Losurdo se baseia, cita-se Gadamer: “Muitos acreditaram que a nova edição crítica, publicada por Colli e Montinari, provocasse um novo e decisivo enriquecimento e aprofundamento da compreensão de Nietzsche. Ora é certamente verdade que pela primeira vez possuímos os cadernos de apontamentos de Nietzsche em forma criticamente segura e cronologicamente ordenada e que não dependemos mais da redação e da seleção em que a irmã de Nietzsche e os editores sucessivos tinham compilado os seus fragmentos póstumos, todavia é ingênuo crer que hoje, tendo o verdadeiro Nietzsche à disposição, estejamos definitivamente livres das preocupações que atormentaram os intérpretes anteriores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, continua o próprio Losurdo: “Embora bastante precioso, o trabalho editorial de Colli e Montinari não é aquela espécie de hermenêutica plenitudo temporum, religiosamente anunciada por intérpretes impacientes para desembaraçar-se de perguntas inquietantes que a leitura de Nietzsche contém. É a própria edição Colli-Montinari que confirma a presença, num filósofo aliás extraordinariamente rico e estimulante, de motivos que hoje não podem não suscitar ecos sinistros: celebração da eugenia e da 'super-espécie', teorização, por um lado, da escravidão, por outro, da 'criação' da 'espécie superior dos espíritos dominadores e cesáreos'; a invocação do 'aniquilamento das raças decadentes', e do 'aniquilamento de milhões de mal sucedidos', afirmação da necessidade de 'um martelo com o qual despedaçar as raças em via de degeneração e moribundas, com o qual tirá-las do meio para abrir o caminho para uma nova ordem vital'”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche: o rebelde aristocrata é divido em sete partes, possuindo ainda dois apêndices. Cada uma das partes contém em média sete capítulos, que por sua vez se subdividem em tópicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Losurdo opta por uma abordagem que privilegia a formação do pensamento histórico e político de Nietzsche, como aponta o título do primeiro capítulo: “A crise da civilização: de Sócrates à Comuna de Paris”. No trecho, o autor mostra que o filósofo alemão já vê em Sócrates a judeização do pensamento grego, o que afasta a cultura helena do preceito de “grecidade trágica” mergulhando-a numa crise a partir da concepção socrática de uma civilização que não mais privilegia o herói, mas o homem comum e em consequência a mundaneidade, o que já ameaça a aristocracia. Tal concepção anunciaria a perspectiva de igualdade, bandeira levantada pelo cristianismo, que, como sabemos, tem raízes judaicas. Losurdo afirma que o problema de Nietzsche não era com o judaísmo, mas, sobretudo, com a cristandade, pois esta é que faz a judeização da cultura. O tópico mais revelador no trecho é: “O suicídio da grecidade trágica como metáfora do suicídio do antigo regime”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É na sexta parte, no entanto, que o livro de Losurdo se torna mais instigante. Em “No laboratório filosófico de Nietzsche”, o professor italiano pergunta: “Por que a denúncia e a crítica da revolução devem constituir o fio condutor da leitura de Nietzsche? De outro modo, não é possível 'salvar' o filósofo de sua inteireza. Quer-se ver nele o teórico de uma crítica afiada e impiedosa da ideologia que despedaça os mitos de germanismo e do antissemitismo? Salvo qualquer outra consideração, resta o fato de que esse tipo de interpretação comportaria a liquidação das obras de juventude, que ecoam temas teutômanos e judeófobos bastante difundidos na cultura do tempo e que, todavia, são extraordinariamente fascinantes. Quer-se ver em Nietzsche o campeão do 'espírito livre' e o teórico da reabilitação da carne em contraposição ao ascetismo do Ocidente cristão? De novo somos obrigados a cortes e renúncias dolorosas em prejuízo do discípulo de Schopenhauer, que exprime todo o seu desprezo pela galopante 'mundanização', evoca com acentos angustiados as consequências catastróficas do 'triste crepúsculo ateu' e defende contra Strauss 'o lado melhor do cristianismo', o dos eremitas e dos santos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domenico Losurdo, da mesma forma, se contrapõe aos apologetas de Nietzsche que desejam proteger o filósofo de qualquer contaminação e revestem suas palavras com o recurso da metáfora. Ao falar sobre aniquilamento das raças decadentes e aniquilamento de milhões de mal sucedidos, o autor de Assim falou Zaratustra estaria demonstrando capacidade “bastante limitada de entender e de querer no plano político da análise histórica e política”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tópico que merece muita atenção é o denominado “Nuremberg ideológico”. As concepções filosóficas de Nietzsche como a celebração do gênio e do super-homem, ou da necessidade da intervenção eugênica que serviram até certo ponto de embasamento ideológico ao 3º Reich, também circularam intensamente na cultura europeia e americana do final do século 19 e, em momento algum, nomes como o do americano Emerson e do inglês Galton são mencionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o extenso trabalho de Losurdo não agrade àqueles que veem um Nietzsche idealizado, apolítico e extemporâneo, filósofo do qual apenas retiram-se os trechos necessários ao desenvolvimentos de tiradas espetaculares para satisfazer a vaidade de autores que se seguem. Mas o trabalho do professor italiano se revela monumentoso não apenas em relação aos pormenores do percurso intelectual de Nietzsche, mas também sobre a trilha seguida por toda intelectualidade dos séculos 18, 19 e parte do 20, um momento em que a modernidade já está em curso e que poucos são capazes de enxergar o mundo que se anuncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sangue e com espírito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação com o corpo pode ser uma das mais interessantes chaves de leitura para se tentar compreender a cultura ocidental. E o mesmo pode-se dizer da filosofia. Desde Platão, a filosofia sempre dedicou esforços para tentar compreender e estabelecer o lugar do corpo em seus sistemas filosóficos. E, salvo exceções, deve-se admitir que esta relação, desde a Grécia antiga até o século 20, sempre foi muito mais tensa do que propriamente elogiosa. Não só em Platão, mas incluindo nesse movimento tipicamente filosófico a filosofia cristã e toda a filosofia de inspiração racionalista, a mente, a alma e a razão tiveram o privilégio do estudo, concedendo-se ao corpo um lugar secundário e, por isso, inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, Nietzsche inaugura a contemporaneidade ao tentar a todo custo trazer o corpo para um lugar de dignidade filosófica e, com isso, todos os atributos que antes o faziam ser menosprezado, como o desejo, os instintos e tudo mais que, para Nietzsche, engrandece a vida. E talvez seja impossível se aproximar de um pensamento como o de Nietzsche sem refletir sobre esse lugar de destaque que o corpo adquire em seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal é a estratégia bem sucedida de Nietzsche e o corpo, livro de Miguel Angel Barrenechea, que toma o corpo como fio condutor para apresentar o pensamento do filósofo alemão. Mas deve-se ter em mente que o termo fio condutor não pretende estabelecer uma unidade ou um sistema de pensamento assistemático por excelência, que busca justamente denunciar os grandes sistemas da tradição filosófica. “Tomar o corpo como ponto de partida é fazer dele o fio condutor, eis o essencial”, diz o próprio Nietzsche em um fragmento póstumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de Nietzsche, e que é tomada como fio condutor para o livro de Barrenechea, é a de que o corpo é um fenômeno de tal modo rico que pode servir como a melhor maneira de se alinhavar alguns dos temas mais importantes e reincidentes na filosofia nietzschiana, como a crítica ao dualismo, a noção de força, a relação com a vida, com a animalidade e com a dietética. Assim, seguindo esta linha que mais parece um fio de Ariadne do que um fio condutor, pois nos leva ao labirinto de um pensamento, o leitor é convocado a contra-assinar o livro que lê: pois nada mais vital (e, por isso, autobiográfico) do que a relação com o corpo e com o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada mais nietzschiano, como mostra Nietzsche e o corpo, do que exigir um leitor que leia com sangue (ecoando aqui a sentença de Assim falou Zaratustra que diz: “Escreve com sangue, pois sangue é espírito”). Nesse sentido, poucos filósofos provocam uma leitura desse tipo sanguínea como Nietzsche, na qual nosso corpo parece convocado a participar da leitura, sendo talvez ele mesmo o próprio órgão do entendimento. Uma leitura como a que costumamos fazer quando adolescentes, diriam alguns, e que somos desabituados ou talvez deseducados a ter, por alguma misteriosa razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tal misteriosa razão não é nada mais do que aquilo que Nietzsche quer, como médico da cultura, denunciar: a conivência da razão com o rebaixamento do corpo, as atitudes constantes que visam seu enfraquecimento e toda uma glorificação de tudo que, em última instância, é pernicioso ao corpo e à “grande saúde”, para sermos fiéis aos léxico nietzschiano. Desse modo, a cultura ocidental acabou sempre exaltando ideias metafísicas, transcendentais e, nos termos de Nietzsche, falsas e mentirosas, ao invés de se voltar para o que de fato é saudável: o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, as metáforas dietéticas, as indicações das condições climáticas ideais para uma escrita, em um movimento absolutamente crítico de afastamento da postura dualista da filosofia ocidental, povoam o pensamento de Nietzsche, e são esses os elementos que Miguel Angel Barrenechea cuidadosamente alinha em sua escrita. Escrita, aliás, que recupera sem a menor vergonha o entusiasmo adolescente que tantos parecem esconder, e que acaba por contagiar o leitor. E não seria essa a mais coerente leitura? Não seria essa, ao menos, a que mais condiz com a postura nietzschiana? Talvez seja uma das possibilidades de se fugir da clausura que Nietzsche tanto denunciou, e que o livro de Barrenechea nos convida a percorrer. Com sangue – e com espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08:22 - 27/03/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-2014118823169884834?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/2014118823169884834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=2014118823169884834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2014118823169884834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/2014118823169884834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/03/livros-discutem-o-legado-de-nietzsche.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3934353520352122249</id><published>2010-03-30T17:17:00.002-03:00</published><updated>2010-03-30T17:20:44.617-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Livro de Richard Rorty defende o pragmatismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haron Gamal, Jornal do Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - Partindo do princípio de que os seres humanos deveriam dedicar todas as suas energias para o aumento da felicidade humana, expressão que não é propriamente sua, mas de pensadores tanto materialistas como também de pensadores místicos, Richard Rorty (1931-2007) desenvolve em Filosofia como política cultural uma espécie de pragmatismo. Segundo ele, deveríamos nos preocupar com as finalidades e não com reflexões abstratas, que, ainda conforme suas palavras, não levariam a nada. Como exemplo, um artifício utilizado no início do livro para sustentar sua argumentação descarta a perspectiva de classificar os seres humanos segundo raça, privilegiando uma abordagem geneticista. Em vez de “falarmos sobre raças diferentes, vamos falar sobre genes diversos”. Portanto, segundo Rorty, não deveríamos falar sobre coisas que não fazem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espécie humana caracteriza-se pelo desenvolvimento do raciocínio e, a partir dele, pela construção tanto de obras concretas – como as possibilitadas pelas ciências físicas – como também pela elaboração de outro tipo de obras, estas abstratas, que existem apenas na imaginação e se concretizam em forma de textos, literários ou não. As teorias filosóficas, que se caracterizam pelas sutilezas do pensamento, muitas vezes servem mais como demonstração da engenhosidade humana do que como meios de estabelecer um propósito propriamente físico. Não é de se admirar que filósofos como Platão e Aristóteles tenham escrito obras com a intenção de que o ser humano obtivesse alguma vantagem. Mas mesmo tendo desencadeado intermináveis discussões, muitas delas de caráter controverso, não se podem abandonar as perspectivas abertas por esses filósofos, desejando que se discuta apenas o que possui lógica interna, útil para a melhoria da vida humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria discussão filosófica também serve como uma espécie de melhoria ao permitir às pessoas o desenvolvimento do pensar. Afinal, a obra dos grandes filósofos, mesmo que contestada, não deixa de ser um tipo de obra de arte, que merece apreciação em toda a sua plenitude. Na história da humanidade, todo homem que desenvolveu algum tipo de filosofia talvez tenha pensado que os seres humanos teriam como resultado um mundo melhor. O que acontece é que não se pode utilizar essa afirmação com o objetivo de demonstrar a perenidade e validade do pragmatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao defender sua tese, Rorty pergunta: “Como deveríamos dividir a cultura em áreas para as quais a política cultural seria relevante e áreas que deveriam ser mantidas livres dela?”. Neste livro, com artigos elaborados, sobretudo, na última década, o filósofo norte-americano tenta responder a questão por meio da filosofia, mas despindo-a de qualquer resquício metafísico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte do livro tem o título “Religião e moralidade de um ponto de vida pragmatista”. No primeiro capítulo, Rorty afirma que se deve abrir mão da discussão sobre as crenças para que se possa esboçar um tipo de “comunidade cooperativa global entre as nações”. O descarte do apego às crenças e mesmo a existência ou não de Deus não deveria ser levado em conta quando se tem como meta o estabelecimento de um mundo em que o ser humano saia beneficiado. Voltando a John Stuart Mill e a Wiliam James, e seguindo o pensamento deste último, “a crença certa a ser adquirida é aquela que fará mais pela felicidade humana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo capítulo, o livro quer demonstrar que a visão de mundo pragmatista está mais próxima do politeísmo romântico que do monoteísmo secular. A argumentação de Rorty, sempre voltada para a realização da felicidade, se bate às voltas com o discurso religioso como forma de afastar o homem do caminho da vida secular. Valeria a pena não se preocupar tanto com os fins religiosos, os quais preconizam a salvação numa outra vida, optando pelo aqui e agora, de modo que as nações convivessem de forma harmônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte, considerando pensadores canônicos, o autor afirma: “Quando Copérnico e Galileu extinguiram a imagem do mundo que havia confortado Tomás de Aquino e Dante, Espinosa e Kant ensinaram à Europa como substituir o amor de Deus pelo amor à verdade, e como substituir a obediência à vontade divina pela pureza moral. Quando as revoluções democráticas e a industrialização nos forçaram a repensar a natureza do vinculo social, Marx e Mill se apresentaram com algumas sugestões”. São discutidas questões que levam em conta mais uma vez a crença e opção materialista da vida humana. Rorty afirma que “as classes educadas da Europa e da América se tornaram complacentemente materialistas em sua compreensão de como as coisas funcionam. (...) Também se tornaram utilitaristas e experimentalistas em suas avaliações das iniciativas sociais e políticas propostas”. O autor traça um percurso filosófico em que prevalece a opção pelo descarte de princípios tanto teológicos como filosóficos que mantenham o ser humano afastado de fazeres que não privilegiam a vida em sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última parte, ele propõe a discussão entre a filosofia analítica e conversacional. O princípio de pensamento que não leva em consideração o diálogo e a interação com outras linhas de pensamentos não estaria condizente com o estabelecimento daquilo que ele chama de política cultural. Rorty refuta o conversacionalismo de Habermas, o qual, segundo ele, não atinge a proposta pragmatista ao não seguir perspectivas historicistas na mesma linha do autor de Filosofia como política cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a leitura, fica a impressão de que os ensaios tentam responder a questões pontuais da cultura norte-americana. Ao procurar estabelecer uma forma de pensar que leva em consideração apenas soluções de problemas práticos, que na verdade privilegiam apenas as ciências físicas, não haveria lugar para a crítica que se mostrasse fora de um modelo de vida predominantemente tecnicista. Poder-se-ia dizer que o desenvolvimentismo empreendido pelos Estados Unidos deveria servir de modelo bem sucedido para toda a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se pode estabelecer como crítica é que o pensamento pragmatista, preconizado por Rorty, não leva em conta as contradições sociais, negligenciando questões como a luta de classes e, sobretudo, os interesses de países que tentam alcançar o mesmo patamar das nações desenvolvidas. Através da mundialização atual, pode-se concluir que ser pragmático seria pensar e agir de modo a beneficiar seu próprio país e sua consequente população. Mas o que fazer quando levamos em consideração o acirramento dos interesses e a intensificação dos conflitos, sem ainda considerar a extensão do fundamentalismo tanto do Ocidente como do Oriente?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3934353520352122249?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3934353520352122249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3934353520352122249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3934353520352122249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3934353520352122249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/03/livro-de-richard-rorty-defende-o.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-7207708891574072083</id><published>2010-02-19T16:55:00.004-02:00</published><updated>2010-02-19T17:04:40.193-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sonhos, nuvens, fumaça e poesia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Morava sozinho, não tinha dinheiro, minha saúde deixava bastante a desejar, não publicava nada em lugar algum fazia um bom tempo, ultimamente nem sequer escrevia. Meu destino parecia miserável. Acho que tinha começado a me acostumar com a autocompaixão.” Num determinado trecho de &lt;em&gt;Estrela distante&lt;/em&gt;, Roberto Bolaño (1953 - 2003) faz o narrador dizer as palavras acima. Tudo funciona como se a literatura, ou a escrita do personagem – ele também é um escritor – estivessem a fracassar. Mas a história narrada, na verdade um romance dentro de outro, é que trará ao leitor a verdade. Então, o que seria fracasso acaba por se tornar revelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa inicia-se em 1973, às vésperas do golpe militar contra o governo de Salvador Allende. O autor apresenta um Chile pleno de força juvenil, onde a maioria dos personagens frequenta oficinas de literatura, sonha com um governo revolucionário e paquera as também jovens poetas, como as irmãs gêmeas Garmendia. No entanto, um jovem misterioso, inicialmente conhecido como Alberto Ruiz-Tagle, surgirá para desestabilizar o ambiente. Ele é um elegante e sofisticado participante numa das oficinas de literatura da Universidade de Concepcion, escreve até bons poemas segundo a opinião de algumas pessoas, e conquista o coração de uma das gêmeas. Após o golpe, saberemos seu verdadeiro nome: Carlos Wieder; na verdade, trata-se de um oficial aviador. Daí, ele passa a escrever com fumaça, nos céus do Chile, versículos bíblicos e poemas “enigmáticos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão primeira que o romance impõe é a literatura. Todos os jovens amigos do narrador são poetas ou pretendem sê-los, inclusive o militar infiltrado. Mais adiante, Bolaño faz um levantamento dos anos que se seguiram ao golpe, o que aconteceu com grande parcela da juventude chilena, a perseguição, a morte e o exílio. Sabe-se mais sobre o poeta aviador, sobre o furor que causou nos meios civis e militares do novo governo com suas piruetas e poesias aéreas. Mas, a seguir, também somos informados sobre sua saída de cena no momento em que não mais interessa ao governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda a respeito da literatura, é importante observar outros pontos colocados pelo romance. Um deles é que, à primeira vista, todos os poetas são de esquerda. Apesar de seus poemas não serem diretamente políticos, a atitude de cada um dos escritores é de recusa ao status quo. A arte atua como instrumento de resistência. A partir daí se discute até que ponto pode existir uma arte de vanguarda patrocinada pelo regime, sobretudo sendo o regime militar e de direita. Após o golpe, há a debandada, quase todos os intelectuais ou poetas precisam deixar o país; há também aqueles que sucumbem. Outro ponto é a referência a grandes nomes da literatura universal, como Vitor Hugo, Balzac, Apollinaire etc, juntamente com autores desconhecidos ou mesmo criados por Bolaño, poetas ou prosadores que não só convivem com os clássicos mas representam (alguns deles) uma espécie de literatura marginal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo do livro, o narrador conta a sua história e a de seus companheiros, de uma perspectiva distante. Diz que no ano de 1973 tinha apenas a idade de 18 anos. Logo vem os anos de exílio que perduram e parecem não acabar mais. A narrativa transforma-se numa espécie de escavação da memória quando relata sobre seus amigos e o destino que experimentaram. A maior parte da narrativa, no entanto, fixa-se em Ruiz-Tagle/Wieder, seu possível destino, sua aparição através de pseudônimos em algumas publicações menores e a tentativa de localizá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos três últimos capítulos “é então que entra em cena Abel Romero e eu volto a aparecer em cena”, o que revela a pouca importância que este narrador-poeta dá a si próprio. Há ainda uma frase pungente no mesmo parágrafo: “O Chile também se esqueceu de nós.” O personagem recém chegado é um ex-policial chileno que também está há anos no exílio, após vagar por vários países estabelece-se na França. Sempre tivera a fama de exímio investigador, chegando a desvendar os casos mais difíceis. No trecho, o livro assume ares de verdadeiro romance policial. Romero procura o narrador-personagem em sua casa, em Barcelona; encontra-o por intermédio de um ex-companheiro deste dos tempos do Chile, chamado Bibiano. Ambos eram inseparáveis na frequência às oficinas literárias e na vida boêmia de Concepcion. Bibiano jamais deixara seu país, tendo trabalhado durante muito tempo numa sapataria, para depois publicar e se tornar famoso, inclusive chegando a dar aulas em universidades americanas. Uma pessoa não identificada, que tinha enriquecido recentemente, pagava ao investigador e a quem ajudasse a encontrar Wieder uma significativa quantia, e “para encontrar um poeta ele precisava de ajuda de outro poeta. Eu disse que para mim Carlos Wieder era um criminoso, não um poeta.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romero segue o rastro de Wieder através dos vários nomes que este usara. Mergulhamos então numa rede que inclui fanzines de várias partes do mundo, não só de várias correntes literárias marginais como também publicações de skinheads, de grupos neonazistas e de torcidas de clubes de futebol. Aparece até uma rede de produção de filmes pornôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo final, é emocionante a viagem feita por ambos até uma estação turística na Catalunha, onde, segundo as investigações, mora o ex-poeta aviador. O objetivo é que o escritor exilado o reconheça, o restante estará a cargo de Romero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se pode depreender no balanço geral da obra é todo um percurso que não só inclui a história recente do Chile, mas também um possível processo tanto de descrédito como de valorização da própria literatura. O narrador, numa vida muito semelhante à de Bolaño, está doente, não sobrevive de seus livros, até ali não obtivera reconhecimento e já passa dos quarenta anos. Acaba por aceitar a quantia oferecida para ajudar na captura do ex-agente colaboracionista do regime Pinochet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A valorização está na elevação da poesia acima de qualquer outro tipo de arte literária, pois se trata de um enredo protagonizado por poetas. O próprio Bolaño parece fazer uma mea culpa, já que começou sua carreira como poeta e pouco a pouco foi abandonando a poesia para dedicar-se à prosa, sendo reconhecido afinal como grande ficcionista. Apesar de, aqui, a história ser contada por um poeta, não significa a negação da poesia; através de sua narrativa a História se mantém viva, a poesia se impõe e a arte assume, enfim, sua verdadeira função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estrela distante&lt;/em&gt;, Roberto Bolaño&lt;br /&gt;Tradução de Bernardo Ajzenberg&lt;br /&gt;Companhia das Letras, 143 páginas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-7207708891574072083?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/7207708891574072083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=7207708891574072083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7207708891574072083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/7207708891574072083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/02/sonhos-nuvens-fumaca-e-poesia-morava.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-3780690479428847742</id><published>2010-02-03T23:04:00.001-02:00</published><updated>2010-02-03T23:07:16.337-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet ms', 'Lucida sans', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 0px; padding-bottom: 3px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; font-size: 15px; color: rgb(1, 74, 118); line-height: 1.2em; font-weight: bolder; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 0); font-weight: normal; line-height: normal; font-size: 12px; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 0px; padding-bottom: 3px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; font-size: 15px; color: rgb(1, 74, 118); line-height: 1.2em; font-weight: bolder; "&gt;Mélika Ouelbani relata origens do Círculo de Viena&lt;/h1&gt;&lt;p class="info_data" style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 30px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 10px; line-height: 1.4em; font-weight: bolder; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; 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border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;RIO - O Círculo de Viena , um movimento neopositivista que ocorreu na primeira metade do século 20, tinha como finalidade discutir problemas de filosofia das ciências e de metodologia. Seus mentores e participantes objetivavam tornar a filosofia científica, oposta a qualquer especulação ou dogmatismo, eliminando por completo a metafísica, considerada por eles sem sentido.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;O movimento foi vigoroso entre as duas grandes guerras e surgiu numa Viena que se opunha à tradição idealista e metafísica da filosofia alemã. Os integrantes do Círculo, estudiosos das mais diferentes áreas do conhecimento (o que marcava o grupo com o que se convencionou chamar nos dias de hoje de interdisciplinaridade), bebiam nas fontes de Wittgenstein (1889-1951), filósofo também vienense, que contribuiu no campo da lógica e da filosofia da linguagem.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;i style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; "&gt;O Círculo de Viena&lt;/i&gt;, livro de Mélika Ouelbani, procura descrever a origem do movimento, convergências e divergências de concepções de seus integrantes, formulações de teorias do conhecimento e o destino intelectual de cada um após a dissolução do grupo, devido também ao acirramento da perseguição nazista nos anos de 1930, a que se deve o assassinato do seu formulador, Moritz Schlick.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;No principal período de atuação do Círculo, que se situa entre 1922 a 1936, quando Schlick substitui L. Boltzmann na cátedra de filosofia das ciências indutivas, na Universidade de Viena, estudantes e cientistas reuniam-se à sua volta para debater os mais variados temas, mas o que caracterizou esses pensadores foi o rigor lógico e, ao mesmo tempo, o principio de que só teria validade o evidenciado pela experiência. Por isso, eles também são chamados de filósofos empiristas.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Outros grupos análogos constituíram-se em Praga e Berlim, estando seus integrantes em intercâmbio com os do Círculo de Viena, organizando congressos em várias capitais europeias, tendo acontecido o último nos EUA, em Cambridge, Massachusets, no ano de 1939.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Eis algumas palavras da autora: “Praticamente quase todos os filósofos desse círculo recusavam-se a ser classificados como positivistas, a fim de que seu movimento não pudesse ser associado ao positivismo de Comte, que eles consideravam uma espécie de metafísica, ou até mesmo de 'verdadeira religião'. Contrariamente a isso, o propósito deles era fazer da filosofia uma disciplina científica oposta a toda 'especulação', a todo dogmatismo. A esse respeito, Schlick declarara que, eventualmente, ele até podia concordar com a classificação de 'positivista', desde que ela fosse sinônimo de negação de toda e qualquer metafísica”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;É importante salientar, no entanto, que seria melhor falar em um programa neopositivista do que em uma doutrina. Na verdade, esse programa consistia “globalmente, na realização de uma unidade da ciência e [caminhava] lado a lado com uma concepção da filosofia e de sua função”. O movimento até teve um manifesto, cujo título era A concepção científica do mundo. Nele, seus autores situam o movimento na história da filosofia inscrevendo-o na tradição vienense do final do século 19, e ressaltam a tradição empirista que não era estranha à Inglaterra (Russel e Whitehead) nem aos EUA (James), ou mesmo à Alemanha (Reichebach, em menor escala). O que esses pensadores queriam dizer com concepção científica do mundo significava mais especificamente uma concepção não metafísica do universo. O Círculo de Viena também tinha um aforismo: “O que se deixa dizer deixa-se dizer claramente”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Um dos capítulos mais importantes do livro é o que trata de “Críticas ao positivismo lógico”. Mélika enumera os filósofos que criticaram o programa do Círculo, discutindo detalhadamente as formulações de Popper, Quine, Kuhn e Putnam. As principais reflexões desses autores são contra os princípios básicos do positivismo lógico (a distinção entre o analítico e o sintético) e “sobretudo o princípio da verificação, ou de sentido; em segundo lugar o empirismo e a antimetafísica daí decorrentes”. Outra crítica é a de que os neopositivistas não levaram em consideração “o aspecto social e cultural em sua explicação do processo do conhecimento científico”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;O que se poderia discutir, apesar de a autora tocar sem ênfase no assunto, é até que ponto o aparecimento do neopositivismo fez parte de um projeto de eliminação da metafísica, que foi concomitante à ascensão das doutrinas nazi-fascistas e outros totalitarismos. Essas doutrinas, na verdade, eram avessas a qualquer discussão que permitesse a multiplicação de sentido. Da mesma forma, os filósofos do Círculo de Viena propõem o estabelecimento do sentido pela experimentação e pelo logicismo. Até mesmo as ciências humanas, segundo eles, deveriam “seguir, mais cedo ou mais tarde, a mesma via da física e da matemática”. Segundo o livro, numa crítica tardia aos neopositivistas, associou-se a eliminação da metafísica não a uma ordem epistemológica, mas a uma ordem “política e histórica”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;Sem querer endossar concepções e propostas desses filósofos, a importância do grupo aponta a necessidade do ser humano pelo contínuo debate, condição fundamental para o progresso não só das ideias, como também das ciências, mesmo que os interesses dos cientistas não sejam convergentes e que suas disciplinas muitas vezes se mostrem conflituosas.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;O destino do movimento pode ser observado a partir de duas perspectivas. A primeira delas é que a emigração de muitos de seus integrantes para os Estados Unidos nos anos que antecederam à Segunda Guerra fortaleceu o desenvolvimento do país que os asilou, permitindo que o pragmatismo e o pensamento lógico encontrassem terreno fértil na América do Norte. O segundo é que a perspectiva de destruição da metafísica não encontrou terreno na Alemanha, mesmo num período em que a ascensão do nazismo acarretava controle sobre a linguagem, ainda que o germanismo austríaco não se prendesse ao tom diretamente político, mas à questão de método.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;É louvável, no livro, a existência de vasta bibliografia para quem deseja se aprofundar no pensamento dos integrantes do Círculo. Faço, no entanto, uma ressalva. Aparecem pelo menos três referências indiretas e uma direta a Kant (o kantismo é refutado pelo pensamento heterogêneo do Círculo), mas o seu nome não consta no índice onomástico.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;O livro faz parte da coleção Episteme, da Parábola Editorial. Nela já foram publicados dois volumes: um sobre Foucault e outro sobre diversidade cultural.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.4em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 1em; line-height: 1.4em; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="info_data" style="margin-top: 2px; margin-right: 0px; margin-bottom: 30px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-decoration: none; color: rgb(42, 42, 42); font-size: 10px; line-height: 1.4em; font-weight: bolder; "&gt;15:54 - 04/01/2010&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-3780690479428847742?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/3780690479428847742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=3780690479428847742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3780690479428847742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/3780690479428847742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/02/melika-ouelbani-relata-origens-do.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-9098490499646458139</id><published>2010-01-10T10:34:00.001-02:00</published><updated>2010-01-10T10:37:29.636-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;República dos sonhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Um romance interessante, que não é recente, mas merecedor de atenta leitura é República dos Sonhos, de Nélida Piñon. A autora, que já presidiu a Academia Brasileira de Letras, faz nesse livro um inventário do percurso de dois personagens oriundos da Espanha que se conhecem no mesmo navio que os traz, no início do século XX, ao Brasil. Desde cedo, eles percebem as duas faces do que significa terem deixado para trás a terra de origem e partido em busca do sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses personagens logo se mostra empreendedor e próspero. Após alguns anos, volta à terra de origem para pedir a mão da futura esposa, retorna com ela ao Brasil e tem numerosa prole, tornando-se, por fim, um rico e respeitado empresário. Enquanto o segundo permanece imerso no sonho e, na maior parte da história, na melancolia; continua fiel ao companheiro bem sucedido, frequenta-lhe a casa aos domingos, mas prefere manter a reserva do imigrante que não veio “fazer a América”, mas sim tentar valores morais ligados à satisfação da alma, como a admiração à cultura local, e a identidade aos despossuídos. Na verdade, descobre-se no decorrer da narrativa que esse último é um refugiado, remanescente de um povo tornado ilegal num passado não muito distante pelo decreto de um rei espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madruga, o que enriquece, é oriundo da Galícia, terra violentada pelos reis de Castela, local a que foram impostos língua e costumes estrangeiros. A proibição de falar a língua materna, o galego, deixa o idioma à sombra, quase clandestino. Esse personagem percebe a violência que vigora sobre os povos minoritários na península ibérica, mas sua ânsia pelo sucesso o faz esquecer as frustrações, partindo para o Brasil em busca de amealhar fortuna que não conseguiria na terra natal. Deixa a casa paterna ainda adolescente, às escondidas, sem que os pais saibam de suas verdadeiras intenções, e viaja com dinheiro emprestado de um tio, que fracassara em tentativa semelhante. Sua determinação e vontade, no entanto, são tamanhas, que nada o impedirá de progredir. Venâncio, seu companheiro, não tem a mesma determinação, mas sua busca é outra, uma espécie de poesia, que só é permitida àqueles que se perderam em terra estrangeira, ou se tornaram para sempre estrangeiros. Talvez esse seja o personagem mais complexo. Sua dúvida e dor são pungentes, o amor que traz dentro de si é intenso, mas torna-se incapaz de manifestá-lo, a não ser pelo flanco da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão principal do livro inicia-se com o diálogo e a camaradagem entre os dois imigrantes que aportaram em terra brasileira, ora expandindo-se ora contraindo-se nos descendentes de Madruga, em suas características pessoais, sucessos, fracassos e conflitos surgidos pela disputa da gerência do império estabelecido pelo pai, entrando no jogo um genro. Muitas vezes se percebe que o lucro empresarial não paga a dor e a melancolia daqueles que se sentem sempre estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa atravessa praticamente todo o século XX, estando seus personagens a acompanhar tanto os acontecimentos mais importantes do Brasil, como a Revolução de 1930, o Estado Novo, a redemocratização, a morte de Getúlio, a construção de Brasília, a fermentação política dos anos de 1960, o golpe militar e a resistência a ele; e, a nível mundial, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. Mas o principal não se encontra nesses fatos, a essência do livro se mostra no interior de cada personagem, podendo ser ele Venâncio, Madruga e a esposa Eulália, os vários filhos e filhas nascidos no Brasil, a neta Breta e até mesmo a criada e companheira da esposa por toda a vida, Odete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas 748 páginas que compõe o livro, experimentam-se várias vozes. Madruga, já aposentado, o império econômico estabelecido, e em meio à briga entre os filhos, a filha e o genro pela direção dos negócios, é um dos narradores. Percebe-se, já na velhice, o ressentimento do personagem relativo à constante indagação sobre a validade do percurso escolhido. O conflito de interesses entre os descendentes, que não experimentaram as mesmas dificuldades vividas por ele, afligi-lhe a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa se inicia com o casal já na velhice; a mulher se encontra às portas da morte, momento em que acontece o processo de reflexão sobre todo o passado da família. A neta, Breta, criada desde menina na casa do avô, é outra narradora, seu relato soa como extensão da descendência, e também como inventariante de todos esses sonhos. Parece ser a pessoa que herdou a arte de contar histórias do velho Xan, avô de Madruga, só que dessa vez será quem dará voz aos familiares que a antecederam e aos contemporâneos a ela. Simpatizante da resistência aos militares nos anos de chumbo, acaba exilada e, por isso, torna-se companheira de infortúnio do próprio Madruga, que também na verdade deixara a terra de origem, embora ele, premido pela pobreza e pela falta de perspectivas quanto à vida de camponês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande habilidade de Nélida Piñon em conduzir essa saga de imigrantes e sua ramificação no Brasil está em dominar o tempo da narrativa, percorrendo com destreza diversas fases da vida de Madruga e da família, um percurso que foge à cronologia habitual, mas que não arremessa o leitor em vazios que o deixem perdido. Uma lembrança torna-se sempre motivo para que a narrativa mergulhe num outro segmento de tempo, permitindo o conhecimento necessário sobre a vida pregressa dos personagens, seus sentimentos e sofrimentos. O retorno ao momento em que a história havia mudado de curso ocorre sem prejuízo para a economia total do romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não tenhamos na literatura brasileira um romance tão ousado, no sentido de reconstruir a vida de várias gerações, tanto na terra de origem, Sobreira, na Galícia, como no Brasil. Uma falta que se preenche em termos de discussão multicultural, num país formado pela constante vinda de imigrantes de todas as partes do mundo e que prima pela mestiçagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sai ganhando, no entanto, é a literatura, por se tornar uma espécie de guardiã da memória e recuperar um passado que reflete ora a luz ora a sombra do que é viver – bem sucedido materialmente ou não – em terra estrangeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A república dos sonhos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nélida Piñon&lt;br /&gt;Ed. Record, 748 páginas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-9098490499646458139?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/9098490499646458139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=9098490499646458139' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/9098490499646458139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/9098490499646458139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2010/01/republica-dos-sonhos-um-romance.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-4187154831496653995</id><published>2009-12-28T08:10:00.005-02:00</published><updated>2009-12-28T08:54:48.536-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Clique no link abaixo para ter acesso à tese de doutorado defendida por mim, com sucesso, em 4 de dezembro de 2009, orientada por Antonio Carlos Secchin, tendo como integrantes da banca: Flávia Vieira da Silva do Amparo; Godofredo de Oliveira Neto; José Luís Jobim; Sérgio Fuzeira Martagão Gesteira.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.letras.ufrj.br/posverna/doutorado/GamalHJ.pdf"&gt;http://www.letras.ufrj.br/posverna/doutorado/GamalHJ.pdf&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20483678-4187154831496653995?l=harongamal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://harongamal.blogspot.com/feeds/4187154831496653995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20483678&amp;postID=4187154831496653995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/4187154831496653995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20483678/posts/default/4187154831496653995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://harongamal.blogspot.com/2009/12/clique-no-link-abaixo-para-ter-acesso.html' title=''/><author><name>Haron Gamal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02427892393723253125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_TZRDRjPRqhc/SPjNl_kXetI/AAAAAAAAAAQ/I0dxxLJPLGw/S220/Haron+1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20483678.post-5896452887862954661</id><published>2009-12-11T16:06:00.004-02:00</published><updated>2009-12-11T16:11:47.051-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenhas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Chinua Achebe lança no Brasil livro mais de 50 anos depois de escrito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Haron Gamal, JB Online&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO - No fim de outubro morreu Claude Lévis-Strauss, antropólogo que mudou o entendimento do homem ocidental a respeito de sociedades tidas como diferentes da matriz europeia. Através dele, passamos a compreender que não existem grupos humanos superiores ou inferiores. Todas as sociedades possuem capacidade de explicar o seu estar no mundo, ainda que de modo mítico, e de solucionar os próprios problemas, a menos que sejam externos as suas origens. Após a leitura de O mundo se despedaça, do nigeriano Chinua Achebe, livro publicado pela primeira vez em 1958 pelo escritor que viria a se tornar detentor em 2007 do prestigioso prêmio Man Booker International, é possível perceber claramente a impetuosa violência exercida pelo homem branco, ainda que sob a capa do cristianismo, no contato e na evangelização promovida em África, a partir de sua chegada nas sociedades locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Things fall apart – nome original do livro, já que Achebe é escritor africano de língua inglesa – inicia-se descrevendo a fama de Okonkwo, personagem que trouxera orgulho à sua aldeia ibo, em Umuófia, “onde tudo se tinha por perfeitamente regulado e imutável”, palavras de Alberto da Costa e Silva, no prefácio à narrativa. A comunidade ainda vivia seus dias de liberdade, não imaginando o que estaria por vir. Embora imperfeita, como qualquer outra sociedade, e até mesmo possuidora de idiossincrasias incompreensíveis àqueles fora de seu círculo, vemos um mundo em que vigoram os valores locais, o respeito aos deuses, e uma hierarquia não muito distinta daquela a que estamos acostumados a observar nas sociedades de origem europeia, baseada na acumulação de riqueza. A fratura que se apresenta entre Okonkwo e sua sociedade surge já no primeiro capítulo, na imagem do pai do personagem, uma vez que entre os ibos, como entre quase todos os povos semelhantes, valorizam-se os guerreiros, os lutadores e aqueles que enriquecem por esforço próprio. Seu pai, Unoka, desconversava quando o assunto eram as guerras e o trabalho na lavoura. Gostava de música, era exímio na flauta, mas devia muitos cauris (moeda local) a quase todos da aldeia. Como consequência, vivia com a família na mais profunda pobreza. Okonkwo, para fugir ao estigma paterno, preenche os requisitos. Desde cedo se destaca nas artes marciais, vencendo o lutador mais forte do povoado vizinho; é o mais bravo dos guerreiros; enriquece desde cedo com o trabalho e recebe ajuda de seu chi (o deus de cada pessoa, mais do que um anjo da guarda), conquistando posições e tornando-se um dos mais importantes membros do clã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chinua Achebe, ao escrever o romance, parte de uma situação que o põe em ligeira vantagem. O mundo que desfila nas páginas de sua narrativa já não existe há pelo menos 200 anos. O autor recria a vida em Umuófia, seus costumes, os títulos que os mais importantes obtinham, como os conseguiam, como eram as casas habitadas pela população, as negociações para os casamentos, as festas, uma sociedade em que deuses e homens estão quase que irmanados; até os mortos encontram um meio de permanecer entre os vivos, no cotidiano da aldeia, através dos egwugwu, mascarados que encarnam os antepassados dos integrantes dos clãs. O narrador tenta não tomar partido, pois há cerimônias de sacrifícios, como o assassinato de um jovem chamado Ikemefuna, entregue à aldeia ibo como pagamento por danos que alguns dos integrantes da aldeia vizinha causaram a Umuófia. Há também costumes totalmente estranhos a quem não pertence a essa sociedade africana, como o abandono de crianças na Floresta Maldita, quando nascem gêmeos. Enfim, as fissuras da narrativa e os titubeios daquele que nos conta a história nada mais são do que elementos premonitórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menção ao homem branco acontece diretamente apenas após a primeira metade da narrativa. O fato, no entanto, está presente durante todo o tempo no subtexto. O narrador, apesar de ainda não descrever o futuro invasor, não consegue esconder que este está à espreita. Advirá a decadência e a destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O herói, Okonkwo, cai em desgraça ao agredir uma de suas mulheres na Semana da Paz, período em que todos deveriam manter-se em vigília. Acaba também por matar acidentalmente um jovem durante a cerimônia fúnebre do membro mais idoso de Umuófia. É condenado a sete anos de exílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retira-se com a família para a terra de sua mãe. Após ser acolhido pelos parentes dela, permanece todo o período de exílio trabalhando para enriquecer novamente e planejando sua volta. Deseja retomar o prestígio e as honras que possuía. Mas os deuses já não estão a seu favor. Ou melhor, talvez já estivessem em retirada. É época de um novo deus, fora das tradições ibo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar, o herói se depara com outra realidade. O local já fora tomado pela religião e, sobretudo, pelo tribunal do homem branco. O que resta ao habitante original e a sua família? Resta outra espécie de exílio: vive na aldeia em que nasceu, permanece entre os seus, mas o mundo tornara-se outro. A Ibolândia nunca será a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O regresso de Okonkwo à terra natal não fora tão memorável quando desejara. Verdade que as suas belas filhas despertaram grande interesse entre os pretendentes e que, pouco depois, desatavam-se as negociações para os casamentos. Mas, à parte disso, Umuófia não parecia ter dado nenhuma atenção especial ao retorno do guerreiro. O clã sofrera tão profundas mudanças durante seu exílio, que estava quase irreconhecível. O povo só tinha olhos para a nova religião, o novo governo e os novos entrepostos. Ainda havia muita gente que considerava as novas instituições malignas, mas mesmo essa gente não pensava nem falava outro
